NARRADO POR MARIELLE Takino entrou e olhou direto pra minha barriga. Não sei, mas acho que vi um pouco de carinho naquele rosto sisudo! Ele parecia diferente, mais doce, mais bem humorado talvez. — E então, o que você pretende fazer? Vai fazer escândalo, contar para Catarina, para meus pais? — Boa noite pra você também, Takino. — Eu fui até a geladeira e peguei um vinho. Dessa vez não perguntei se ele queria, apenas servi e mandei ele sentar. Sentei no sofá de frente pra ele, coloquei os pés e apoiei os braços. — Eu vou fazer o aborto seguro, como os pais abortam. Vou entregar para adoção. — Você está dizendo que vai ficar mais seis meses com essa bomba armada pra cima de mim, pra depois abandonar em um orfanato? Não. Eu não vou aceitar isso... — Primeiro, não disse nada disso!

