Grizy não gostava de brigas diferente de outros jovens drogados que quando puxassem o pó branco que ficavam selvagens e faziam uma tremenda bagunça em tudo e todos. Ficar em casa não era uma das coisas que ele gostava, pois sempre ali brigavam por tudo e por nada, segundo ele. Quando o jovem saía, o seu pretexto era o mesmo que dizia que ele ia a busca de paz, coisa que não existia em casa. E uma das coisas que lhe deixava triste e chateado era o fato do seu pai não se preocupar nem tampouco com ele, isso lhe deixava depressivo, no entanto ninguém percebia, pois todos sempre achavam que fosse o efeito das drogas.
Ele começou com as drogas logo que começou a se sentir excluído sempre que o pai estava presente, a mãe é que era diferente e sempre lhe trazia vontade e inspiração para fazer a arte que ele gosta. O pai sempre lhe dizia que não conseguiria ser um DJ e ter um sucesso, então havia escolhido uma profissão para ele que era médico, mas ele não queria aquilo, então não seguiu o desejo do pai de jeito nenhum.
Sozinho Grizy estava sentado numa casa abandonada onde praticava vários tipos de arte para acalmar o seu espírito e equilibrar o seu corpo. Ele não ia para lá sozinha, mas tinha um grupo de amigos que também faziam a mesma coisa que ele.
– Hei, cara, passo um pouco para mim aqui.
– Aqui tens. – disse Grizy entregando o outro o cigarro que estava tragando que era composto de drogas pesadas capazes de provocar alucinações.
Grizy criara um mundo só dele quando sentiu-se excluído diversas vezes pelos pais e pela Vânia que era a preferida por ser a caçula e também por ser uma menina, era assim como Grizy pensava e também parecia ter um tipo de um distúrbio mental que não era fácil de detetar.
A pessoa que tentava com ele interagir era a empregada Carlota, pois o considerava como um filho e sendo um filho não queria lhe ver perdido no mundo das drogas e quando esse logo iniciou a primeira pessoa que percebeu o fato foi a Carlota.
Ele escutava a ela somente e ninguém mais, mesmo quando estava sob efeito das drogas, as mais pesadas do mercado, ele conseguia interagir muito bem como se nada tivesse consumido e isso impressionava a Carlota. As vezes quando o jovem estivesse sozinho levava a sua coleção de músicas organizadas para praticar a sua habilidade que dominava, ele chamava de "o meu propósito nesta vida. Todos os seus amigos tinham motivos fortes para terem entrado no mundo das drogas, ele sabia disso e isso lhe tornava ainda mais firme ali onde estava com eles tendo a diversão e esquecendo tudo.
A única coisa que era bem diferente entre Grizy e os outros era o fato dele sair de uma família considerada rica e os outros tendo saido de família na miséria ou em situações nada agradáveis. Todos se perguntavam e ele sempre respondia da mesma forma.
– Porquê que você está aqui cara? Era suposto você aproveitar o luxo que há na sua casa.
– Nem tudo resume-se a dinheiro, há outras coisas mais importantes mais que dinheiro, mas muita gente é capitalista, fato que torna a nossa sociedade doente de uma forma holística.
– Quando queres falas bonito. – disse um dos homens na casa abandonada para ele.
– Quando há necessidade eu o faço. – disse dando uma tragada no seu cigarro que em seguida lhe fez tossir por algum momento antes de jogar na superfície e pisar para matar o ponto dourado que se exibia na parte terminal do mesmo.
Grizy quando estava em casa com ninguém conversava, pois todos excepto Carlota haviam prometido para si mesmos que tinham deixado de se importar com o jovem, pois por diversas vezes ele foi internado em centros de reabilitação e sempre o mesmo fugia depois de ter aceito o tratamento.
Não faltava muito para ele ser expulso dali. O que lhe dava vantagem e lhe mantinha na casa era o fato dele não se meter em encrencas que prejudicassem a sua família, mas se metia em encrencas que ele chamava de uma forma de sobrevivência, claro que no princípio fizera um conjunto de coisas piores, no entanto nos seguintes meses ele mudara para alguém mais suave.
O que ele precisava era de aprovação para poder acordar para a vida e fazer tudo o que ele fazia de antes. Ele na verdade amava os seus pais e a sua irmã , porém ele não sentia isso vindo dos mesmos para com ele e assim acabando usando isso como uma das desculpas para viver no mundo das drogas.
De repente na casa abandonada entrou uma nova pessoa que não era nada familiar com um pedaço do que seria uma das drogas que fumava e direcionou-se aos amigos que ali conversavam, Grizy e um outro com uma deficiência num dos seus olhos.
– E aí galera, tudo legal? – disse o homem logo que entrou e os outros olharam para ele com uma desconfiança que chegava a ser palpável.
Ninguém respondeu e um sono dos infernos castigava os olhos do Grizy que agora tentava se manter firme, mesmo que o seu desejo fosse encontrar uma cama num tempo recorde para descansar o seu corpo e sua mente.
Algo estranho havia acontecido antes da sua saída para o lugar onde agora estava. Ele sairá e despedira a Vânia, coisa que nunca havia acontecido desde que ele começara a consumir drogas para fugir da realidade.
– Tchau, Vany! Vou até a casa abandonada para relaxar. – disse Grizy quando estava saindo.
– Está bem. – disse num despacho, pois não se importava.
Vânia estava se sentindo estranha e felizmente depois que os seus pesadelos pararam de lhe perturbar a coisa que havia restado era as sensações que ela não conseguia perceber o que significavam, mas logo que o seu irmão partiu para mais uma noite de diversão com os amigos, ela sentiu um aperto no coração que apenas decidiu ignorar da primeira vez que sentiu.