Episódio 3

992 Palavras
Fomos até o elevador. Entramos e ele aperta o botão do térreo. Sinto minha barriga se contorcer num frio e nervosismo. A lembrança do que vi mais cedo me atingiu novamente, em cheio. É muita coisa acontecendo. Acabei de flagrar meu primeiro amor, meu primeiro tudo com outra garota. Por mais que eu odeie Tiffany, sei que ela é mais bonita que eu. Mas eu não merecia isso. A porta do elevador se abre, então saímos em silêncio. Caminho dois passos a frente dele, quando ouço o outro elevador se abrindo. Olho para trás, com o olhar passando por entre o rapaz que acabei de conhecer – e vi Adam, com os olhos vermelhos de choro. Tiffany estava logo ao lado dele, com a pior cara que já a vi fazer. Mas me deu um pouco de raiva, porque até assim, ela continuava bonita. Adam e eu nos encaramos por alguns segundos, enquanto eu ainda me aproximava da porta de saída. Tornei a olhar para a frente e engoli meu choro. Harold, o porteiro velhinho e de cabelos grisalhos, se apronta para abrir a porta de saída. Ele me olha com pena. O mesmo olhar que tinha quando cheguei – O que eu tinha estranhado. Harold não havia me olhado assim outras vezes. Mas agora entendo o motivo. Adeus Harold. – Falei, forçando um sorriso, tentando não chorar. – Foi bom te conhecer. Igualmente, Lon. – Ele faz um gesto de cumprimento com a cabeça. Me olha novamente com os olhos brilhando. – Sinto muito. Obrigada. – Sorrio e deixo um pouco a formalidade de lado. O abraço. Harold retribui e funga, provavelmente segurando o choro também. Se cuide, menina. – Disse. Assenti e Harold deslizou o olhar cansado e enrugado para atrás de mim, onde o rapaz vinha a caminhar lentamente. Os dois cumprimentam-se. Olá, Logan. – Harold diz, educadamente, mas ainda soa doce. Olá, Harold. – Logan diz, se afastando comigo para a rua. O portão geme ao ser trancado novamente. Não olho para trás. Respiro fundo. Estamos a caminhar até o ponto de táxis. Nem perguntei. – Falei – prefere ir de táxi? Eu não tenho carro. Como você quiser. – Falou, misterioso. Então vamos de táxi. – Falo. Aquele no elevador era ele? – Logan pergunta e sinto meu peito apertar-se. Apenas faço que sim com a cabeça, com os olhos lacrimejando. Jamais, em hipótese alguma, demonstre fraqueza na frente dele. Isso é apenas uma brecha para que ele possa tomar alguma atitude e te pôr na mão dele novamente. – Aconselha. Eu engoli meu choro, mas não sei se consigo fazer isso toda a vez que eu o ver. – Falo. – E meio que sua presença facilitou o processo. Sinto a mão de Logan tocar a minha, então entrelaça nossos dedos. Eu o encaro e sinto as lágrimas descerem, fazendo o calor se contrastar com minhas bochechas geladas pelo frio. É mais fácil quando compartilhamos com alguém..., mas uma hora, desabamos. É quando estamos sozinhos que as coisas se tornam difíceis e não conseguimos ter controle. – Diz, olhando para a frente. – Então, faça o possível para não perder esse controle na frente dele. Fico em silêncio, enquanto caminho cabisbaixa. Não soltamos nossas mãos ainda. Quero me embebedar hoje. – Falei, fungando ao choramingar sem querer. Ouço a respiração de Logan, ao dar uma risada silenciosa. Paramos no ponto de táxi e aguardamos. Não demorou muito para um aparecer, então entramos e seguimos caminho. Seu nome é Logan mesmo? – Indaguei, quebrando o silêncio mortal. Logan Donovan. Desculpe não me apresentar devidamente. – Ele diz, envergonhado. Percebo o taxista nos olhando através do retrovisor, provavelmente tentando entender o que estava acontecendo. Nenhuma mulher é louca de sair com um desconhecido, né? Sem nunca ter tido uma conversa decente e estado ciente de que seria um encontro. Bom, estou sendo hoje. Geralmente me lembro de perguntar nomes. – Digo. Então esqueça no quão ridículo e clichê é o meu nome. – Ele bufa e encosta a cabeça no encosto do carro. Ele vira a cabeça em minha direção e sorri sem jeito, me olhando nos olhos, sem desviar a atenção. Todo mundo tem seu clichêzinho. – Dei de ombros, confortando-o. Qual é o seu, Lon? – Perguntou. Fui trocada por uma colega de trabalho. – Dei um sorrisinho derrotado. – E detalhe: uma secretária. O taxista me olhou novamente pelo retrovisor. A propósito, meu nome é Lonie Jenkins. – Estendo a mão para Logan. Ele aperta formalmente. *** Chegamos ao restaurante e me surpreendi com o estabelecimento em si – Mesas estavam espalhadas pelo local, bem-postas com louças delicadas (e provavelmente caras). Algumas estavam ocupadas por grupos de pessoas bem-vestidas e outras, por casais, igualmente bem trajados como todo o restante da clientela. Garçons bailavam pelo ambiente, com bandejas ou carrinhos carregados de comidas prontas, com um aroma apetitoso, que fez meu estômago roncar em protesto. O ambiente tinha um aroma delicado de alecrim e comida sendo preparada. Um garçom nos atendeu, me olhando meio estranho – mas deve ter sido por causa da minha roupa de v***a. Bom, sei que uma roupa não define uma mulher, mas Lonie vestida assim, é uma Lonie v***a. Já Logan usava uma camisa polo branca por baixo da jaqueta de couro, calça jeans preta e um tênis Nike da cor branca. Ele tinha um perfume muito bom. Viciante – Esqueci de mencionar. Seus cabelos escuros estavam comportados, apesar o vento forte que estava lá fora assim que saímos do táxi. Algumas mechas caíam sobre suas pálpebras, dando um ar de badboy dos anos 90. O garçom nos levou até a mesa que reservei – apesar a reserva ser minha, ele falava mais com Logan do que comigo. Me pergunto se era por estarem acostumados a terem clientes homens pagando jantares – o que é uma pitada de machismo – ou se me ignorava porque eu parecia a pobre dali.
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