Ana Júlia Alencar ❦. Caminhei apressada até o laboratório, as lembranças do dia ainda fervendo em minha mente, como se cada cena estivesse marcada a fogo. Não era apenas o cansaço físico – era o peso de cada palavra, de cada olhar de confronto, que parecia consumir o ar ao meu redor. As paredes frias do corredor aumentavam o silêncio, mas dentro de mim a tempestade não cessava. Por mais que tentasse afastar a imagem dele, as palavras de Rubens ecoavam como uma ameaça que eu não sabia ao certo se temia ou desejava. Havia algo nele que me atraía e, ao mesmo tempo, me fazia querer fugir, e era exatamente essa contradição que me deixava mais irritada. No instante em que alcancei o laboratório, fechei a porta atrás de mim e me encostei contra a parede, deixando escapar um suspiro profundo. S

