Em todo o tempo Bruno pensava em como se impor, mas não fazia ideia alguma. Tomado pela fúria, a única reação que teve fora a de pegar uma taça com champanhe com um garçom que passava e despejar todo o líquido em Lorena.
Sem ter tempo para se esquivar, Lorena ficou toda encharcada com a bebida, passando as mãos pelo rosto para se secar. Ela se questionava qual a verdadeira idade mental de seu marido após agir como se fosse uma criança birrenta.
- Doutora, o que aconteceu? - Lúcio havia retornado abrindo passagem pelo aglomerado de pessoas que se formava. - Se quiser eu posso dar uma lição nesse almofadinha, senhora! - Disse Lúcio em volume alto o suficiente para que apenas Lorena ouvisse.
Inspirada na atitude infantil que Bruno tivera, Lorena já havia pensado no que fazer para revidar o marido.
- Não será necessário, Lúcio. Fique tranquilo - E nisso, Lorena virou-se para uma mesa que havia logo atrás e pegou um punhado de bolo salgado que havia praticamente intocado - Por que este senhor merece ser tratado como trata os outros - E calmamente Lorena esfregou a massa cheia de molho na cara de Bruno até a parte superior do tórax.
No meio da sala Celeste e Castor comentavam o alvoroço que estava sendo a situação.
- Preciso fazer alguma coisa antes que esses dois se matem! - Dizia Celeste apreensiva.
- Ah, pare de ser intrometida! O que uma velha na sua idade seria capaz de fazer? Oferecer um rivotril para acalmar os ânimos!
- Olha como fala comigo, seu mordomo nojento! Bicha desclassificada - Irritava-se a empregada - Agora venha comigo para darmos um fim nessa algazarra! - Celeste puxou Castor pelo braço em direção a movuca.
O molho agridoce escorria pelo rosto de Bruno quando rapidamente ele correu até o mesmo bolo sagado e encheu as mãos com uma boa quantidade da massa. Como havia muita gente, Lorena não teve como escapar e Bruno a cobriu com molho e massa, por todo o rosto e cabelo. Nem mesmo Lúcio fora capaz de detê-lo.
- Olha que beleza, dizem que molho agridoce faz bem para o cabelo - disse Bruno com revolta.
Os convidados se amontoavam e acotovelavam-se para acompanhar aquela confusão que se armava. De um lado, a jovem moça muito bem vestida recém chegada do Rio de Janeiro. Do outro, Bruno, um advogado e marido de Lorena.
Quando se aproximaram, Castor ficou logo atrás de Bruno e Celeste se manteve próxima a Lorena, que pingava a molho.
- Olha aqui, o senhor não pode tratar a doutora assim não, viu? - Sem pensar duas vezes, Celeste pegou uma torta doce inteira da mesa de comidas e arremessou em direção a Bruno.
Bruno, por reflexo, agachou-se, fazendo com que a torta acertasse em cheio o mordomo.
- Ah, sua velha amaldiçoada!!! A senhora fez de propósito para se vigar, não foi? - Castor estava extremamente irritado.
Ele correu até a mesma mesa, e não hesitou em esfregar uma pequena torta de chantili na cara de Celeste.
- Agora estamos quites, sua múmia!
E então a confusão que começara com o casal, se esetendeu por todaa festa, principalmente quando Bruno entornou uma garrafa de refrigerante na cabeça de Lorena e esta arremessou vários salgadinho em direção ao marido. Celeste e Castor também se atacavam, com a velha senhora levando a melhor.
- Você é um ser desprezível, Bruno! Infantil! - Gritava Lorena atirando cachos de uva.
- Olha só quem fala!!!! Você que começou isso, agora aguente! Nunca devera ter voltado do Rio de Janeiro. Você não pertence a esse lugar! - Bradava o advogado.
- Eu ficarei por aqui o tempo que eu quiser , queridinho. E vou fazer da sua vida um inferno!!!! Vai ter que me aturar!
Nesse instante os dois estavam parados um de frente para o outro no pouco tempo de trégua que tiveram. Expandiam o tórax tentando pegar ar, ofegantes.
- Isso é uma ameaça, querida? - Sorriu Bruno com suas covinhas charmosas e irônicas.
- Entenda como quiser, docinho!
- Ah, então é guerra? Guerra você terá! Se prepare, pois se você quer tornar minha vida um inferno, Lorena, eu vou transformar a sua num Armagedom. Vai ter desejado nunca ter voltado para essa cidade um dia.
E ao dizer isso, Bruno saiu de cena, subindo para o andar superior.