📓 NARRADO PELA CORONEL – A NOITE EM QUE EU QUEBREI O ÚLTIMO FREIO Eu saí do gabinete do comandante com a cabeça fervendo. A conversa inteira tinha sido uma autópsia da minha paciência: corte por corte, crítica por crítica, desconfiança mascarada. Eu, como sempre, sorri, assenti, engoli. Engoli até o sangue descer quadrado. Quando saí do quartel-general, já era noite. Noite úmida, pesada, grudando no uniforme. Eu dirigi até a base como quem dirige pra guerra: maxilar travado, dedo batendo no volante, o corpo inteiro implodindo de tensão acumulada. Assim que entrei no meu gabinete, joguei a pasta sobre a mesa com tanta força que o impacto ecoou na sala. O silêncio que se seguiu estava cheio da minha fúria contida. Tirei a boina. Soltei o cabelo. A massa escura caiu em cascata sobre meus

