**SEDE DA CIA. **
POVS ANNABELLE BIEBER

Código de segurança 067.
Alguns passos para adentrar ao prédio, cogito em não entregar o relatório que carrego nas mãos. O arquivo está lacrado e é confidencial, meu instinto fala que pode haver a localização do paradeiro da minha irmã. Será que eles sabem onde Mabel está? Já se passaram 3 meses desde do seu desaparecimento e até agora nada. Só foi deixado uma carta... ainda suspeito que tenha sido forjada, para parecer que tenha escapado. Não faria sentido Mabel abandonar o FBI, largar a vida que vivia, sem levar nada. Há algo muito estranho por trás desse quebra-cabeça.
Penso e repenso o que devo fazer, antes de me arriscar tanto.
Tomo uma atitude impensada e observo se ninguém está me monitorando, vejo que o movimento dos agentes saindo e chegando, sem prestar atenção em nada, é a oportunidade perfeita que tenho. Sigo até o banheiro, retirando às pressas o selo e abrindo o envelope amarelo. Puxo da bolsa o meu celular e começo a fotografar os papéis rapidamente para não ser flagrada. Em seguida, meu celular notifica uma nova mensagem. É a minha "chefe" que me aguarda em seu escritório. Retorno a mesma postura, seguindo normalmente pelos corredores da CIA.
Dou três batidas na porta, recebendo autorização para entrar no escritório.
— Sente-se.— aponta pra cadeira à frente, com a cabeça baixa enquanto assina uma pilha de papéis.
— Não quero, obrigada.— n**o relutante. E meu ato, acaba fazendo seus olhos se erguerem.
— Sei que não está acostumada a trabalhar para nós, Annabelle Bieber, mas saiba que teremos muito o que conversar. Trouxe os arquivos?— pede e assinto que sim com a cabeça, falando "aham".
A mulher estende a mão e a entrego. Ela ao invés de abrir, guarda dentro da gaveta da sua mesa. Fico observando que pode ser algo muito importante e que jamais teria acesso, se não tivesse feito aquilo. Desvio o olhar apreensiva, quando a chefe do departamento presta toda atenção em mim. Que diabos fui fazer? Mordo o meu lábio inferior, nervosa, por temer em acabar sendo descoberta.
— Antes de começarmos a reunião, queria saber se há alguma notícia de Mabel?— pergunto, por mais que não fôssemos tão próximas, eu me preocupo com ela.
— Nada até o momento.— responde, formalmente. Bate uma aflição por não haver nenhum vestígio.— Estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance para achá-la, agente.
— Eu não sou agente.— a corto, áspera— Só concordei em trabalhar para a CIA, porque não tive escolha, vocês praticamente me forçaram.
— Sem ressentimentos, por favor.
— Como consegue ser tão fria?— a pergunto, com a voz embargada, pela naturalidade de como age. — Sei que vocês que trabalham para o governo são treinados para não demonstrar emoções, mas eu não sou assim. Não consigo mais suportar o gringo ao meu lado. Ele o tempo todo chama por Mabel. Quando à noite chega, é com ela que ele sonha.
— E isso te incomoda, Annabelle?
— Eu tô farta de ser usada! Eu tô farta disso!—aos gritos, desabafo.— Todos os caras que chegam em mim, sempre se apaixonam por Mabel primeiro. —cuspo as palavras, com as lágrimas se formando em meus olhos.— É h******l ser sempre uma segunda opção.
—Já terminou?— questiona seca, me interrompendo. Engulo a força o choro, por não ser ouvida.— Eu não estou aqui para ouvir seus dramas e conflitos familiares. Lembre-se, agente, é uma missão e há muita coisa em jogo.
— Mas eu não consigo continuar fingindo ser uma pessoa que eu não sou!— esbravejo, inconformada. E na medida que meu corpo se movimenta, gesticulo os braços.— É demais para mim dormir todos os dias ao lado de um homem...— focalizo na aliança em meu dedo anelar esquerdo. — Que acha que minha irmã está morta e não consegue a esquecer. — limpo com o polegar o choro que escorre pelo meu rosto.
— Espero que sua revolta não seja por ciúmes, porque poderá ser um problema.— diz, preocupada mais no disfarce, do que mesmo comigo. — Acalme-se, Annabelle, falta pouco.— seu tom afirmativo me faz questionar intrigada.
— Como assim?
— Na hora certa, você terá sua vida de volta. Se é isso que quer ouvir? Pois bem.— garante, sinalizando com a mão. — Tem algo a mais a acrescentar?—há uma arrogância ao perguntar.
— Não.
Abaixo a cabeça.
— Ótimo, vamos voltar a falar da missão.
Sento-me na cadeira para ouvi-la, cruzando pernas tensa. Meus pensamentos são voltados para Nameless, a consciência pesa por está o traindo.
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**POV's Mabel Bieber **
— Annabelle é uma tonta mesmo. Como pode uma pessoa ser tão burra?— faço a pergunta em voz alta.
Imediatamente o sinal é cortado.
*Poxa, na melhor parte. *
Olho para o lado, revirando os olhos pela presença desagradável. Aí está Lorenzo com uma caixa de pizza nas mãos, acha que pode me comprar com comida. Eu já estou 3 meses mofando neste lugar, eu não aguento mais.
— Você não pode ficar mexendo nas minhas coisas.—reclama, fechando a tampa do notebook. — Existem protocolos.
— Sério?— satisfatoriamente abro um sorriso irônica, encarando desafiante os olhos do moreno.— Então por qual acusação estão me mantendo presa? Que saiba eu tenho o direito a um advogado, inclusive, eu tenho imunidade por ser uma agente do FBI.
— Seus privilégios acabaram, Mabel Bieber.— sorri provocativo, se jogando no sofazinho.
Remexo as minhas mãos que estão algemadas, permanecendo imóvel nesta cadeira igual uma refém.
— Não me diga. — na ponta da língua rebato, continuando exalando confiança.— Até agora não me ligaram a essa ORGANIZAÇÃO que vocês alegam que eu trabalho. — dou de ombros, com o ego lá em cima.
— Como não? Você é a chefe da quadrilha.
Ouço acusação que vem cheia de sarcasmo, finjo até está ofendida.
Quem diria, os piores são o que se fazem de bonzinhos. Eu cheguei achar de verdade que Lorenzo estava interessado em mim, mas tudo não passou de um complô e na primeira oportunidade, me apunhalou pelas costas.
— Eu? Sabia que acusar sem provas, é crime. Sou uma mera agente do FBI que trabalha em prol do governo. Trabalho para proteger a segurança nacional de possíveis ameaças, como você.
Aponto o dedo em direção ao sujeito, este que acaba rindo da minha fala.
— Você é tão podre!
O comentário é uma tentativa sútil para me desestabilizar, é o que vem fazendo bastante ultimamente. Joguinho psicológico.
— Quando eu sair daqui vou processar a CIA, o Estado e todos os envolvidos que estão me mantendo em cárcere de privado.— ameaço, convicta.
— Fique despreocupada, agente, — dá ênfase na palavra "agente", com ironia.— Quando você tiver apodrecendo numa prisão de segurança máxima, poderá entrar com o processo. Enquanto isso, terá que esperar sentada.
Debocha , havendo um grau de superioridade, achando que está por cima e pode me deter. Ao contrário, não me atinjo.
Não há nenhuma prova que me ligue a Organização e nem a Nameless. Se ele cair, vai cair sozinho.
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POV's Annabelle Bieber
Hotel/ Los Angeles.
Desesperadamente vasculho em todos os cantos da suíte a procura de documentos. Estou nervosa, andando de um lado pro outro feito uma doida. Penso em até ligar para Giulia e pedir a ela que descubra a senha do cofre.
Faço uma sequência de algarismos e até que vou no mais óbvio: a data de nascimento da Mabel. Engulo em seco quando o negócio é aberto, dando a chance de descobrir mais sobre os negócios ilegais do chefe da organização. Antes de tocar as minhas mãos na pasta, coloco luvas por precaução, porque pode ter um sistema de alarme e isso aqui começar a disparar.
Pego tudo, indo para cama pra checar.
Meus olhos se deparam com extratos de contas no exterior. Alguns registros de imóveis no meu nome. r***o alguns dos papéis que possa me colocar como laranja, até que encontro...
— É a certidão de casamento dele com Mabel.
Tomo um choque ao ver. Por um segundo penso em rasgar e me livrar do documento, mas me atrapalho ouvindo os passos do Nameless.
— Annabelle, cadê você? — chama-me, e de imediato, jogo a pasta para debaixo da cama a escondendo. — O que você está fazendo aí sozinha, vida?
Aparece todo sorridente.
— E-eu...
— Você está pálida, o que houve?— me analisa, com o tom preocupado, se sentando ao meu lado.
Desligo sob o vestido, a escuta, sem que ele note.
— Estão com a ordem para te prender, a Embaixada Rússia autorizou que você fosse preso hoje, Nameless.— delato, o que havia nos arquivos.
— De onde você tirou essa história?— percebe o meu nervosismo todo.
— Minha irmã é hacker. Ela invadiu a CIA e viu isso.— lhe mostro o mandato de prisão. — Estão vindo para cá. — asseguro, em pânico.
— Quem garante que não tenha sido você que me dedurou.— acusa, sacando a arma e apontando para minha testa.
— O que é isso, Nameless?— arregalo os olhos. Oh meu Deus... — Sou sua esposa! Você acha que eu trairia você?— com a voz trêmula, lhe vejo com o dedo sobre o gatilho.— Não faz isso, por favor!— imploro, aos prantos, diante da mira do revólver.
— Me der um motivo para eu não te m***r agora, Mabel.— confunde os nomes, soando paranóico.
— Eu não sou a Mabel! — de saco cheio, grito indignada.— Eu sou a Annabelle, e se quer um motivo, eu estou apaixonada por você, Nameless. Apaixonada!— revelo os meus sentimentos, e é nessa hora que o próprio abaixa a arma.— Eu te amo.— sussurro em meio as lágrimas, colando os nossos lábios e o beijando.
Eu nunca senti nada parecido por outro alguém.