📓 NARRADO POR MIGUEL SANTANA (continuação — “o momento em que o mundo prendeu a respiração”) Quando atravessamos a calçada em direção ao prédio da coronel, parecia que até o vento tinha parado pra ver o que a gente ia fazer. O prédio era desses de oficial com salário gordo: fachada de vidro, jardim aparado, iluminação bonita que tentava esconder o tipo de gente que morava ali. Mas nada disso me impressionava. O que me interessava era o que tava no 14º andar. O território da mulher que achava que mandava no mundo. A gente cruzou a entrada lateral, a de serviço, que o Farias jurou que não tinha câmera no ângulo do portão. — Tu tem certeza absoluta que a v***a ficou de plantão, né, Farias? — perguntei, seco, sem tirar os olhos da porta metálica. Ele respondeu sem pensar: — Tenho. Vi

