Capítulo 15

1649 Palavras
***Enrico*** A Dominique sumiu, cada dia fala menos comigo e responde menos minhas mensagens, isso me deixa bastante irritado e incomodado. Hoje eu fui a uma pool party com o Felipe, até postei um ou outro story pra ver se Dom reagia, mesmo que fosse para me xingar como das últimas vezes, mas não, ela viu e me ignorou. Voltei pra casa cedo da festa porque nem aquilo lá me distraía mais. O domingo passou e mais ignorado eu fui, parece que tudo que aconteceu entre a gente não significou nada pra ela, aquela morena gostosa tá me deixando maluco. Depois de passar o dia no quarto do hotel fazendo nada além de pensar nela, pego meu celular mais uma vez pra ver se o tempo passa mais rápido, começo a ver stories aleatórios até que um me chama a atenção, uma das fotos da X-Perience tem Dominique ao fundo, com aquele o****o do Bernar colado nela, tiro print para observar melhor, com mais tempo. - Mais que filho da p**a – dou zoom na foto. Sem pensar muito eu encaminho pra ela aquelas fotos que o Felipe tirou minha e da Diana quando fomos ao bar do Bigode, onde qualquer um diria que eu e ela somos um casal, mas claro, fica visível somente os seus cabelos castanhos. Numa delas eu pareço estar falando em seu ouvido ou beijando seu pescoço, depende da interpretação, e na outra ela está com a mão na lateral do meu rosto e eu com uma leve mão boba onde termina sua cintura e começa a b***a. Dei a sorte de Dominique estar online, então apago rapidamente com a certeza de que ela viu, peço desculpas e fico offline. Devo dizer que eu tive uma noite de merda, pensando há quanto tempo Bernar e Dominique estão juntos, assim que o despertador toca, eu me levanto para fazer minha higiene e resolvo ligar pra ela em chamada de vídeo, eu preciso de algum jeito saber se eles estão ou não juntos. - Oi – ela sorri fraco. - Oi, princesa – forço um sorriso – descansou da noite de sábado? - Mais ou menos – joga seu cabelo de lado sentando-se na cama – tive um domingo cheio – sorri de forma estranha. - Hmn – respondo enquanto minha cabeça vai de zero a cem em dois segundos – me desculpa por ontem – faço silêncio. - Bonita sua acompanhante – diz séria. - Escolhi a dedo, queria que fosse parecida com você – coloco o celular na mesinha enquanto visto uma camisa. - Apenas a cor do nosso cabelo é parecida, Enrico, sou mais gostosa que ela – me desafia. - Com toda certeza – pego o celular de novo – muito mais gostosa que ela, a sentada dela não é nem de longe comparável a sua – digo travando meu maxilar a encarando. - Enrico – Dominique me interrompe fazendo uma pausa, aperta os olhos e volta a me encarar – qual é o seu problema? Sei que somos amigos, mas por que fica me mandando essas coisas? Não me interessa com quem sai ou deixa de sair, com quem você dorme ou deixa de dormir. Tudo bem que não temos nenhum compromisso e eu não posso exigir nada de você, mas pode pelo menos parar com isso? – ela respira fundo, soltando o ar com força – eu gosto de você, nerd, não queria, mas gosto, então por favor, só para – suspira. Escuto tudo o que tem a dizer em silencio e permanecemos assim por um tempo. - Dominique, me desculpa – faço uma pausa – eu preciso desligar, o Thomaz tá me esperando pra uma reunião, nos falamos depois. - Tudo bem – ela sorri fraco – nos falamos – encerra a ligação. Me sento na cama e apoio a cabeça sobre as mãos. Que p***a aconteceu aqui? Por que ela dizer que gosta de mim mexeu tanto comigo? Não sei o que pensar, como agir, o que falar, e agora já nem me importa mais se ela estava ou não com o Bernar. Sigo para obra e meu dia parece não render nada, as palavras da Dominique não saem da minha cabeça. Analiz foi fazer uma verificação de material e iria embora de lá, somos só eu e meu irmão no fim do dia no escritório. - Agora me diz, por que passou o dia todo com essa cara azeda? – Thomaz me questiona. - Cara nenhuma, é a minha cara mesmo – digo rodando uma caneta na ponta dos dedos. - Não mete essa nerd, te conheço muito bem, fala logo o que está pegando. - Não tá pegando nada, Thomaz, p***a, não me enche – respondo jogando a caneta longe, meu irmão gargalha. - É a Dominique, não é? Ela tá te desprezando e você tá puto com isso – fala rindo. - É aquela morena sim, mas ela não tá me desprezando – falo de má vontade. - O que é então, pirralho? - Eu até achei que ela pudesse estar com o Bernar e joguei um verde hoje de manhã, mas ela acabou confessando que gosta de mim – digo com um certo desdém. - E qual é o problema nisso? Ela não é a primeira que te fala isso, é só você se afastar e sumir, como faz com as outras – encosta na cadeira me olhando. - O problema é que eu não quero sumir – falo baixo, quase num sussurro. - O que disse? Fala mais alto pra eu ouvir – me olha intrigado. - Eu não quero me afastar, tá legal? – me levanto falando alto – não quero – começo a andar de um lado para o outro – não quero sumir, eu também gosto dela. O filho da p**a gargalha ainda mais alto do que da vez anterior. - O que tem de tão engraçado nisso, Thomaz? – pergunto irritado. Ainda sem se controlar, me responde entre risos. - Eu vivi pra ver Enrico Ferraro apaixonado – põe a mão na barriga debochando – a gostosinha te deu mesmo um chá de b****a, hein. - Vai se f***r, seu i****a, não tô apaixonado – me sento de novo – eu só... – penso por alguns segundos – tô acostumado com ela – concluo a contragosto. *** Eu reluto por um ou dois dias, mas não dá, o silencio da Dominique é pior do que seu desprezo ou vê-la com outro. Tento uma chamada de vídeo por duas vezes e ela recusa, antes da terceira ela me manda uma mensagem dizendo que está na fila de embarque e não pode atender. - Embarque? Como assim embarque? Pra onde essa garota tá indo dessa vez? – falo pra mim mesmo impaciente e resolvo mandar mensagem. - Tá indo pra onde, princesa? – pergunto. - A Londres – responde – a trabalho – manda em seguida. - Bacana – respondo e aguardo, mas ela fica offline e não diz mais nada – eu ia gostar de ter ficado sabendo antes, amigos dividem esse tipo de coisa – ela ainda não responde – somos amigos, ou não somos? Depois de quase dez minutos ela me responde com um “sim” e fica offline de novo. Eu devo dizer que virei a noite pensando em um milhão de teorias para o que tá acontecendo entre Dominique e eu, a conclusão que eu cheguei? Nenhuma! Mulheres são muito complicadas e por mais que eu tente, não consigo entendê-las. Fui pra obra e o dia pareceu se arrastar, mais uma vez, ontem à noite Thomaz e Analiz embarcaram para San Diego para resolver umas questões com Steven e eu tive bastante coisa pra fazer por aqui, chegando no hotel no fim do dia, decidi ligar para Liz. - Há uns meses atrás, eu seria o primeiro a saber que Dominique está a caminho de Londres, mas se eu não ligasse, talvez não soubesse nunca – falo de uma vez quando ela me atende. - Oi, Enrico – ouço sua voz do outro lado. - O que ela tem pra fazer em Londres e por quanto tempo vai ficar? - Não sei se devo te dizer, nerd – ela faz uma pausa – se ela não te disse, acho que também não devo. - Qual é, Analiz, sua amiga tá me deixando maluco, ela sumiu devagar, depois aparece em uma foto grudada naquele o****o do Bernar, m*l me responde, só fala comigo quando ela quer – faço uma pausa e falo baixo – eu gosto dela – Ana ri. - Calma, pirralho, ela foi a trabalho e eu não sei exatamente quanto tempo vai ficar – me sento na minha cama, coloco o celular no viva voz e começo a pesquisar passagens pra terra da rainha – e ela não está com o Bernar, nunca esteve, eu vi essa foto, o ângulo que o favorece, nada aconteceu – abro um enorme sorriso e ouço minha cunhada suspirar – se eu te conheço bem você vai atrás dela. - Certamente, já tô comprando a passagem – continuo focado no aparelho – só preciso que me diga onde ela ficará hospedada e por quanto tempo – finalizo a compra. - Às vezes eu acho que você tem um parafuso a menos – fala pensativa – pensei que o Thomaz fosse passional, mas você? Está de parabéns, cunhadinho – ri – vou te mandar as informações por mensagem. - Obrigado – respondo já separando umas roupas. - Mas, Enrico, pensa bem no que vai fazer, não machuque a Dom, ela é minha irmã e eu não vou pensar duas vezes em arrancar suas bolas se fizer m*l a ela! - Pode deixar, cunhada, não vou vacilar, eu prometo. Arrumei uma mala pequena, me arrumei e desci para o lobby quando o carro chega para me levar ao aeroporto.
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