O vento frio da véspera da noite de natal tocou em meus cabelos, afastando-os do rosto conforme eu erguia a minha cabeça para o semáforo no meio do cruzamento, que acabava de se tornar vermelho e permitia um pequeno grupo de transeuntes que me cercava a atravessar a faixa de pedestres. Eu caminhei com uma certa pressa, escutando o atrito do salto da minha bota contra o asfalto liso pela chuva de mais cedo. As pessoas ao meu redor, como qualquer paulista — independentemente que aquela fosse uma cidade do interior paulista —, caminhavam em se preocupar com nada além dos seus próprios destinos, por isso, ninguém olhou mais uma vez quando eu me encaminhei para uma das áreas mais afastadas e pouco seguranças da região. Mesmo no interior, era possível ver a tão peculiar e costumeira diferença e

