MIGUEL - Dignidade

1208 Palavras

Desanimado após a conversa com meu chefe, subi vagarosamente a pequena escada da entrada do meu prédio. Parecia que eu estava carregando uma bigorna de uma tonelada em minhas costas. Estava decepcionado com o Ricardo, mas também estava decepcionado comigo, por me submeter a essa situação. Encontrei Magda na porta, fumando. Achei que ela tentaria disfarçar e jogar o cigarro, mas ela continuou fumando calmamente. “É”, pensei, “ninguém me respeita mesmo”. - Tudo bem, Miguelito? Que cara de velório é essa? - Acho que a palavra “velório” é mesmo adequada ao meu estado de espírito. - Quem morreu? - Minha dignidade. - E desde quando p***e pode se dar ao luxo de ter dignidade? Obriguei-me a rir. Aquilo era muito triste, mas qualquer ironia dita pela Magda parecia uma piada, mesmo que foss

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