O escritório de Nicolas estava silencioso demais, como se a própria atmosfera tivesse congelado diante do escândalo que se desenrolava entre ele e Marisa. Ele a encarava, e seus sentimentos oscilavam entre nojo, incredulidade e uma raiva fervente. O que mais o repugnava era a ousadia, a falta de escrúpulos dessa mulher, que agora estava diante dele, afirmando que usara seu sêmen descartado para engravidar. Era absurdo, inacreditável, e, ao mesmo tempo, Nicolas não conseguia descartar completamente a possibilidade.
Ele a olhou de cima a baixo, observando como ela tentava parecer vulnerável. Marisa, a atriz loira, trajando um vestido que deixava exposta sua grande barriga de grávida, realmente carregava a aparência abatida, pálida, como se estivesse doente. Mas Nicolas não sentia compaixão. Ele estava tomado por uma fúria que m*l conseguia disfarçar, as mãos cerradas ao lado do corpo, e sua mente tentando processar o que ela dissera.
Ele se esforçou para manter um semblante calmo, embora seu olhar refletisse o desgosto profundo. Finalmente, fechou os olhos por um breve momento, tentando reunir os pensamentos, pois mesmo diante do absurdo da situação, ele não podia descartar completamente a ideia de que aquela maluca, em sua frente, carregava uma filha sua.
"Volte para sua casa... ou seja lá de que buraco você surgiu," ele disse entre os dentes, tentando manter a voz controlada. "Eu vou fazer algumas pesquisas, procurar especialistas, entender se esse tipo de absurdo é realmente possível." Ele a olhou com desprezo. "Nos vemos amanhã. Deixe seu número com Camila na recepção; eu entro em contato."
Marisa pareceu encolher sob o olhar raivoso dele, os olhos azuis dela revelando uma insegurança que, por um breve momento, Nicolas acreditou ser genuína. Mas ele se recusava a cair em qualquer armadilha de compaixão. Em um fio de voz embargada, ela murmurou:
"Eu não tenho onde ficar."
A raiva de Nicolas cresceu como uma tempestade; ele socou a mesa com força, ecoando um som surdo pelo escritório. Marisa deu dois passos para trás, os olhos arregalados de medo, como se ele fosse atacá-la. Ele se obrigou a respirar fundo, tentando retomar o controle. Sentiu a pulsação forte nas têmporas enquanto passava as mãos pelos cabelos, puxando-os levemente, como se isso pudesse aliviar a tensão que se acumulava a cada segundo.
"Você está me tirando do sério, Marisa," ele sibilou, tentando não deixar a voz subir de tom. Sua mente fervilhava, tentando pensar em uma solução prática e discreta. Ele sabia que precisava evitar qualquer tipo de escândalo, especialmente agora. A imagem da Baker Enterprise era intocável, e ele não permitiria que essa história ridícula tomasse proporções públicas.
Além disso, havia Dandara. Fazia dois meses que ele estava saindo com ela, e se as coisas já estavam intensas, agora ele não queria nem imaginar o caos que essa notícia causaria. Dandara era explosiva, possessiva; sempre que ele tentava terminar, ela acabava o seduzindo de volta com a mesma intensidade de um furacão. A última coisa que ele precisava era desse tipo de turbulência em sua vida.
Nicolas pegou o telefone da mesa, discou rapidamente para a recepção, e assim que Camila atendeu, ele disse em um tom sério, quase frio: "Camila, preciso que você reserve uma suíte em um hotel de primeira classe. Coloque na conta da empresa e providencie para que seja discreto, absolutamente confidencial."
"Claro, senhor Baker," Camila respondeu do outro lado da linha, com uma nota de preocupação na voz.
"Cuide disso imediatamente e assegure-se de que a senhorita Marisa seja acomodada sem chamar a atenção," completou Nicolas. Ele sabia que Camila não faria perguntas, e isso o confortava. Ela era de sua total confiança.
Marisa permaneceu calada, observando-o com uma expressão indecifrável, mas Nicolas não permitiu que qualquer traço de simpatia o afetasse. Assim que desligou o telefone, ele voltou-se para ela e cruzou os braços, tentando controlar o desejo de mandá-la desaparecer para sempre.
"Espero que você esteja ciente de que isso aqui não significa nada," ele disse, encarando-a com um olhar impiedoso. "Eu vou descobrir a verdade, seja com testes ou com o que for necessário. E, se essa criança for minha, vou cuidar disso da maneira que julgar apropriada. Mas se você está mentindo..." ele deixou a frase suspensa, deixando claro que ela se arrependeria amargamente de qualquer tentativa de enganá-lo.
Marisa mordeu o lábio inferior, abaixando os olhos, como se considerasse cada palavra que ele dissera.
"Eu só queria que você soubesse... não estou mentindo, Nicolas." A voz dela era quase um sussurro. "É a sua filha. Uma menina."
A afirmação fez um frio inexplicável subir pela espinha de Nicolas, mas ele rapidamente afastou a sensação. Ele não daria a Marisa o prazer de ver qualquer emoção em seu rosto. Manteve a expressão rígida, apenas assentiu com a cabeça e indicou a porta com um gesto firme.
"Deixe seu número com Camila e vá para o hotel," ele disse, ignorando o olhar ansioso que Marisa lhe lançou. "Eu entrarei em contato amanhã, como disse."
Ela assentiu silenciosamente, os ombros caídos enquanto caminhava em direção à porta. Nicolas observou-a sair sem dizer mais uma palavra, aguardando até que ela fechasse a porta atrás de si antes de se permitir soltar um suspiro longo, exasperado.
Assim que ficou sozinho, ele recostou-se na cadeira de couro, fechando os olhos por um momento. A situação era inusitada demais para sua mente lógica processar com clareza. Como ele podia ter certeza de que Marisa estava dizendo a verdade? E se fosse mesmo sua filha? A simples ideia o deixava tenso. Nicolas Baker, pai de uma menina. Ele sentia o pânico se infiltrando, mas afastou o pensamento. Ainda havia tempo para esclarecer tudo.
Ele decidiu que passaria o resto do dia pesquisando sobre o que Marisa havia dito — não que confiasse cegamente na história, mas não descartaria nenhuma possibilidade, por mais absurda que fosse. E, acima de tudo, começaria a planejar uma estratégia para garantir que, se tudo fosse verdade, ele mantivesse o controle total da situação.
Ele agora precisa descobrir o melhor especialista em fertilidade da cidade e descobrir se aquela maluquice era realmente possível.