LARA Com o coração acelerado, entrei no carro de Henrique e ajeitei Enzo no banco traseiro, prendendo-o com o cinto de segurança. Sabia que não era o ideal, sem uma cadeirinha adequada, mas era o que tinha para nos mantermos seguros naquele momento de fuga. Coloquei minhas poucas coisas no banco do passageiro e me sentei ao volante. Ao dar a partida, senti um nó na garganta, mas respirei fundo e dirigi em direção à rodoviária. Pelo retrovisor, vi Marta acenando para nós. Suas palavras de incentivo ecoavam em minha mente, mas lágrimas teimavam em escorrer pelo meu rosto. Com a voz embargada, eu dizia para mim mesma: — Você consegue, Lara. Precisa sair desse lugar. Enquanto dirigia pelas ruas conhecidas da cidade, sentia o peso da decisão pesando em meus ombros. O som do motor e o vento

