Carlos chegou à casa do pai, os seus irmãos já estavam sentados à mesa com o pai.
— Boa tarde, papai. Como foi seu dia? Cumprimentou-o calmamente.
— Sente-se filho querido. Estamos esperando por você. Pronunciou o pai, e Carlos sentou-se. Todos começaram a comer. Até que, no meio do jantar, Cristhofer parou.
— Pai, tenho algo a te dizer. Ele pronunciou, e a sua irmã tocou-lhe o braço e fez um sinal com a boca para que fizesse silêncio.
— Pai, há algo que você precisa saber. Carlos recuou ao ouvir isso.
— Carlos não é seu filho. Ele exclamou e o pai começou a tossir.
— Que di*abos você está dizendo, Cris? Exclamou o senhor batendo na mesa.
— Antes de morrer, mamãe me confessou: Carlos não é seu filho. Ela te traiu com o motorista. Ele pronunciou e o senhor limpou as mãos calmamente.
— Sinto muito, papai. Disse Carlos. — Amanhã vou embora, entregarei as suas ações... Você me criou e sempre será um pai para mim. Para o que precisar de mim, estarei lá. Acrescentou Carlos, que ia se levantar, e o senhor colocou a mão no ombro dele, fazendo-o sentar.
— Você não vai sair desta casa. Esta casa é a sua herança, será sua quando eu morrer, e as ações que lhe dei também.
— Mas ele não leva o teu sangue, pai. Exclamou Cris em reprovação.
— E você acha que eu não sabia disso? Desde que nasceu. É mais, desde que a sua mãe anunciou a gravidez, eu imaginei isso. Sua mãe tinha se distanciado bastante de mim. Para mim estava bom, eu andava com mil amantes, nem estávamos juntos e para ela parecia já não importar, tinha parado de reclamar e de ficar o tempo todo me espiando. Mas um dia, do nada, ela apareceu no meu quarto, sim, porque cada um tinha o seu próprio quarto, e adivinha, ela se deitou comigo e, 15 dias depois, já estava anunciando a gravidez. Naquela época, Cris era pequeno e Amanda nem pensava em nascer. Eu decidi esperar ele nascer para fazer um teste de DNA, mas ele nasceu abaixo do peso e pequeno, doentio. Fui me apegando a ele e o tempo passou. Conforme ele crescia, ele era muito carinhoso, muito gentil. Quando cheguei da minha viagem de negócios de uma semana, com os resultados do teste de paternidade na mão, Cris correu para me perguntar o que eu tinha trazido e Carlos correu chorando, abraçando as minhas pernas, dizendo que, por favor, eu não fosse mais viajar, que ele sentiu muito a minha falta. Se eu nunca me divorciei da mãe dele, foi só por causa do Carlos. Ele também era meu filho, o filho que eu escolhi criar e não queria que me separasse dele. Até hoje, Carlos nunca me decepcionou. Quando você. Ele apontou para Cris. — Saiu de casa e Amanda me pediu para comprar uma casa para ela, perguntei ao meu filho Carlos se ele queria que eu comprasse uma casa para ele, e então ele respondeu: e quem vai cuidar de você, papai? Você vai ficar sozinho nesta enorme mansão? Não te deixarei sozinho. Você e Amanda vêm quando eu chamo, mas Carlos está sempre aqui me dando os meus remédios, me levando às minhas consultas e me contando as novidades da empresa.
— Temos que aplaudir o Carlos. Disse Cristhofer com sarcasmo.
— O que você fez hoje, Cris, me decepcionou muito. Embora Carlos não seja meu filho biológico, ele é seu irmão e o que você fez hoje foi coisa de uma pessoa má. Disse o pai deles enquanto Carlos permaneceu em silêncio.
— Obrigado, Carlos, por ficar. O senhor colocou a mão no ombro dele. — Digam o que disserem, você sempre será meu filho. Ele colocou a mão no coração e se levantou. — Já tive o suficiente de vocês hoje, melhor ir dormir. Ele acrescentou, indo para o quarto enquanto os três irmãos ficaram sentados à mesa.
— Não sei como você lavou o cérebro do papai Carlos, mas juro pela memória da minha mãe que isso não vai ficar assim. Exclamou Cristhofer.
— Já chega, Cris, você causou isso por querer as ações do Carlos. A irmã cruzou os braços. — Teve que vir correndo contar tudo para o nosso pai.
— Agora o bom é ele. Você não viu como ele se voltou contra mim na reunião e lavou o cérebro do nosso pai a favor dele. E não diz nada, fica mudo ouvindo como se fosse bobo para depois sacar a sua arma letal. Você é uma faca de dois gumes.
— A única arma de dois gumes aqui é você. Fiquei calado todos esses anos. Afirmou Carlos. — Você acha justo o que fez com a Melissa? Você tirou os filhos da avó, ficou noivo da oportunista Aurora enquanto ela estava viva, ficou com a casa dela, com as ações dela, mas o mais baixo e desprezível foi quando me disseram que você mandou desconectá-la dos equipamentos médicos. Você demitiu metade da empresa, reduziu os salários enquanto aumentava a produção, entre outras coisas. Estou farto de ver as suas m*aldades e não fazer nada. Não vou mais permitir que você continue abusando da Melissa!
— Você só tem inveja de mim. Pouco a pouco, lambendo as botas do meu pai, você roubou o carinho dele e agora quer a minha esposa. Exclamou Cristhofer, apontando para ele com raiva.
— Pense o que quiser. Mas juro que todas as que você fizer a partir de agora para Melissa, eu vou te devolver com juros, irmãozinho. Ele pronunciou, afastando-se dali.
— E você vá decidindo de que lado estará. Disse Cris, dirigindo-se à irmã.
— Não, me deixam fora disso. Ela se levantou para ir embora. — Mas Cris, você não está agindo bem, nunca opinei sobre as suas decisões, mas não acho certo o que você está fazendo com nosso irmão.
MELISSA
Preparei o jantar, pois Cris já tinha buscado as crianças na escola. Quando a mesa foi servida por mim, com os alimentos preferidos dos meus filhos e a suas sobremesas preferidas, pois eu tinha me encarregado de conversar um pouco com uma das funcionárias que melhor me entendia sobre os gostos dos meus pequenos, então fui para o quarto deles para que jantassem. Tendo a remota ideia de que ver todas as coisas que eles gostavam os amoleceria nem que fosse um pouco e me daria a mínima oportunidade de estar perto deles.
— Olá, meus filhos. Eu disse com um sorriso enorme. — O jantar está servido, desçam para jantar. Acrescentei, e eles fingiram que não me ouviram. Eles nem sequer me olharam ou fizeram qualquer gesto, mas continuaram assistindo televisão como se eu não existisse.
— Miguel, Mía precisam comer ou vão ficar doentes, eu só quero que meus filhos estejam bem. Tentei falar com eles. — Eu os amei desde o momento em que nasceram, vocês eram a minha razão de viver. Nunca os deixei sozinhos, entrei em coma devido a um terrível acidente de trânsito e é por isso que estive ausente por tanto tempo, mas só quero compartilhar tempo com vocês e que sejam felizes. Disse a eles. No entanto, as minhas palavras para eles eram puro blá blá blá, ignoraram-me completamente, olharam um para o outro, encolheram os ombros e continuaram com o que estavam fazendo. Naquele momento, Cris se aproximou; segundo ouvi, ele tinha ido jantar com o pai e os irmãos.
— As crianças não querem jantar. Expliquei, suspirando desapontada. Acho que não me esforcei o suficiente, ou talvez tenha feito algo errado além de ficar em coma por tanto tempo e perder os primeiros anos de vida dos meus filhos e o carinho deles.
— Já me encheram o saco! Falou Cristhofer em voz alta. — Desçam e jantem logo! E obedeçam à mãe de vocês ou terei que tomar medidas severas com vocês. Ele gritou e as crianças correram para baixo como se a sua palavra fosse lei, ou talvez o tom que ele usou os tivesse assustado, Cristhofer não era muito carinhoso com os pequenos.
— Você não deve gritar com eles. Pronunciei.
— São duas crianças m*alcriados, você não vê. Meli. Ele colocou a mão no meu ombro e olhou nos meus olhos. — Desculpe pela forma como me comportei hoje na reunião. Mas estou há anos no comando da empresa e senti que você estava me rebaixando. Não quero competir com você, só quero que sejamos aliados. E meu irmão, ele é um intrometido, eu mesmo posso te ajudar, não quero que o Carlos fique perto de você. Ele pronunciou em tom suave e sutil.
— Obrigada, mas já aceitei a ajuda do Carlos e, por favor, Cristhofer, em que você pode me ajudar? Ou você quer me afundar ainda mais? Você já me tirou tudo uma vez ou você esqueceu... O seu olhar fixou-se em mim com um certo ar de nostalgia.
— Quero te contar por que fiz isso. Há uma boa razão para isso. Ele disse e cruzei os braços.
— Vou jantar com as crianças. Acrescentei. — Guarde as suas razões para suas amante.
— Já jantei, mas vou acompanhá-los. Ele acrescentou, e eu sabia bem quais eram suas intenções: me ver novamente com cara de estúp*ida, mas não ia dar esse gosto a ele.
Ao chegarmos lá embaixo, para nossa surpresa, as crianças estavam sentadas sem provar nada e a campainha tocou. A funcionária abriu e, sem dar tempo para nada, Aurora esgueirou-se para dentro da casa e foi até onde estávamos. As crianças correram para abraçá-la.
— Mamãe, você voltou para nós. Pronunciou Miguel.
— Não vá mais, por favor. Falou Mía e ambos se abraçaram com carinho. Parecia o reencontro mais terno da história, o único problema é que se tratava dos meus filhos, que estavam ali amando a amante do meu marido. Chamando de mãe a mulher que me tirou tudo, a mulher que teve parte da culpa por eu ter saído desesperada e sofrido aquele acidente. Ela era tão culpada de tudo quanto Cris, porque eu abri as portas da minha casa para ela e a tratava como uma irmã. Não consegui dizer nada, fiquei muda olhando a cena terna.
— Aurora, acho que já tínhamos falado sobre isso. Pronunciou Cristhofer, interrompendo o momento dela.
— Você não é bem-vinda nesta casa. Gritou a minha mãe, levantando-se. — Você não tem vergonha. Você era amiga da minha filha, comia na casa dela e às vezes dormia aqui, ela te dava presentes caros e você roubou o marido e os filhos dela. A mãe de vocês é a Melissa, essa é apenas uma oportunista.
— Ela é minha mãe. Disse Miguel.
— Mãe é quem cria. Afirmou Mia.
— Queremos estar com Aurora...
— Ela é nossa mãe, que esteve conosco quando ficamos doentes...