Capítulo 5

533 Palavras
Marvila ficou muito envergonhada, sorriu sutilmente e saiu andando atrás de Dom. Ele passou para o outro corredor, encheu o carrinho de guloseimas e olhou para Marvila. - Vamos logo para o caixa. Vá indo. Não. Vamos no açougue. Não, vai esperar no carro. Anda. Ela percebeu que ele ficou desnorteado e nervoso. Saiu andando cabisbaixa, sentindo que mais pessoas estavam reparando nela e falando. Ficou encostada no carro, esperando e tentando esconder a barriga, olhando as pessoas que entravam e saíam do mercado. Quando Dom saiu, um funcionário do mercado o ajudou com o carrinho. Ele se aproximou com uma sacola pendurada e perguntou: - Por que não entrou no carro? Ela ficou olhando para o chão. - Você não deu as chaves. Ele entregou a sacola a Marvila. - Esqueci as chaves, me desculpe. Pode ir para o carro e comer. Marvila entrou na caminhonete, curiosa com o conteúdo da sacola. Lá dentro, encontrou um lanche natural, uma garrafa de suco de beterraba com laranja, um pote de mousse de chocolate, duas bananas, uma esfiha e um pão doce. A fome era tanta que ela não sabia por onde começar. Tomou o suco, devorou o lanche e, em seguida, o mousse. Enquanto isso, Dom guardou todas as compras. Ao entrar no carro, ele estendeu uma garrafa de água para Marvila. - Você precisa comer bem - disse, com a voz séria. - Qual a sua idade? Você realmente parece muito nova. - Dezenove anos - Marvila respondeu, com a voz baixa. Depois, ganhou coragem e perguntou: - E você? Quantos anos tem? - Trinta e cinco - Dom respondeu, olhando para a estrada. Marvila ficou surpresa. - É... achei que fosse mais velho só pelo jeito sério. Eu... não tenho mãe nem pai. Sou órfã. Fui criada pela minha avó, mas ela faleceu. Então, é só eu e o bebê agora. - Você avisou alguém que estava bem? - ele perguntou, com um tom de cautela. - Alguma amiga, vizinha da sua avó? Ela balançou a cabeça, cabisbaixa. - Não. Depois que minha avó morreu, eu não fiquei com ninguém. Não tenho a quem avisar. Dom hesitou, mas a preocupação falou mais alto. - Não quero te julgar, mas... você tem alguma intenção de talvez não ficar com o bebê? Eu sei que mulheres que não vão ao médico e se afastam das pessoas às vezes pensam nisso. Marvila ficou séria. - Eu prefiro morrer a abandonar meu filho. E se você tem algum interesse em dar ou comprar meu bebê, precisa saber que eu nunca vou aceitar isso. Dom, surpreso com a resposta, pediu desculpas. - Fico feliz em saber que você é uma pessoa de confiança, e eu jamais separaria uma mãe de seu filho. A volta para casa foi em silêncio. Ao chegarem, Dom tirou as compras e Marvila se ofereceu para ajudar. - Me ajude a guardar tudo, assim você sabe onde as coisas ficam - ele sugeriu. Ele colocou as sacolas na mesa e na pia, enquanto ela começava a guardar os produtos. De repente, Marvila parou, paralisada, segurando na cadeira, e respirou fundo. Dom a olhou, preocupado. - Tudo bem? Está com dor? Quer sentar?
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