LARA Enquanto eu secava os cabelos com a toalha gentilmente oferecida por Marta, a vizinha que, até aquele momento, eu pouco conhecia, meu coração oscilava entre a gratidão por sua ajuda e a tristeza pelos acontecimentos recentes. A chuva persistia lá fora, mas a calma do ambiente interno contrastava com a tempestade que vivia dentro de mim. — Marta, obrigada por tudo. — Agradeci, mas minhas palavras carregavam um peso que ia além da expressão verbal. Ela sorriu, tentando transmitir conforto. — Não há de quê, Lara. Às vezes, precisamos uns dos outros. A compaixão em seus olhos era palpável, mas a realidade se impôs quando a chuva começou a ceder. Marta olhou pela janela e teve uma expressão de compreensão. — Espere aqui, vou pegar suas coisas lá fora. A chuva diminuiu, agora podemos

