Capítulo 14

959 Palavras

Capítulo 14 MILENA NARRANDO A proposta dele não saiu da minha cabeça. Eu tentei expulsar, juro que tentei. Mas era como se cada vez que eu fechava os olhos a voz dele voltasse inteira, cortante, repetindo a malditä frase: “Se teu pai morrer, a culpa é tua.” Passei a madrugada virando de um lado pro outro. Quando conseguia pegar no sono, acordava com o coração disparado, lembrando da cara séria dele, do olhar que não desviava. No fundo, eu sabia que aquilo era uma loucura sem tamanho. Quem em sã consciência aceitava parir um filho de um homem como ele? Um homem que todo mundo no morro chamava de Fera. Mas o rosto do meu pai voltava, cansado, suado, cada vez mais fraco. A culpa pesava como pedra no peitö. Amanheceu e eu fui direto pro postinho. Entrei correndo, rezando pra encontrar meu

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