📓 NARRADO POR MIGUEL SANTANA A boca tava daquele jeito que eu gosto: Silêncio de respeito, barulho de tensão. Vapor andando rápido. Rádio chiando. Moto subindo a viela. E todo mundo abrindo caminho quando eu apareci. Braço cruzado. Olhar seco. Sem paciência pra teatro de ninguém. Touro virou a curva parecendo que tinha corrido uma maratona bêbado: cabelo bagunçado, camisa torta, cara de quem dormiu onde não devia. E eu vi. Eu senti a mentira vindo antes de sair da boca dele. Ele chegou perto, tentando parecer normal. Aí eu soltei, sem respirar, sem dar aviso: — Tu dormiu ONDE, Rafael? O morro inteiro segurou a respiração. Touro piscou igual g**o tonto. A boca abriu e fechou duas vezes, procurando mentira boa. — “Na minha casa…” — disse com aquele sorrisinho que só i****

