Melyssa Garcez
Estou literalmente colada ao corpo de Tyler, com as suas mãos segurando o meu braço e a minha cintura e eu aperto firme o seu terno. A minha respiração está tão forte que me faz respirar pela boca e na inspiração, sinto o seu perfume por completo que faz o meu corpo tensionar. É uma cena tão forte. Parece em câmara lenta.
Tyler, olha bem nos meus olhos, sem desviar ou piscar e confesso que me sinto paralisada aqui. O seu aperto na minha cintura é forte, me fazendo arfar involuntariamente e parece que o mundo literalmente parou agora. Não consigo pensar, não consigo falar e muito menos ter a noção do que há ao redor e somente quando ouço passos de saltos no chão, é que eu decido me mexer e ele faz o mesmo, porém, ele ainda não me solta.
— Oi, Tyler..., me desculpe! — Digo tentando me afastar, mas ele continua com a sua mão na minha cintura, me deixando bem perto dele. — E-eu não tinha te visto... não prestei atenção. A minha cabeça está longe ...
— É verdade que vai embora para fazer faculdade? — É primeira coisa que ele fala e isso me deixa desconcertada.
— Oh, ah..., é sim! — Respondo abaixando a cabeça, tento de imediato a visão das folhas dele espalhadas perto dos seus pés. — Desculpe, caiu tudo e fiz uma bagunça. — Me ajoelho na sua frente e começo a recolher as folhas.
— Porrä ... — Tyler resmunga parecendo tenso e o vejo dar um passo para trás. — Deixa que eu pego! — Dito isso, ele se abaixa e começa a recolher também. — O que veio fazer aqui?
— Vim com a minha mãe. Ela veio deixar um documento para o meu pai. — Respondo já com várias folhas nas mãos. — Aqui está e me desculpe outra vez.
— Não tem problema... — Nos levantamos e tento mostrar um sorriso leve como desculpas. — Está ocupada? — Fico confusa com a pergunta.
— Não! Eu estou indo atrás da minha mãe... — Respondo olhando para os lados, mas nenhum sinal dela ainda.
Por que tanta demora? Não era só entregar um documento?
— Quer conhecer a minha sala? É aqui perto! — Fico mais que surpresa pelo convite, mas sorrio em resposta. — Ela é nova...
Tyler inclina a cabeça mostrando a direção e o acompanho indo para o outro lado do salão. Tyler, abre a porta me dando passagem e entro olhando tudo ao redor. É bem amplo, tem uma mesa enorme com diversos materiais de escritório, computador, sofá, um janelão enorme que me faz ir para ver a vista da cidade e é de tirar o fôlego. Posso sentir o cheiro do perfume dele em cada direção e fico curiosa com a decoração, mas a minha atenção é tomada, quando ele fecha a porta.
— O que achou? — Ele pergunta bem atrás de mim.
— Oh..., é..., a sua sala é linda e..., a vista também é perfeita! — Falo meio sem graça enquanto ele me olha. — Parece que que estava bem ocupado. — Digo apontando para a mesa. — Muito trabalho?
— Projeto novo. Não é querendo ser arrogante, mas eu sou bom no que faço. — Ele fala me observando e vejo o seu olhar descer sobre mim. — Está usando vermelho... igual a outra vez.
— Eu gosto. É a minha cor preferida! — Respondo olhando para o vestido e esse é um dos meus preferidos. — Bom, é uma das cores.
— Combina muito com você, Mel... — É a primeira vez que ele me chama de Mel e nem tenho muito tempo para processar, porque ele diz isso vindo para perto. — Desconfiei que gostasse.
— Obrigada! É..., eu acho melhor e-eu..., eu ir... — Digo sentindo o meu rosto arder forte e dou alguns passos para sair. — Tchau, Tyler... — Falo ao seu lado, mas o meu braço é segurado levemente por ele.
— Por que não faz faculdade aqui? — Fico surpresa e confusa com a pergunta. — Tem tantas opções grandes por perto... por que uma tão longe?
Em nenhum momento ele me parabenizou pela bolsa, nem agora e nem no grupo da família e a forma como ele fala nisso, se parece tenso. Não sei explicar. Ele está sério, sem muita expressão e não consigo de forma alguma decifrá-lo. É como se ele não tivesse gostado da notícia, eu não sei. Pode ser algo da minha cabeça, mas contente ele não está. Isso é fato!
— Eu ganhei uma bolsa completa em Oxford e não posso perder essa oportunidade! — Respondo o olhando. — Você perderia? — A pergunta sai sem eu perceber.
— Depende do que me fizesse ficar... — A forma como ele está falando comigo e me olhando, me deixa completamente intrigada e muito envergonhada. — Eu faço por aqui mesmo.
Aqui ao lado dele e com a sua mão no meu braço, Tyler fica bem na minha frente e a sua mão sobe suavemente. Quando eu percebo, ele toca o meu rosto, fazendo um carinho leve e, outra vez a minha respiração fica mais forte. Engulo em seco o nervoso que domina o meu corpo e para completar, fico arrepiada, como se vários choques percorresse o meu corpo.
O que me faz se mover, é sentir o meu celular vibrar na bolsa e na mesma hora, abaixo a cabeça para o pegar.
É a minha mãe!
— É..., e-eu preciso ir! Tchau, Tyler. — Falo passando por ele rapidamente e passo pela porta a fechando.
O que estava acontecendo ali? O que ele pretendia?
Desde aquele jantar eu não consigo entender o jeito que ele me olha e muito menos o jeito que ele fala comigo. É tão diferente! Eu ando em passos largos para sair, mas eu olho para trás pensando em vê-lo, mas não ocorre.
Eu não deveria ter entrado ali.