Capítulo 7

1255 Palavras
Bianca Marino Passei quase três horas experimentando vestidos e sendo espetada por agulhas, tudo isso para escolher o vestido perfeito para um casamento que eu nem desejava. Mas não é como se eu tivesse escolha. Sei que Roco Esposito não é homem de fazer ameaças em vão. Ele com certeza mataria os meus pais, principalmente por se tratar de duas pessoas de caráter duvidoso. É claro que sei que nem papai nem mamãe merecem que eu me sacrifique por eles, mas os dois ainda são a minha família e, no passado, foram bons para mim. O que aconteceu é que, em algum momento, as coisas mudaram e eles se perderam pelo caminho. Então, sim, vou me casar para protegê-los. Também não posso negar que não sou indiferente ao Roco. Ele me faz sentir... coisas. Talvez, se tivesse se aproximado de mim como uma pessoa normal, sei lá... me convidado para um encontro... A quem estou querendo enganar? Eu não aceitaria. Fugiria dele como o d***o foge da cruz. Pelo amor de Deus, ele é um mafioso perigoso. Na noite em que me sequestrou, Roco matou aqueles homens como se não fossem nada e não demonstrou o menor remorso. Nesse caso, não estou reclamando. Ele me salvou, embora eu ainda ache que não precisava ter matado ninguém para fazer isso. Quando a equipe do estilista finalmente foi embora, respirei aliviada. Estava cansada de tudo aquilo. Todo aquele luxo não combinava comigo. Eu preferia um vestido simples e uma cerimônia discreta, mas, aparentemente, a minha opinião não importava. Olhei para a camisa de Roco, que ainda usava, desejando vestir minhas próprias roupas, mesmo que elas não combinassem nem um pouco com aquele ambiente sofisticado. Lembrei-me de que, quando me mudei, havia deixado uma pequena mochila para trás. Tinha planejado buscá-la depois, quando fosse visitar Crystal e o bebê, mas ela tinha se mudado, e eu nem sequer tinha ido à casa nova por causa da minha rotina exaustiva de trabalho. Torcendo para que ninguém tivesse jogado minha mochila fora, aproveitei que a porta estava destrancada e saí. Caminhei pelos corredores sendo o mais silenciosa possível, escondendo-me sempre que alguém aparecia. Foi assim que consegui chegar ao meu antigo quarto, na ala dos empregados. Para a minha surpresa, ninguém havia ocupado o quarto ainda. Tudo estava exatamente como eu havia deixado, inclusive a minha mochila. Pensei em abri-la ali mesmo, mas o medo de ser pega foi maior. Então, apenas a peguei e saí dali rapidamente. Não que fosse acontecer alguma coisa comigo se encontrasse alguém. Afinal, não estava tentando fugir nem nada parecido. A verdade é que eu não queria encarar as pessoas com quem trabalhei. Depois que Valentina me viu no quarto do Roco, todos já devem saber que estou aqui e provavelmente estão pensando as piores coisas a meu respeito. Só quando voltei ao meu cativeiro conferi o conteúdo da mochila. Havia dois vestidos simples e desbotados de tanto uso, três calcinhas, um sutiã, um par de sapatilhas e algumas fotos minhas com meus pais, minhas lembranças mais preciosas do tempo em que éramos uma família de verdade. Estava observando as fotos com os olhos cheios de lágrimas quando Roco entrou no quarto. Roco — O que são essas coisas? Perguntou, aproximando-se. Limpei o rosto com o antebraço e comecei a guardar tudo rapidamente. Bianca — Nada. Algumas roupas que ficaram para trás quando fui embora. As mãos grandes dele seguraram as minhas, fazendo-me parar imediatamente. Roco — E você está chorando por causa de algumas peças de roupa? Bianca — Não é da sua conta. Respondi na defensiva. Detestava demonstrar minha fragilidade para as pessoas, principalmente para ele. Roco me observou por alguns instantes, como se estivesse me analisando. Então, pegando-me completamente de surpresa, ergueu uma das mãos e enxugou uma lágrima que insistia em escorrer pelo meu rosto. Roco — Não gosto de te ver chorando. Dá vontade de matar o filho da p**a que te deixou triste. Bianca — Então vai ter que se matar, já que você é o único responsável por eu estar assim. Arrependi-me no mesmo instante em que as palavras saíram da minha boca. Sabia o quanto os Esposito haviam sofrido quando pensaram que o senhor Ricardo, irmão gêmeo de Romeo, tinha tirado a própria vida. Na verdade, ele havia sido assassinado pela própria noiva, que armara tudo para que a família acreditasse em um suicídio. Foi uma perda que marcou profundamente os Esposito. Bianca — Desculpe... Não quis dizer isso. E também não é culpa sua eu estar chorando. Eu só... estava vendo algumas fotos da minha infância, quando os meus pais ainda me amavam. Roco permaneceu em silêncio por alguns segundos. Apenas se afastou o suficiente para que eu pudesse respirar sem ser envolvida por seu perfume. Roco — Ainda não me respondeu onde encontrou essas coisas. Voltou a perguntar. Bianca — É só uma mochila que ficou para trás quando me mudei. Roco — E como conseguiu pegá-la? Bianca — Aproveitei que a equipe do estilista tinha deixado a porta aberta e fui até o meu antigo quarto buscá-la. Roco — Engraçado... não me lembro de ter dito que você podia sair daqui. Bianca — E eu não me lembro de você ser o meu dono. Já aceitei me casar com você, não é como se eu fosse fugir. Respondi com raiva. Roco — Nem poderia. É impossível fugir desta casa. Bianca — É... eu sei. Roco — Mas ainda não quero te ver circulando pela mansão. Bianca — Por quê? Por acaso não quer que todos saibam que sequestrou uma empregada que não tem onde cair morta? Está com vergonha? Roco — Vergonha... Ele fez uma pausa e soltou uma risada sem humor. Roco — Acha que eu estaria planejando me casar com você se tivesse vergonha? Eu só me lembro muito bem da forma desejosa como os soldados te olhavam sempre que você passava por eles. E não quero ninguém cobiçando a minha mulher. Revirei os olhos. Aquela era a conversa mais absurda que já tinha ouvido. Ninguém prestava atenção em mim. Eu teria percebido se alguém estivesse me olhando. Roco — Você só sai deste quarto comigo. E, a propósito, aproveite que encontrou essa mochila e vista alguma coisa. Vamos ao shopping comprar roupas de verdade para você. Bianca — Ao... shopping? Roco — Sim. Algum problema? Bianca — Eu nunca fui a um shopping. Aquele não é um lugar para alguém como eu. Roco — O seu lugar é ao meu lado, não importa onde seja. Além disso, para tudo existe uma primeira vez. Assenti, sabendo que não adiantava discordar dele. Uma vez li em algum lugar que não adiantava contrariar os loucos. E Roco, com certeza, estava incluído nessa categoria. Escolhi um dos vestidos, peguei as peças íntimas e fui para o banheiro me trocar. Quando voltei já vestida, senti que era eu mesma outra vez. A garota invisível com quem ninguém se importava... ou pelo menos era isso que eu pensava, até Roco me sequestrar e provar que me enxergava havia muito tempo. Só eu não tinha percebido. Roco não comentou nada sobre as minhas roupas simples. Apenas levantou a mão e desfez o coque do meu cabelo, fazendo os fios negros caírem livremente pelas minhas costas. Roco — Gosto do seu cabelo assim, solto. Falou e me fez sentar no sofá. Confusa, observei quando ele pegou as sapatilhas, que com certeza já tinham visto dias melhores, e as calçou em meus pés. Roco — Prontinho... agora podemos ir.
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