A irmã que me odeia

1558 Palavras
Há cinco anos... – Ela é completamente diferente de você e da Arlete. – Lúcius fala enquanto me analisa, ou analisa a mercadoria, a nova escrava dele. – Sim, de fato, porque a mãe dela não era a minha mulher, era uma p**a que fodi bem gostoso em uma noite quando voltava para nossa aldeia. – Esse que responde é Carlos, meu pai de sangue, ou como costumo falar, meu doador de esperma. Então o Alfa chegou mais perto e me cheirou. – Realmente é sua filha, ela tem seu sangue e o da alcateia. – Os olhos dele brilharam pra mim em um dourado intenso e virando-se para Carlos, disse: – Gostei dela, talvez eu perdoe vocês. Ele olhou para mim com seus olhos ainda brilhando perguntou: – Qual seu nome? – Karolina... Em um suspiro de tristeza e com os olhos inchados, respondi. ....................................... – Karolina... Acorda... Levante-se... – Era a voz do meu tio? – ACORDA VAGABUNDA! – Senti um impacto nas costas e fiz uma careta de dor enquanto recuperava os sentidos e tentava ficar de joelhos na minha poça de sangue. – Finalmente você acordou, sua p**a! – Reconheci a voz, era a Luna, Arlete, minha irmã. Ela havia acabado de dar um chute nas minhas costas com muita força. Os lobos eram extremamente fortes por natureza, porém sua força dependia muito do estilo de vida que levava, principalmente quando se tratava da alimentação, precisávamos comer mais que os humanos comiam diariamente para recuperar a energia gasta, se não comesse o suficiente, o poder, as características e a força do lobo logo ficariam quase nulas do corpo. Era isso que estava acontecendo comigo, estava desnutrida, tão fraca que me comparava a um humano e um humano levando murros e chutes de dois lobos, é mesmo que estar pedindo a morte. Não sabia até quando aguentaria. – Mi-minha Luna. – Depois de alguns minutos consegui responder ainda estando de joelhos. – Não sou sua Luna, você não faz parte da minha alcateia, você é uma escrava, apenas isso. – O ódio no rosto dela era nítido. – Si-sim... Senhora... – voz saia como um suspiro. – Ouvi dizer que você ameaçou a filha de uma loba, a Rosinha. Karolina, você acha mesmo que só porque consegue seduzir meu Alfa, você tem o direito e a liberdade de fazer o que bem entender!? Eu vou fazer com que se lembre de quem é a Luna da alcateia, mulher do Alfa sou EU! NÃO VOCÊ! – Ela olhou para um dos seus soldados e quando olhei pra ele também, vi um chicote que estava cheio de pregos. Arregalei os olhos de pavor, mas antes que o soldado levantasse o chicote para me b*******a Gama apareceu quase nas pressas e falou algo para a Luna que olhou pra mim em desgosto, com mais raiva ainda e mandou-me sair, não antes de me ameaçar caso eu fizesse algo quem iria ser castigada era a bastarda da minha filha, o medo tomava conta de mim. Não sei o que a Gama disse porque minha audição está afetada, então sem pensar duas vezes saí de lá cambaleando com muita dor no corpo. Eu havia sido brutalmente espancada por um soldado e pela Luna, minha meia irmã, filha do meu pai. Sentei em um tronco de madeira que era usado para construção tentando respirar, mas cada respiro doía. Eu sabia que tinha vários ossos quebrados, nessa condição, meu corpo, que era para se recuperar em minutos e dependendo da lesão chegaria até segundos, iria passar horas para que os ossos voltassem ao normal. Fechando os olhos e me entregando para a completa escuridão pensei no por que daquele ódio tão grande de uma pessoa que deveria ser mais do que minha melhor amiga, ela era minha irmã, mesmo não sendo da mesma mãe, ainda era sangue do meu sangue. E a verdade logo veio à tona. Arlete era uma menina mimada que nasceu na mais alta classe da nobreza dessa matilha, foi treinada a vida toda para ser uma Luna cheia de classe, inteligente e refinada, porque já sabia que seu futuro companheiro, aquele que a Deusa da Lua havia predestinado, era o grande Alfa, o Lúcius. Ele, no início, era muito gentil a sua futura Luna, mas algo aconteceu após se casarem e firmarem o companheirismo diante da Deusa, que deixou o macho com ódio e nojo de sua Luna, ele a desprezava e tratava m*l. A fêmea, desesperada para reconquistar o marido, fez de tudo para ter um herdeiro, mas nunca foi abençoada e ainda havia boatos de que o macho só ia para a cama dela depois de muito insistir, o que deixava ele desconfortável e sem vontade de gozar, assim nunca tiveram filhos até agora. E quando ela pensava que não poderia ficar pior, a irmã apareceu e despertou todos os desejos que ela tanto queria despertar no marido, causando sua revolta e fúria. Hipócritas! É um bando de hipócritas! Praguejei em meus pensamentos lembrando o verdadeiro motivo que a Arlete me odeia. A verdade é que essas lobas aceitam tudo do marido, enquanto eles se divertem com as escravas, as estupram, abusam, as violentam e ao invés das lobas terem raiva dos maridos infiéis, ficam com raiva das amantes, que nem tem o direito de escolherem se querem ou não se entregar, porque a verdade é que ou elas aceitam que eles as usem do jeito que querem ou morrerão, e a morte é bem lenta e dolorosa para que sirva de exemplo a outras escravas que queiram recusar os machos. – Quanta hipocrisia dessas mulheres, essas lobas que só ficam em suas casas esperando os maridos chegarem de outra trepada. – Um sorriso de escárnio apareceu no rosto e em seguida os dentes avermelhados apareceram também. Não sei quanto tempo fiquei assim, de olhos fechados, sentada em um tronco esperando a morte chegar. Até que comecei a ver os primeiros raios do sol, estava amanhecendo, em pouco tempo os lycans iriam para suas casas dormir, estava ficando de dia e eu finalmente poderia dormir. Dormir onde? Na cabana? Um frio passou pelo meu corpo e meus olhos arregalaram, o Alfa estava esperando por mim e ele estava zangado. Arrastei os pés até lá, a dor havia entorpecido o corpo, quando cheguei já era de manhã e antes de bater na porta, ela se escancarou e eu vi um macho sem camisa, apenas com uma calça e botas pesadas no corpo, e rosto era quase neutro, mas dava para perceber sua ira pelas sobrancelhas franzidas. – Des-desculpe o atraso... – A voz saia tão fraca que parecia mais um suspiro. – Posso... entrar? – Tive que engolir uma golfada de sangue que estava na boca. Após alguns minutos que ele me encarava, finalmente deu passagem para que eu pudesse entrar. Ainda me analisando, Lúcius fechou a porta com força atrás de mim, meu coração começou a acelerar. Ele se aproximou e ficou do meu lado enquanto cheirava e me analisava, fechei os olhos. Até que veio uma voz um pouco baixa do meu lado esquerdo, mas que dava pra sentir a áurea maligna daquele homem. – Diga os nomes. – Seu tom autoritário me fez abrir os olhos e olhar para o lado, mas meu semblante era de confusão. – É a última vez que vou repetir, quero que me diga os nomes de quem bateu em você. – Assim, em fração de segundos eu entendi. Maria Elena havia que dito que estava acontecendo alguma coisa na floresta e isso estava deixando Lúcius estressado e zangado, sem a escrava dele para que pudesse saciá-lo, o deixava pior ainda, e ver a escrava sem condições alguma de tê-lo na cama deixou o macho com ódio. A tola da Luna, pensando que o marido ficaria fora por um tempo, aproveitou a oportunidade para me castigar. Burrice! Mesmo assim, eu não tinha falado nada, mesmo ansiosa para saber o que aconteceria com a Arlete, porém suas últimas palavras eram bem ameaçadoras: – Da próxima vez, quem irá receber o castigo no seu lugar é a bastarda da sua filha. Minha cabeça doía só de pensar na Kamilla sendo espancada. Não! Prefiro a morte! – KAROLINA! – Lúcius rosnou por causa do meu silêncio. – Não foi nada, eu estou bem. – Falei mais grosso para que minha voz parecesse mais convicta, mas senti uma dor enorme no meu nariz e gritei alto de dor. Track... De repente, minha respiração começou a melhorar. Depois que o Alfa tirou a mão do nariz, eu entendi o que havia acontecido: Ele tinha colocado meu nariz quebrado de volta no lugar. – Você está com as costelas quebradas, um pulmão perfurado, seu cérebro está inchado, alguns ossos do seu rosto estão quebrados e ainda tem energia para mentir, Karolina?! Se você não me disser quem te bateu, prometo que vou terminar de quebrar os outros ossos! – Os olhos do Alfa estavam brilhando de ódio, ele estava prestes a se transformar em lobo se eu não dissesse o que queria, então com um suspiro respondi: – A Lu-Luna... cof, cof, cof... – Tossi sangue na mão. E com o mesmo tom neutro, autoritário e áspero o Alfa me mandou ir banhar antes de sair pela porta como se estivesse indo beber água.
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