_An... não a vi antes. _comentei, sentindo minhas cordas vocais voltando a ativa novamente.
_Oh, sim _ela concordou, dando outro sorriso leve _Me mudei para cá quando o avião já havia alçado voo. O clima é horrível lá atrás. E eu não tinha ninguém para bater um bom papo enquanto voava... _ele me cutucou e deu uma piscadela _Mas você estava tão concentrada em seu sono, que não quis atrapalhar...
Assenti, me ajeitando no assento. Havia algo sobre aquela mulher que estava me deixando maluca. Talvez por que ela estivesse sendo amável comigo. Coisa que era muito incomum.
_Você não fala muito não é?
Pisquei. Ela me olhava com curiosidade mais uma vez, e eu soube que ela estava realmente interessada, por mais que eu não soubesse o que dizer. Sibilei sem jeito, me contorcendo mais uma vez.
_É que... _balbuciei _Aconteceu uma... coisa bem r**m. Tudo tem mudado desde então...
_Que pena _ela concordou, e seus olhos profundos pareceram ler meus pensamentos, me fazendo parecer mais fina e transparente que de costume _Deve ter sido algo realmente horrível para abalar dessa forma o coração de uma jovem tão bonita...
Corei. Nunca, ninguém havia dito algo como isso antes. Suspirei, sorrindo de repente para ela.
Era o primeiro sorriso que eu dava em dias.
_Talvez você se sentisse melhor se simplesmente tentasse encarar o lado bom da vida ao invés de se lembrar sempre disso, minha filha. _ela disse, e algo se desfez dentro de mim.
Concordei, mesmo que meus pensamentos respondessem o comentário por mim. O lado bom que eu tinha da vida se foi...
Mais uma sacudida me fez olhar para os lados, e em seguida, a voz masculina num alto falante anunciou que o avião iria pousar, e era hora de por o cinto.
_Essa costuma ser a parte mais chata... _a senhora ao meu lado disse.
Um frio se instalou em minha barriga quando o avião começou a descer, e meus dedos se apertaram com força no encosto do assento. Alguma coisa começou a se comprimir dolorosamente dentro de mim.
_Tudo bem com você? _ela perguntou.
Assenti ofegante. Droga, ela já havia me visto babar. Não precisava me ver vomitar também...
Quando o avião pousou, eu já estava sem ar, e as dobras de meus dedos estavam brancas, doloridas por conta da força que eu havia empregado.
_É... aqui estamos, _ela gargalhou me dando um tapinha no ombro _Foi ou não foi legal? Meneei a cabeça. Eu com certeza não iria querer repetir aquilo tão cedo de novo.