SILÊNCIO E A ESPERA

1414 Palavras

Erik A dor é o que me mantém acordado. Cada movimento faz o ferimento arder como fogo. A bala pegou de raspão, mas o suficiente pra me fazer sangrar por dentro — não só no corpo, mas na alma. Faz três dias desde o confronto, e eu não vi o sol desde então. O esconderijo é um barraco abandonado na parte mais alta do morro vizinho, onde ninguém ousa subir. Só Vinícius sabe onde eu tô. E ele vem quando pode, trazendo comida, remédio e silêncio. Ele entrou ontem, com o rosto tenso, e disse: — A polícia ainda tá rondando. Todo mundo acha que você morreu. Eu ri, um riso seco, cansado. — Às vezes é melhor assim. — E ela? — perguntou, com um olhar de quem sabia a resposta. Fiquei quieto. Porque falar o nome dela já doía mais do que o ferimento. Samanta. Meu raio de luz no meio da es

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