A ligação do advogado ecoava na mente de Cassie como um trovão distante.
> "Se você sair do país… pode ser presa ao desembarcar."
Ela não dormiu naquela noite.
Sentada no canto do quarto, abraçada aos joelhos, sentia o medo crescer como um monstro adormecido que havia, enfim, acordado.
Mas naquela manhã, com os olhos fundos e o coração em frangalhos, ela tomou uma decisão.
— Eu vou voltar ao Brasil. E vou enfrentar meu pai.
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O plano
Hoseok arregalou os olhos ao ouvir aquilo.
— Você tem certeza? Isso pode te destruir.
Cassie assentiu, com firmeza.
— Fugir já quase me matou uma vez. Eu quero viver de verdade. E pra isso, preciso enfrentar meu passado.
Ele segurou as mãos dela.
— Eu vou com você.
— Não, Hobi. Essa parte… é minha. Mas eu preciso que você esteja aqui quando eu voltar.
— Preciso saber que você ainda vai estar me esperando… além do horizonte.
Hoseok tentou sorrir, mas sua garganta travou.
— Eu nunca vou sair daqui — respondeu. — Você é meu lar agora.
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De volta ao início
Dois dias depois, Cassie desembarcava em São Paulo.
O aeroporto parecia uma lembrança deformada. Como se tudo tivesse ficado congelado no tempo… exceto ela.
A advogada que Namjoon contratara a esperava com uma pasta de documentos e um semblante sério.
— Cassie… seu pai não está só envolvido nesse processo. Ele foi quem reabriu o caso.
Cassie fechou os olhos com força.
— Ele quer me ver destruída.
— Ele quer te controlar de novo — disse a advogada. — Mas você não é mais aquela menina.
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O reencontro
No terceiro dia, Cassie foi convocada ao fórum.
Ao entrar na sala de audiência, o mundo parou por um segundo.
Ali, sentado diante do juiz, estava seu pai.
Envelhecido. Mas ainda com os mesmos olhos frios. A mesma aura que um dia a fez se sentir invisível.
— Cassandra — ele disse com desprezo, como se cuspisse veneno. — Veio pagar pelo que me roubou?
Ela respirou fundo.
— Eu vim recuperar o que você tentou tirar de mim: minha liberdade. Minha dignidade. Minha voz.
O juiz pediu silêncio. A audiência começava.
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A revelação
Durante o depoimento, Cassie chorou, tremeu… mas não cedeu.
Contou sobre os anos de a***o, o medo, a fuga. A ausência de apoio. A injustiça.
E então, a surpresa.
A advogada pediu a leitura de uma carta — escrita por a mãe de Cassie, antes de morrer, e que havia sido localizada recentemente por uma antiga vizinha.
> “Se algo acontecer comigo, peço que cuidem de minha filha. O pai dela não é um homem confiável. Bebe demais. Se Cassie fugir um dia, saibam: ela está apenas tentando sobreviver.”
O tribunal silenciou.
Cassie chorava em silêncio.
Seu pai, pela primeira vez… abaixou a cabeça.
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A decisão
Duas semanas depois, a justiça deu o parecer:
> “Processo arquivado por inconsistência de provas, risco de v******o de direitos humanos e reconhecimento de histórico de a***o. Cassie Hunter está livre.”
Cassie saiu do tribunal com os olhos marejados e um peso milenar arrancado dos ombros.
Ela mandou uma mensagem para Hoseok:
> “Estou voltando. Livre. Por mim. Por nós.”
E naquela noite, ao olhar pela janela do avião, viu o mesmo horizonte que tantas vezes observou quando ainda era uma garota.
Mas agora, ele não era mais um sonho distante.
Era o caminho de volta pra casa.