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Enfim, o meu dia baseou-se em limpar a casa e trocar os móveis de lugar. Tudo precisava de uma repaginada. Meu apartamento era simples, pequeno, mas muito bem organizado e decorado. Eu adoro plantinhas também, mas as minhas morreram, por passar um tempo longe de casa – O que significa que terei que comprar outras, já que agora terei tempo para cuidá-las.
Não sei o que farei no resto do ano, mas quero descansar. Trabalhei bastante em b***s e em um emprego de meio período como garçonete, e depois, em um estágio; então consegui juntar grana o suficiente para tirar alguns meses de lazer. Por sorte, não preciso pagar aluguel, já que é propriedade dada pelo meu pai.
Por fim, limpei a geladeira e descartei os alimentos vencidos e estragados. Levei o lixo para fora e retornei para casa.
Já era noite quando finalizei tudo, então fui para a cama – Agora com lençóis limpos, com cheirinho de lavanda. Minha cama era alta, então ficava perfeitamente encaixada na grande janela do quarto, dando uma vista perfeita para a cidade. Ao longe, luzes brilhavam, de carros e prédios acesos. Era uma noite bonita, mas um pouco fria.
Me perdi em pensamentos contemplando aquela visão, até meu estômago roncar, furioso – eu não comi nada além de algumas bolachas murchas que encontrei no armário.
Eram nove da noite, o que significa que o armazém da esquina que fecha às dez, ainda estava aberto. Vesti uma calça moletom e continuei com minha camisa larga. Peguei as chaves e meu cartão, então saí para fazer algumas compras.
Caminhei por no máximo, cinco minutos. O trajeto inteiro pensando em Logan e em Adam. Eu ainda amo meu ex-namorado i****a, é claro. Já estou começando a sentir falta, por mais s*******o que ele fosse muitas vezes. Oito anos não se jogam fora do coração e nem do pensamento assim, com tanta facilidade.
Hoje seria um dia perfeito para ficarmos juntinhos, assistindo filme e comendo comida mexicana – Eu adoro comida apimentada, já Adam não gosta muito, mas me acompanha até o nariz escorrer e ele pedir bandeira branca, pois a boca está “pegando fogo”.
Perguntei-me também, o que Logan estaria fazendo agora. Se pensava em mim também. – Não de um jeito romântico, é claro. Mas pensar apenas por pensar, tipo “aquela garota é bem legal” ou “que maluca! Nunca mais quero vê-la novamente”.
Eu deveria tê-lo procurado nas redes sociais, mas fiquei focada demais em limpar tudo para evitar o inevitável: A ficha caindo.
Eu engolia o choro toda vez que o meu coração se apertava ao recordar-me da cena da traição.
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Entrei no armazém e o sininho da porta tocou, fazendo a atendente me olhar, curiosa. Ela me cumprimenta com um boa noite e eu retribuo. Pego um cestinho e começo a olhar as prateleiras, procurando o básico para sobreviver até ir a um mercado grande.
Pego alguns cereais em promoção, um galão de suco natural de laranja, um pote de sorvete, água, leite e doces. Pego uma revista também, pois gosto de juntar selos que elas dão, para colecionar e ao completar, ganho um brinde. O brinde da vez é um conjunto de porcelana para chá da tarde. Era delicado e bonito. E simples. Uma porcelana branca com flores rosas bem claro.
Vou até o caixa e a atendente começa a bipar minhas compras. Na TV passa um noticiário, falando sobre um hospital novo que estava sendo muito bem avaliado. Diz também que os preços dos procedimentos são muito em conta, e abaixo do normal.
Já estava na hora. – A atendente disse, referindo-se ao noticiário – É complicado ter que pagar caro por algum procedimento, quando o plano de saúde não cabe. Eu tenho uma reserva econômica só para procedimentos médicos! – Reclamou, ainda prestando atenção nas compras sendo bipadas.
Preços tão baixos assim... Deve ser lavagem de dinheiro. – Penso alto. A moça do caixa me encara com os olhos regalados. Pigarreio, sem graça e então falo a primeira coisa positiva que me vem na mente: – Que bom que as coisas começarão, provavelmente, a mudar. Espero que esse hospital se saia bem. Terá muito sucesso. – Comentei.
A moça assente, concordando.
Trinta e sete dólares. – Disse, ao terminar de pôr as compras na sacola.
Débito. – Falei.
Aproximei meu cartão da máquina.
O dono é tudo de bom! – A atendente diz, com um sorrisinho malicioso.
O dono do hospital? – Indaguei. A atendente assente, como se eu estivesse no mundo da lua.
Sorrio e pego minhas sacolas.
Espero que seja solteiro. E que uma de nós o encontre! – Pisquei para a moça, que riu.
Agradeci e saí do armazém.
Caminhei enquanto conferia a nota fiscal – tenho uma mania estranha, que é gostar de ver o horário. Eram nove e trinta e três. Me surpreendi no quanto o tempo está passando rápido para mim.
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A volta foi contemplada com meus pensamentos inquietos – apesar do trajeto ser bem curto.
Ao aproximar-me mais do prédio, observo que há uma silhueta parada perto da entrada. A pessoa andava de um lado para o outro, provavelmente ansiosa. Espero do fundo do meu coração que não seja um maluco querendo entrar onde não deve. Imaginei que poderia ser Logan que voltou, talvez por esquecer algo em minha casa – apesar de eu não ter encontrado algo de diferente no apartamento.
Sorri com o pensamento importuno.
Ao me aproximar mais, vejo que a pessoa parou para me observar. Já começo a ficar ainda mais desconfiada e nervosa, quando consigo ver quem era: Adam. Sua presença me deixou irritada e um pouco decepcionada por não ser quem eu esperava que fosse.
Na verdade, eu esperava até um mendigo ali, exceto Adam.
Bufei, irritada.
Lonie! – Chamou, como se eu não tivesse notado a sua presença irritante.
Vá se f***r. – Falei passando por ele, indo apertar a campainha para o porteiro abrir o portão.