Fomos até o elevador. Entramos e ele aperta o botão do térreo. Sinto minha barriga se contorcer num frio e nervosismo. A lembrança do que vi mais cedo me atingiu novamente, em cheio. É muita coisa acontecendo. Acabei de flagrar meu primeiro amor, meu primeiro tudo com outra garota. Por mais que eu odeie Tiffany, sei que ela é mais bonita que eu. Mas eu não merecia isso.
A porta do elevador se abre, então saímos em silêncio. Caminho dois passos a frente dele, quando ouço o outro elevador se abrindo. Olho para trás, com o olhar passando por entre o rapaz que acabei de conhecer – e vi Adam, com os olhos vermelhos de choro. Tiffany estava logo ao lado dele, com a pior cara que já a vi fazer. Mas me deu um pouco de raiva, porque até assim, ela continuava bonita.
Adam e eu nos encaramos por alguns segundos, enquanto eu ainda me aproximava da porta de saída. Tornei a olhar para a frente e engoli meu choro.
Harold, o porteiro velhinho e de cabelos grisalhos, se apronta para abrir a porta de saída. Ele me olha com pena. O mesmo olhar que tinha quando cheguei – O que eu tinha estranhado. Harold não havia me olhado assim outras vezes. Mas agora entendo o motivo.
Adeus Harold. – Falei, forçando um sorriso, tentando não chorar. – Foi bom te conhecer.
Igualmente, Lon. – Ele faz um gesto de cumprimento com a cabeça. Me olha novamente com os olhos brilhando. – Sinto muito.
Obrigada. – Sorrio e deixo um pouco a formalidade de lado. O abraço. Harold retribui e funga, provavelmente segurando o choro também.
Se cuide, menina. – Disse.
Assenti e Harold deslizou o olhar cansado e enrugado para atrás de mim, onde o rapaz vinha a caminhar lentamente. Os dois cumprimentam-se.
Olá, Logan. – Harold diz, educadamente, mas ainda soa doce.
Olá, Harold. – Logan diz, se afastando comigo para a rua.
O portão geme ao ser trancado novamente. Não olho para trás.
Respiro fundo. Estamos a caminhar até o ponto de táxis.
Nem perguntei. – Falei – prefere ir de táxi? Eu não tenho carro.
Como você quiser. – Falou, misterioso.
Então vamos de táxi. – Falo.
Aquele no elevador era ele? – Logan pergunta e sinto meu peito apertar-se.
Apenas faço que sim com a cabeça, com os olhos lacrimejando.
Jamais, em hipótese alguma, demonstre fraqueza na frente dele. Isso é apenas uma brecha para que ele possa tomar alguma atitude e te pôr na mão dele novamente. – Aconselha.
Eu engoli meu choro, mas não sei se consigo fazer isso toda a vez que eu o ver. – Falo. – E meio que sua presença facilitou o processo.
Sinto a mão de Logan tocar a minha, então entrelaça nossos dedos. Eu o encaro e sinto as lágrimas descerem, fazendo o calor se contrastar com minhas bochechas geladas pelo frio.
É mais fácil quando compartilhamos com alguém..., mas uma hora, desabamos. É quando estamos sozinhos que as coisas se tornam difíceis e não conseguimos ter controle. – Diz, olhando para a frente. – Então, faça o possível para não perder esse controle na frente dele.
Fico em silêncio, enquanto caminho cabisbaixa. Não soltamos nossas mãos ainda.
Quero me embebedar hoje. – Falei, fungando ao choramingar sem querer.
Ouço a respiração de Logan, ao dar uma risada silenciosa.
Paramos no ponto de táxi e aguardamos. Não demorou muito para um aparecer, então entramos e seguimos caminho.
Seu nome é Logan mesmo? – Indaguei, quebrando o silêncio mortal.
Logan Donovan. Desculpe não me apresentar devidamente. – Ele diz, envergonhado.
Percebo o taxista nos olhando através do retrovisor, provavelmente tentando entender o que estava acontecendo. Nenhuma mulher é louca de sair com um desconhecido, né? Sem nunca ter tido uma conversa decente e estado ciente de que seria um encontro.
Bom, estou sendo hoje.
Geralmente me lembro de perguntar nomes. – Digo.
Então esqueça no quão ridículo e clichê é o meu nome. – Ele bufa e encosta a cabeça no encosto do carro.
Ele vira a cabeça em minha direção e sorri sem jeito, me olhando nos olhos, sem desviar a atenção.
Todo mundo tem seu clichêzinho. – Dei de ombros, confortando-o.
Qual é o seu, Lon? – Perguntou.
Fui trocada por uma colega de trabalho. – Dei um sorrisinho derrotado. – E detalhe: uma secretária.
O taxista me olhou novamente pelo retrovisor.
A propósito, meu nome é Lonie Jenkins. – Estendo a mão para Logan.
Ele aperta formalmente.
***
Chegamos ao restaurante e me surpreendi com o estabelecimento em si – Mesas estavam espalhadas pelo local, bem-postas com louças delicadas (e provavelmente caras). Algumas estavam ocupadas por grupos de pessoas bem-vestidas e outras, por casais, igualmente bem trajados como todo o restante da clientela.
Garçons bailavam pelo ambiente, com bandejas ou carrinhos carregados de comidas prontas, com um aroma apetitoso, que fez meu estômago roncar em protesto. O ambiente tinha um aroma delicado de alecrim e comida sendo preparada. Um garçom nos atendeu, me olhando meio estranho – mas deve ter sido por causa da minha roupa de v***a.
Bom, sei que uma roupa não define uma mulher, mas Lonie vestida assim, é uma Lonie v***a. Já Logan usava uma camisa polo branca por baixo da jaqueta de couro, calça jeans preta e um tênis Nike da cor branca. Ele tinha um perfume muito bom. Viciante – Esqueci de mencionar. Seus cabelos escuros estavam comportados, apesar o vento forte que estava lá fora assim que saímos do táxi. Algumas mechas caíam sobre suas pálpebras, dando um ar de badboy dos anos 90.
O garçom nos levou até a mesa que reservei – apesar a reserva ser minha, ele falava mais com Logan do que comigo. Me pergunto se era por estarem acostumados a terem clientes homens pagando jantares – o que é uma pitada de machismo – ou se me ignorava porque eu parecia a pobre dali.