Quando Menos Se Espera, Acontece

613 Palavras
❝ Às vezes, as melhores — e piores — coisas da vida começam assim... Por acaso. Por ironia do destino. Ou, quem sabe... porque estavam destinadas a acontecer. ❞ A verdade é que eu tinha decidido. Eu ia ignorar. Ignorar a existência daquele ser humano. Fingir que ele não fazia parte da minha vida, nem do campus, nem de nada. Simples. Fácil. Certeza que ia dar certo. Spoiler: não deu. ✦ ━━━━━━ ✦ Na manhã seguinte, levantei, dobrei meus joelhos, respirei fundo e fiz minha oração. — Senhor... eu não sei o que o Senhor tá fazendo, mas... seja lá o que for... me ajuda a sobreviver, tá? E se puder... me livra do Caleb. Amém. Me levantei, pronta pra começar o dia. Pronta, pelo menos, no que dizia respeito a roupa, maquiagem e cabelo. Porque emocionalmente... bom, isso a gente finge que tá tudo certo. Saí do dormitório, segui o mapa do campus no celular, olhando pro céu, pro chão, pra qualquer lugar... Menos pra frente. E adivinha quem surgiu exatamente no meu caminho, do nada, como se o universo tivesse programado esse glitch na minha vida? — Olha só... quem diria... a pirralha sabe andar sozinha — disse Caleb, surgindo na minha frente, cruzando os braços, aquele sorriso cínico no rosto. Revirei os olhos, respirei fundo e fingi não ouvir. — Fingindo que não me viu? Sério? — ele provocou, andando ao meu lado como se a gente fosse... sei lá, conhecidos. — Não tô fingindo — respondi, apertando a alça da bolsa no ombro. — Tô praticando um exercício espiritual. — Ah é? — arqueou a sobrancelha. — E qual seria? — Ignorar a presença do maligno. Ele segurou a risada. De verdade. Pela primeira vez, percebi que ele tava rindo de verdade. — Uau... você é melhor do que eu imaginei. — Obrigada, eu sei. — Mas... só pra constar... você não é nada boa em ignorar. — Ele olhou de canto. — Tá vermelha até a raiz do cabelo. — Isso se chama raiva, Caleb. Raiva. — É... — ele deu de ombros, aquele sorriso ainda preso no rosto. — Sei. ✦ ━━━━━━ ✦ O problema... O problema é que... No meio daquele bate-boca disfarçado de guerra santa... Tinha algo. Algo no jeito como ele mordia o lábio pra não rir. Algo no jeito como ele fingia ser só arrogante... mas o olhar traía. Porque, às vezes... só às vezes... eu via. O olhar dele ficava menos afiado. Menos sarcástico. E, por uns segundos, parecia... Parecia vazio. Parecia pedir socorro. ✦ ━━━━━━ ✦ — Olha... — ele respirou fundo, passando a mão na nuca. — Eu sei que você me odeia, e, pra ser sincero, você também não é minha pessoa favorita nesse campus... — Nossa. Juro que tô devastada com essa informação — falei, cruzando os braços. Ele ignorou. — Mas... a gente vai se cruzar muito. Muito mais do que você imagina. E, querendo ou não... a gente vai ter que conviver. Ficamos em silêncio. Se encarando. Se desafiando. Se medindo. — Então... — ele estendeu a mão, meio relutante. — Trégua? Pisquei, surpresa. Trégua? O Caleb oferecendo uma trégua? Olhei pra mão dele. Olhei pra ele. E, contra qualquer lógica... qualquer instinto... qualquer parte racional do meu cérebro... Apertei. — Trégua — respondi. O aperto foi firme. Forte. Talvez... forte demais pra ser só uma trégua. Ele sorriu. Aquele sorriso meio torto, meio irônico, meio... perigoso. — Mas só até você pisar no meu calo, Campbell. — O mesmo vale pra você, Wood. E, naquele exato momento... Sem que nem eu nem ele soubéssemos... O destino sorriu. Porque, às vezes... Quando menos se espera... Acontece.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR