o medo e a proteção

689 Palavras
Ao chegarem na casa dele, Juan a conduziu até o quarto, olhando nos olhos dela com aquele misto de intensidade e curiosidade que sempre a deixava nervosa. — Vai, fala… por que você não quer focar em mim? — perguntou ele, firme, mas sem agressividade. Ela respirou fundo, os olhos marejados: — Porque… quando eu precisei, você não me atendeu. Eu te liguei três vezes, Juan… três! Você disse que me ligaria quando tivesse tempo, e eu vi que eram três horas da manhã… e ainda achou que eu tinha que te atender? Não é assim, não é. Ele deu um leve riso, tentando aliviar a tensão: — Ei, olha só… eu estava ocupado, tá? Não tinha outra… — Não é isso! — disse ela, com a voz embargada. — E mesmo que fosse… quem sou eu, Juan? Eu só sou seu ponto de paz, seu prazer para você se sentir bem. Não sou nada além disso… nada! — e as lágrimas começaram a cair. — Eu precisava de você… e você não me atendeu. Isso… isso é loucura! Melhor a gente ficar apenas no sexo… e quando você tiver vontade, eu me viro pra cuidar de mim. Juan a observou, em silêncio, sentindo o peso das palavras dela, mas também o medo e a frustração que a consumiam. Ele se aproximou devagar, ajoelhou-se à frente dela, segurando suas mãos com firmeza, mas com cuidado. — Lorena… — disse ele, suavemente. — Eu não quero que você se sinta assim. Eu sei que errei em não atender você naquele momento… mas você precisa entender algo. Você não é apenas meu ponto de prazer, você não é só um escape. Você é muito mais do que isso. Ela respirou fundo, tentando enxergar a sinceridade nos olhos dele. — Eu não sei se consigo… — murmurou ela, ainda insegura. — Vai conseguir. — Ele sorriu, leve, mas firme. — Porque eu vou te mostrar, todos os dias, que você é importante. Não só para mim, mas para tudo que eu sou e faço. Eu te protejo, te quero… e você não está sozinha, Lorena. Letícia respirou fundo, tentando conter o choro, mas a preocupação era maior que ela. — Então, me protege de verdade, Juan… — disse, com a voz trêmula. — Meu ex-padrasto está ameaçando minha mãe. Ele disse que vai nos achar… que vai acabar com nós duas! Juan a ouviu em silêncio, o olhar escuro e intenso, absorvendo cada palavra. A frieza habitual deu lugar à atenção absoluta. — Ele faz isso há um mês… — continuou Letícia, quase sussurrando. — Minha mãe escondeu isso de mim, mas ontem eu vi as mensagens chegando. Por isso te liguei… Juan respirou fundo, segurando as mãos dela com firmeza, transmitindo segurança sem palavras. — Lorena… — disse ele, firme, com aquela autoridade que sempre a fazia estremecer — Eu não vou deixar que nada aconteça com você ou sua mãe. Ninguém vai tocar em vocês. Eu juro. Ela olhou para ele, buscando nos olhos dele a promessa que precisava ouvir. — Mas, Juan… e se ele tentar de novo? — murmurou, a voz embargada. — Se ele ousar, ele vai se arrepender — respondeu ele, sem hesitar. — Eu vou atrás dele, onde quer que esteja. Você e sua mãe vão estar seguras, sempre. Eu garanto isso. Letícia sentiu o peso das palavras dele, um misto de alívio e medo. Pela primeira vez, percebeu que estar ao lado de Juan significava mais que proteção física: era ter alguém disposto a enfrentar qualquer perigo por ela e sua família. — Obrigada… — disse ela, quase em sussurro, apoiando a cabeça no ombro dele. — Eu só… só quero que você esteja perto, que me proteja. — Sempre estarei — respondeu ele, acariciando os cabelos dela. — Ninguém vai nos ameaçar. Você é minha… e eu vou garantir que fique segura. O silêncio tomou conta do quarto, mas não era um silêncio vazio. Era um silêncio de confiança, de promessa e de i********e. Pela primeira vez, Letícia sentiu que poderia respirar com mais calma, mesmo em meio ao perigo que os cercava.
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