capítulo 81

940 Palavras

📓 NARRADO POR MIRELA COSTA Quatro e onze da manhã. O quartel dormia. Eu não. A madrugada estava fria, escura e com aquele cheiro de chuva velha que gruda no concreto. Silenciosa demais pro meu gosto. Soldado dormindo feliz demais pro meu humor. Peguei o balde no alojamento feminino. Enchi na torneira do pátio. A água saiu tão gelada que meus dedos arderam. Perfeito. Crueldade eficaz sempre começa antes do sol nascer. Atravessei o corredor até o alojamento masculino. Empurrei a porta com o pé. O cheiro lá dentro era de suor, mofo e ilusão. Vinte e dois homens dormindo, espalhados pelas beliches, alguns roncando, outros abraçados a travesseiro como criança. Ridículo. Apontei o fuzil pra cima. — “ACORDA, p***a!” E virei o balde. A água gelada caiu como uma tempestade do in

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