Capítulo 98 GILBERTO NARRANDO Cheguei em casa pingando, com a chuva escorrendo por dentro da roupa como se quisesse me purificar de alguma coisa que eu mesmo não conseguia nomear. Joguei o chinelo no canto e fui direto pro banheiro, sentindo a garganta travada, o peito apertado, e a cabeça... uma bagunça que só. Entrei debaixo do chuveiro com pressa, como se a água quente pudesse arrancar o que estava grudado na minha pele. Mas não era a água que ia me livrar disso. Era a imagem. Aquela porrä daquela imagem. A Luara molhada, grudada em mim, a camiseta branca marcando cada detalhe do peito dela... o jeito que ela tremia, a boca entreaberta, os olhos me encarando como se quisesse que eu tomasse alguma atitude. Como se ela soubesse o poder que tava tendo no momento. — Caralhö, Gilberto..

