Samanta O silêncio do interior tem um peso diferente. Não é o mesmo som abafado do morro, cheio de vozes, rádios e motos subindo as ladeiras. Aqui, o vento é leve, mas parece carregar lembranças — e o nome dele sussurrando junto. Erik. Faz semanas desde que saí de casa, e ainda me pergunto se aquilo tudo era mesmo necessário. Minha mãe diz que sim, que aqui estou segura, que longe dele vou “voltar a ser eu mesma”. Mas ela não entende que eu nunca me senti tão viva quanto quando ele estava por perto. A casa da tia é simples, cercada por árvores e um riozinho que corta o fundo do quintal. À noite, o som da água me acalma — e, ao mesmo tempo, me destrói. Porque cada barulho parece o eco de uma lembrança dele. O jeito que me olhou. A forma como disse meu nome. O toque quente das m

