A Escrava do Alfa

2566 Palavras
Estou correndo naquela floresta que eu tanto amava, no meio da escuridão, mas por causa da minha visão de loba conseguiria enxergar tudo, se não fosso pelas lágrimas em meus olhos que embaçam minha vista, mesmo assim continuo correndo até que os vejo. Em um campo aberto, lá estão eles, o primeiro é meu pai (ou como eu o chamo: doador de esperma, apenas) sorrindo pra mim com aqueles dentes amarelos. Nojo! Sinto nojo dele! O segundo é o homem que se autodefiniu meu dono, mesmo sabendo que não somos predestinados e nem companheiros, eu o odeio! ODEIO! ODEIO! ODEIO! E a última pessoa que aparece é ela: a mulher mais linda que já vi na vida, cabelos negros como a escuridão, olhos azuis quase brancos como a lua que transmitem a luz da vida e da paixão, pele dourada como ouro puro, e um lindo vestido branco para realçá-la, cuja beleza surreal só pode ser explicada por ela ser uma Deusa, A Deusa da Lua. Lá estão os três olhando pra mim, sorrindo, debochando da minha dor, meu sofrimento, quero matá-los, todos eles! Quero estraçalhá-los! Então ataco! – Tola...! – Ela me chama, sempre esse nome, sempre o mesmo. Mesmo sem mexer um dedo, ela me derruba no chão, então eu acordo. O mesmo pesadelo! Sempre o mesmo... Mas agora está pior, pois sinto as dores no meu corpo do impacto quando caio no chão, do ataque daquela que eu orava quando criança e que amava e era devota, mas minhas preces nunca foram ouvidas, nem quando eu gritava por ela. Ela não veio, só vem agora para me atormentar, a Deusa da Lua, que de bom não tem nada. Olho para o lado e percebo onde estou, como se a realidade fosse menos pior que o pesadelo, mas é ao contrário. Suspiro e me levanto do resto de colchão que estava dormindo. O lugar é frio, úmido e escuro, mas com minha visão de loba consigo enxergar até o que não queria: ratos e baratas por toda parte, já me acostumei com eles, alguns ratos até dei apelido. – ACORDA! – Escuto um dos lobos soldados me chamar da porta do porão. – Já escureceu e você ainda está dormindo? – Os lobos são noturnos, então dormimos durante o dia e à noite ficamos acordados. - PREGUIÇOSA! – Ouço aquele cão sem dono esbravejando e batendo na porta. – DESTRANQUE A PORTA, PRIMEIRO PARA QUE EU POSSA SAIR, SEU RETARDADO! – Grito dentro do meu "quarto do castigo" já sem paciência, e meus "amiguinhos" se escondem. Logo, a porta abre bruscamente e o cão sem dono aparece fervendo de raiva. Ele parece um brutamonte com uma cicatriz que começa na testa e passa pelo olho esquerdo até o meio da bochecha de uma briga que teve com lobos de outra alcateia que quase o deixa cego, o peito estava descoberto era musculoso e cheio de cabelos que iam até a virilha coberta com uma calça de couro e de botas pesadas. Algumas lobas da nossa alcateia adoravam aquela brutalidade dele, mas quem ia pra cama com esse homem se arrependia por causa da violência, Bruthus, como o nome já indica, é violento, às vezes bate até a loba perder a consciência, sua própria companheira fugiu, e agora ele é um cão sem dono. Ele me pega pela garganta e aperta, me batendo contra parede e me deixando sem ar. – Está pensando que é quem para falar desse jeito comigo? p**a! Puta... Odeio esse nome! Sempre me chamam assim. – Não se esqueça de que você não passa de uma escrava do Alfa, de uma p*****a! Quer ficar aqui mais alguns dias? Se bem que aqui é o lugar ideal para você, na podridão, assim como você é: podre! – Já estava ficando sem ar, queria revidar, mas não podia, não posso, pois eles sabem minha fraqueza e usam isso para que possam me controlar, me deixar submissa. INFERNO DE VIDA! Quando eu já estava quase inconsciente, ele me solta, caio no chão e levo um chute na barriga. – Vamos! Levanta! O Alfa quer te ver. – Mesmo fraca por causa da pouca comida que quase não recebi durante três dias nesse porão (cativeiro), tossindo sem parar e dolorida, eu me levanto e sigo-o. A alcateia está sendo iluminada por tochas, as casas são feitas de pedras, algo bem rústico, ela era limpa e organizada, pois os lobos adoram limpeza, por isso que meu "quarto do castigo" é bastante imundo, uma maneira que o Alfa tem de me humilhar quando eu faço algo que o desagrada, meu último castigo foi ter dito para uma filhote, da qual mexeu com quem não devia, que eu estava vendo um vampiro na floresta e ele queria sugar o sangue dela, a peste ficou com tanto medo que teve pesadelos e contou para sua mãe quem disse isso e, claro, fui castigada. Todos da alcateia já estavam se levantando, alguns fazendo seus trabalhos matinais, a maioria das lobas cuidando dos seus filhotes enquanto os pais se juntavam em bando para caçar, os que eram solteiros ficavam no campo de treinamento (as fêmeas e os machos treinavam em campos separados) ou na sala de conhecimento (lá ficava vários livros históricos da nossa espécie ou de outras espécies, livros geográficos, de medicina, etc.), livros de estratégias e política ficava na sala de conhecimento especial para alta classe formada pelo Alfa, a Luna, os Bethas e suas companheiras, as Gamas, além deles, só quem poderia entrar nas salas especiais era quem tinha a autorização do líder, no caso, nosso Alfa. Enquanto eu caminhava atrás de Bruthus, o mais forte dos Bethas, alguns lobos paravam para me encarar, talvez fosse por causa do MARAVILHOSO odor de podridão por ter passado dias sem banhar, ou por ter botado medo na pirralhinha, ou simplesmente por me encararem por ter a fama de roubar o macho alheio, a destruidora de lares, a prostituta, a p**a. Nada disse me abala mais, continuo caminhando fingindo que não estou sendo encarada por ninguém. f**a-se! Quando entro no salão principal (onde a alta sociedade se reúne) sou direcionada para uma sala específica, a maior de todas, a sala do Alfa. Suspiro, baixo a cabeça e entro. Mesmo de cabeça baixa eu o sinto me encarando do outro lado da mesa, ouço passos dele dando a volta e ficando na minha frente, ainda de cabeça baixa vejo suas botas de couro bem trabalhadas, até que sinto suas garras no meu queixo forçando minha cabeça a levantar. O Poderoso Alfa da nossa alcateia, o mais forte e mais temido dessa aldeia, abaixo dele, a segunda no comando, está a Luna, pois as fêmeas sempre estão abaixo dos seus companheiros machos na nossa hierarquia. Ele está todo coberto com um manto marrom escuro, mas há uma pequena gola aberta que vai até quase o meio do peito mostrando um pouco de seus músculos e alguns cabelinhos saem de lá, as mangas que cobrem os braços parecem que vão rasgar por causa dos músculos, o corpo não é tão grande quanto o de Bruthus mas sua áurea mostra que ele é mais poderoso que o cão sem dono. Quando olho pra cima vejo seus olhos castanho-claros me encarando com arrogância, barba por fazer, cabelos loiros bagunçados e pele clara, a masculinidade exala nele. – Você está fedendo. – É a primeira coisa que o cretino diz. – Está mais magra... Não está tão bonita assim, Karolina. – Como eu poderia estar bem depois de ficar dias trancafiada naquele porão imundo e sem comida? – Desculpa, meu Alfa. – Respondo, não quero desafiá-lo, não enquanto ele usa minha fraqueza contra mim. – Parece que aprendeu a se comportar, esses três dias foram o suficiente ou precisa de mais? – Meu coração acelera só de pensar em ficar mais tempo no cativeiro e longe dela. – E-Eu aprendi meu erro, meu Senhor, prometo que não irá mais se repetir... – Engulo o nó na garganta. – Assim espero, Karolina. – Ele solta meu queixo e caminha de volta para sua cadeira atrás da mesa. – Vá, tome um banho que esse cheiro está me deixando enjoado e prepare minha janta, estarei esperando você no "nosso quarto". – Me estremeço quando escuto essa palavra, a noite vai ser longa... Depois de fazer minha higiene vou para a cozinha principal onde vejo algumas escravas cozinhando para a alcateia. Todas as escravas foram capturadas ou vendidas para os lobos caçadores da nossa tribo, toda alcateia tem escravos, principalmente mulheres para que trabalhem fazendo serviços domésticos ou dar prazer a algum lobo. Eu sou a única que tem o sangue da alcateia e que é uma escrava, pois meu pai é um dos soldados do Alfa, nenhum outro lobo ou loba que tem o sangue da alcateia é escravo, pois faz parte daquela sociedade. Não me importo por ser considerada uma escrava, nunca me senti parte dessa alcateia desde quando fui capturada e forçada a vim morar aqui, me sinto como uma escrava, pois meu lar não é aqui, nunca foi e nunca será. – Vamos, menina, apresse-se, não deixe o Alfa esperar muito tempo! – A dona Tâmara fala me ajudando com a janta do digníssimo. Algumas escravas, as que não tentam agradar seus senhores e senhoras para terem benefícios, ou que são consideradas feias e velhas o suficiente que não chamam atenção de um lobo tarado são, portanto, gentis comigo, me tratam com respeito. Uma delas é a dona Tâmara, uma senhora que cuida da cozinha, a única que faz a comida do Alfa quando eu fico ausente, recebendo algum castigo. – Calma! Não me apresse! – Falo com a boca cheia de comida, quase entalada, ao mesmo tempo terminando de transferir a carne m*l passada da panela para o prato. Termino de ajeitar a carne no prato enquanto engulo uma água do copo para que a comida que está entalada na garganta desça de uma vez e assim minha barriga pare de reclamar um pouco. Saio com todos os pratos na bandeja e vou direto para uma residência afastada das demais, apesar de pequena, é bonita, feita de pedras com alguns detalhes de madeiras, é lá onde ele está, no "nosso quarto", que na verdade é um quarto para que ele possa ter e abusar de mim, fazer o que quiser comigo, se ele quiser que eu fique semanas lá, eu tenho que ficar, não posso sair para nada, a menos que seja para limpar suas roupas, fazer sua comida, ou qualquer outro serviço que ele queira que eu faça. E quando ele se cansa de passar noites dormindo comigo ou não pode mais ficar, aí eu volto para o meu verdadeiro quarto e fico fazendo apenas os serviços domésticos, mas isso não impede dele aparecer em qualquer lugar que eu esteja exigindo serviços sexuais. Deixo a bandeja na mesinha ao lado, na varanda, e bato na porta para ter permissão de entrar, ele aparece já zangado, pois o deixei esperando um pouco, mesmo assim me deixa entrar. – Desculpe o atraso, senhor. – Digo depositando a comida na mesa de madeira que fica do lado esquerdo enquanto uma cama de casal fica do lado direito. – Que isso não se repita! – Pelo tom da voz já percebo que o macho está de mau humor, fico tensa. – S-sim, senhor... – Minha voz sai fina e baixa enquanto fico de cabeça baixa como uma escrava deve ficar. Ele olha pra comida... por favor, que ele goste, por favor, que ele goste... – Me sirva! – Dou um pequeno suspiro de alívio e começo a servi-lo. O lobo está comendo como se tivesse sido ele que não vê comida há dias, e quando termina de comer tudo, porque ele não me oferece nada, ele se levanta e vem até o canto onde estou de cabeça baixa e levanta minha cabeça e suas garras apertam meu maxilar. – Karolina, eu deveria matá-la pela sua audácia, ou cortar sua língua por falar demais, até os meus Bethas você desafia...! – Ele deve estar falando do que ocorreu no porão, aquele cão sem dono do Bruthus, fuxiqueiro! – Não vai dizer nada? – Des-desculpe, senhor. – É só isso que você sempre tem para me dizer? Não sei quantas vezes você já me pediu desculpas e logo em seguida grita com alguém, bate em alguém e até xinga, ameaça, até mesmo uma filhote você ameaçou. – Tenho vontade de revirar os olhos quando ele fala dessa pirralha pulguenta, mas permaneço neutra e continuo o encarando. Ele tira a mão do meu maxilar e vai para o meu cabelo que está preso em um coque e com uma das suas garras ele desamarra deixando o cabelo cair até a cintura, então o lobo pega uma das mechas e cheira. Os olhos castanho-claros começam a brilhar, logo eu entendo o que significa... desejo. Ele pega meu cabelo atrás da cabeça com força, envolve seu antebraço na minha cintura e me puxa com força contra seu corpo. – Karolina, sua desgraçada! Você é uma praga nessa aldeia! A pior escrava que já comprei! Desobediente, que não quer se submeter aos habitantes daqui, desgraçada! – Ele toma minha boca com a ferocidade de um lobo faminto e força passagem, com isso me beija, desce a mão que estava na minha cintura para a b***a e morde meus lábios com força me fazendo gritar e empurrá-lo. Quando me afasto, ele olha pra mim com ódio do afastamento e da desobediência e com mais desejo ainda, me ataca. Com suas garras, minha roupa é rasgada com facilidade e fico nua, tento me cobrir com as mãos e o macho rosna, desisto e deixo para ele a visão do meu corpo magricelo e nu. Em seguida, ele tira sua roupa peça por peça sem deixar de me encarar, poucos segundos depois o macho já está nu com o p*u dele mirando na minha direção. Ele agarra meus braços e me joga na cama e sobe em cima de mim abrindo minhas pernas no percurso. – Fique quietinha se não quiser apanhar... – Obedeço. Então o macho novamente me beija enquanto passa a mão direita pelo meu corpo e a esquerda é usada para se apoiar. Beijando-me, ele me penetra com toda vontade e força que estava controlando durante esses dias. Ele passa horas assim, me submetendo a várias posições enquanto se enche de prazer... Enquanto eu não sinto nada além de ardência no canal vaginal. Quando finalmente o lobo chega ao ápice, gozando dentro de mim, ele se vira para o outro lado da cama. O deixo quieto e relaxado por alguns minutos enquanto crio coragem de fazer a pergunta que mais me atormenta durante dias. – Lúcius...? – Humm? - Ele responde com os olhos fechados, então eu continuo a falar, preciso saber onde ela está, meu ponto fraco, a razão por eu ter amedrontado a lobinha pirralha, que ousou arranhá-la, ainda a chamou de filha de prostituta, preciso saber o que aconteceu com ela ou vou enlouquecer, ela é tudo que tenho, que me dá esperança, é meu ponto fraco, mas também é quem me dá força apesar de ter apenas 5 anos de idade. – Cadê a minha filha? Ele olha pra mim e fala: – NOSSA FILHA, você quer dizer...
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