Eu tinha acabado de buscar Oliver na escola, ele está cada dia maior e mais parecido com o pai. Só Deus e eu sabemos o quanto eu gostaria que Adam estivesse vivo, mesmo se estivéssemos separados, apenas para não ver meu filho sofrer dessa forma.
— Mãe, na outra semana eles vão levar coisas sobre os pais, tipo emprego, eu digo que o papai fazia o que mesmo? – ele perguntou.
Às vezes acho que erramos a contagem em alguns anos e Oliver já é uma adolescente. As vezes ele me surpreende com essas perguntas bem elaboradas e diretas.
— O papai trabalhava com finanças, querido. –foi o melhor que pude pensar no momento. – ele faleceu de acidente no início do ano passado. Você pode dizer aos seus coleguinhas que o papai trabalhava com dinheiro. Isso é legal, não é? –Eu perguntei quando entramos dentro de casa.
-Olá.
Quase gritei de susto quando ouvi uma voz e vi três homens sentados na minha sala.
— Oliver, vá se trocar. –eu o empurrei na direção das escadas e ele foi, mesmo olhando para trás, curioso. Eu sei quem são essas pessoas e agora começo a me perguntar eu não ouvi Adam naquela carta e apenas voltei para o Brasil.
— Quem são vocês? – eu questionei.
Um deles veio até mim e estendeu a mão. Eu não peguei, óbvio, mas o i****a me forçou a isso, apertando meus dedos naquela mão asquerosa.
— Trabalhamos uns anos com seu ex marido. Estamos aqui porque precisamos de você. –Ele simplesmente disse e me empurrou para sentar no sofá. –Só precisamos que você comece a trabalhar como médica na clínica da Outfit, na próxima semana, um casal vai até lá e eu preciso que apenas entregue essa medicação.
O homem tirou o frasco de remédios do bolso e me entregou.
— E se eu não quiser? O que é isso? –eu perguntei nervosa. –Não vou fazer nada, saiam da minha casa.
O mesmo homem abaixou na minha frente e deu um sorriso odioso para mim.
— Olha só, seu marido deixou muitas dívidas, estamos apenas cobrando com um favor, aliás, se não fizer, seu filho também pode ter o mesmo destino do pai. –Senti meus ossos congelares no lugar.
Eu não podia deixar meu filho sofrer nenhuma consequência das ações de Adam, se alguém tinha que pagar, este alguém seria eu.
— Nós diremos tudo o que você precisa fazer, apenas vai começar a atender normal e quando esse casal chegar, você vai entregar. Seja esperta, se alguém descobrir sobre isso, você e seu filho somem. Entendeu?
Apenas balancei a cabeça mas não foi o suficiente, porque o i****a segurou em meu queixo e me forçou a falar.
-Perguntei se entendeu.
— Entendi. Agora vá embora.
Ele sorriu e me olhou de cima abaixo, mordeu o lábio inferior e eu quase vomitei de nojo, mas por sorte os três foram embora.
Eu não quis chorar ali, mas foi impossível, eu não conseguia entender o motivo de Adam se envolver naquilo, qual era o sentido de viver uma vida daquela.
Passei a semana inteira indo a essa clínica, alguém de poder, segundo os idiotas que foram em minha casa disseram, me colocou naquele lugar, por enquanto eu apenas exercia o que aprendi na faculdade, mesmo que ainda nem tivesse pegado o diploma.
Enquanto eu aguardo meu diploma sair, vou sobrevivendo com o dinheiro que Adam deixou, uso apenas o necessário para pagar a escola de Oliver e vivermos naquele lugar.
— Eles são amigos do papai, mãe? –Oliver perguntou enquanto voltávamos para casa.
Eles me vigiavam o dia inteiro, na clínica ou em casa, ficavam na frente da minha casa vigiando meu filho, sabiam de todos os nossos passos e isso estava me deixando cada dia mais ansiosa, o dia de fazer esse serviço já é amanhã e eu nem sei ainda se vou conseguir.
-Não, filho. Apenas conheciam o seu pai. – eu respondi.
— E por que eles estão todo dia do outro lado da rua? – tive que olhar para Oliver, meu filho percebeu que tem algo de errado e eu estou começando a odiar o pai dele por deixar uma bomba dessa em nossas mãos.
-Apenas estão olhando a casa, filho. Talvez nós vamos morar no Brasil em breve. Prometo. –Eu respondi.
Cheguei na porta de casa e eles estavam lá, entrei rapidamente com Oliver e liguei para a babá dele que ficava sempre que eu não estivesse em casa.
Avisei a ela sobre o horário e passei o resto do dia brincando com Oliver, não queria que nada desse errado, mas se acontecesse, gostaria de pelo menos passar um último momento feliz com meu filho.
Não consigo imaginar Oliver ficando órfão de pai e mãe, mas eu não ia arriscar a vida dele em nada. Prefiro arriscar a minha do que ver meu filho “sumir”.
Na noite que antecedeu o dia de agir, peguei novamente a carta que Adam deixou e fiquei apenas relendo aquelas palavras pela milésima vez.
— Adam... por que fez isso, nos colocar nessa situação, seu i****a? –perguntei chorando.
— mamãe? –Oliver estava na porta segurando seu brinquedo, ele já estava pronto para dormir, mas estava me olhando com os olhinhos preocupados. –A senhora está bem?
— Sim, filho, ainda não foi dormir? – eu fui até ele e o abracei forte. – a mamãe te ama, Oliver. –Comecei a chorar e ele passou os bracinhos ao redor do meu pescoço.
-Eu te amo, mamãe, por que está chorando, também está com saudades do papai? – ele perguntou inocente e deitou na cama comigo.
— Sim, filho, a mamãe também está com saudades, vem, vamos dormir abraçado comigo hoje.
Foi a minha forma de não deixar meu filho preocupado, não quero que ele cresça sabendo dessa parte da nossa vida, Oliver ainda é uma criança tão inocente e as vezes curioso, não posso deixar meu filho tocar nessa sujeira e perder sua infância.
Eu farei o que for preciso para que ele esteja em segurança, mesmo que isso seja contra aquilo que eu acredito. Oliver é mais importante que qualquer coisa na minha vida.