O Bilhete

1518 Palavras
- Ela não disse do que se tratava? - Ceci pergunta segurando o envelope nas mãos. - Não, ela só pediu que eu o entregasse á você. - Diz Lorenzo sem contar sobre o aviso que Kate deu. Cecília relutou alguns dias para ler o bilhete, ela tinha um certo medo de descobrir o que Kate pensava à seu respeito: "- Então é isso, agora ele é seu! Jake e eu fomos feitos um para o outro, mas ele ainda não descobriu isso. Não vou interferir na relação de vocês, só peço que cuide dele pra mim e o faça feliz enquanto isso durar." Kate A. Johnson Kate não era o tipo de mulher que implora o amor de um homem, fazia a linha emponderada " Eu sou mais eu". No fundo Ceci queria ser como ela. - Tenho que falar com Jake. Pensa Cecília em voz alta. Cecília decide ligar para Lorenzo: - Lorenzo, você faz idéia de onde Jake está hospedado? Ela faz a pergunta um tanto envergonhada. - Sim querida, ele está no mesmo hotel de Dylan, no Mercure. Cecília desliga o telefone, respira fundo e pega sua bolsa e as chaves do carro. Ceci e Carolina dividiam um Jeep Grand Cherokee de 1993, que o avô de Carolina deu ao seu pai e esse a presenteou quando ela completou dezoito anos seguindo uma tradição que ele mesmo inventou. Cecília lembra nitidamente da cara de descontentamento da amiga quando viu que o carro não era um conversível hollywoodiano vermelho como ela queria. O Jeep era preto e a única coisa vermelha que tinha era uma listra na lateral. - Uma lata velha. Repetia Carolina toda vez que entrava no carro. Cecília fez dois chaveiros, um para cada uma delas escrito Karma, que era o nome escolhido para o carro. Já dirigindo o karma pelas ruas, Cecília pensava no que dizer para Jake e ao mesmo tempo se perguntava como foi que havia se apaixonado de tal forma por uma pessoa, que de certa maneira m*l conhecia. Quanto mais se aproximava do hotel mais Cecília tinha vontade de desistir, porém, ela precisava daquela conversa. Na recepção a informaram que Jake Willis estava no décimo quinto andar, quarto 1200 e ela segue para seu objetivo. Tocou a campainha do quarto e Jake logo surge em pé na porta, com os cabelos úmido e um cheiro de banho tomado, ele imediatamente sorri em surpresa: - Cecília, o que faz por aqui? - Eu vim, eh, precisamos conversar Jake. Cecília não encontra as palavras que tanto havia ensaiado no caminho para dizer. Jake a pega pela mão e a puxar para perto de seu corpo num abraço saudoso e desesperado. - O que você veio me dizer Ceci? Pergunta Jake com a respiração ofegante e Cecília se desvencilha de seus braços e diz: - Me perdoe por não ter te dando a chance de explicar o que aconteceu em Marbella. Eu não deveria ter saído daquele jeito, mas eu, eu não suportei. Cecília está andando de um lado para o outro enquanto explica. - As coisas saíram de controle, não foi culpa sua e sim minha. Mas isso pouco importa agora, o que está feito, está feito e seria mais que justo que nem Kate e nem você quisessem saber de mim. Jake já se encontra sentando em um dos braços do pequeno sofá que há no quarto e Kate vem em sua memória, ela estava tão desolada. - Você está arrependido? Digo, de ter ficado comigo? Cecília está confusa com as palavras de Jake. - Não, nem um pouco. Eu só deveria ter sido mais cuidadoso com relação os sentimentos de Kate e os seus. Até agora não entendo porque Dylan ligou a convidando para Marbella. Jake relembra o fato e Cecília tenta tirar o foco do assunto, ela não quer mais um problema com relação a Jake, Dylan e Lorenzo. - Bom, e o que faremos agora? Pergunta ela com uma certa doçura. - Que tal se ficássemos aqui para sempre? Brinca Jake e Cecília ruboriza. Jake fica parado por um momento tentando decifrar os pensamentos de Cecília, ela parece não estar ali por alguns minutos. Ceci tinha essa mania e as pessoas precisavam bater palma ou estalar os dedos para trazê la de volta. Ela explicava que fazia isso para verificar algo no passado ou tentava enxergar alguma coisa no futuro, era algo que Jake não sabia e só esperou que ela reagisse. - Eu não sei o que vai acontecer conosco a partir de agora Jake, só o que sei é que quero sentir isso que estou sentindo nesse momento para sempre. Diz ela voltando a si. Jake dá um meio sorriso, se levanta e já a tem em frente à si. Ele acaricia seu rosto e a olha profundamente nos olhos e sussura: - Isso também é tudo que eu mais quero Cecília. Os dois se abraçam forte e intensamente se beijam, era como se fosse apenas os dois no mundo inteiro, naquele momento começam a escrever a sua história juntos e aquele era apenas o primeiro capítulo. - Jake não sei quase nada sobre você. Cecília quer ter todas as respostas para as perguntas que Lorenzo com certeza, irá fazer. - O que você quer saber sobre mim? Pergunta Jake num tom amoroso. - Como são seus pais, se você tem irmãos, como foi sua vida até agora, esse tipo de coisa. Explica Ceci. Jake se ajeita na cama, ele tem Cecília encostada em seu peito e começa a lhe contar: - Tenho os melhores pais do mundo, eles se casaram quando termiram o colegial e seguem juntos até hoje. Eu sou o filho do meio, o meu irmão mais velho chama se Benjamin e ele é engenheiro civil, e minha irmã caçula Alice ainda está no ensino médio. Acredito que ela queira ser advogada, bom pelo menos da última vez que a vi foi o que ela me disse. Como eu te disse uma vez, moramos aqui em Madri por alguns anos e voltamos para NY onde terminei os meus estudos. - Quando você se deu conta de que queria ser ator? Pergunta Cecília com curiosidade. - Na verdade eu gostava de participar das peças teatrais do colégio, e uma vez o pai de um colega sugeriu a minha mãe que me levasse para fazer uma audição. Terminou que eu passei, eu tinha quinze anos e dali em diante não parei mais. Explica Jake com certo orgulho. - Que legal! Exclama Cecília imaginando toda experiência que Jake carregava. - Agora é sua vez. Diga me Cecília, quem é você? Pergunta Jake simulando ter um microfone nas mãos. - Bom, eu nasci em São Paulo, minha mãe me criou sozinha e eu nem sequer cheguei a conhecer meu pai. No entanto, sei que ele se chama Joaquim Alonso, porque consta na minha certidão de nascimento. Minha mãe se chama Tereza Santos, é uma artista plástica que deixou o Brasil para trabalhar aqui na Espanha. Eu passei toda minha infância e começo da adolescência em Granada com ela e aos dezessete anos após terminar o colegial decidi me mudar para Madri. Conheci Carolina que logo sugeriu compartilhassemos um apartamento. Entramos juntas para universidade, eu cursava literatura e ela medicina, até que um dia em plena Cava Baja conheci Lorenzo que mudou minha vida para sempre. Relembra Ceci com carinho. - E você vai com frequência ao Brasil? Jake demonstra interesse. - Eu ia mais na infância, minha última ida ao Brasil foi quando eu tinha treze anos. Era aniversário da vovó e eu estava de férias. Explica Ceci. Os dois passaram a tarde inteira contando suas aventuras pela vida, de repente o mundo parecia tão pequeno para eles, tinham tantas coisas para ainda serem vividas. Naquele momento o amor se fazia tão real, quase palpável. Às vezes Cecília sentia um pouco de medo, pois nunca tinha sentido tanta intensidade, nunca tinha sentido tanta pressa em ser feliz. - Eu te amo Ceci. Dizia Jake toda vez que a beijava ou que simplesmente se encontrava ali parado admirando o seu rosto corado decorado com seus olhos brilhantes. Cecília era como um veleiro no meio do mar, ela ia para onde o vento a levava, mas Jake não sabia disso. A neve cobria Madri, a cidade estava numa imensa brancura e as pessoas lotavam os cafés do centro. Cecília observa da pequena sacada o movimento da rua e dos apartamentos em frente ao seu como de costume, Leopoldo que era o gato da vizinha, pulava de uma varanda para outra até alcançar Cecília para ver o que ela bebia em sua xícara. - Gatos não bebem café Leopoldo! Adverte ela como se o gato fosse uma criança. Cecília notou Lorenzo atravessar a rua em direção ao seu prédio e foi em direção à porta para espera lo na sala. Ele m*l toca a campainha e ela já o atende: - Bom dia Lore, alguma novidade? Ela pergunta. - Está pronta para ir a Barcelona? Diz Lorenzo num tom enigmático e Cecília dá um sorriso totalmente surpresa.
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