Capítulo 62 MILENA NARRANDO Eu tava trancada no quarto há horas. Desde que aquele desgraçadö me arrastou pra cá feito uma boneca de pano, sem direito de escolha, sem explicação, sem respeito. Sentei na beirada da cama, braços cruzados, pernas balançando, e uma vontade absurda de gritar até arrancar essa angústia do peito. Mas não gritei. Não chorei. Não dei esse gosto pra ele. A casa era grande, moderna até… mas eu só enxergava grades invisíveis em volta de mim. Isso era uma cela. E eu? Um projeto de prisioneira com barriga marcada pra servir. Ouvi passos pesados do lado de fora. Reconheceria esse pisar arrogante em qualquer lugar. Fera. A porta se abriu com força, sem nem bater. Ele entrou como se fosse dono de tudo — e era. Da casa. Do morro. Da porrä da minha vida agora. Fiquei

