Rael tentou falar com Mônica mas ela o ignorou todas as vezes.
Ele a via na Clínica, mas a coragem de se aproximar o impedia de chegar até ela.
Via também Pérola na escola. Sentia a falta dela, mas não tinha como se aproximar da menina sem deixar Mônica aborrecida.
Maria Fernanda também não lhe dirigia a palavra. Ainda assim, foi ter com ela para pedir ajuda.
Ele a encontrou na Pastelaria e apenas sentou.
- Podes me escutar por favor?
- Tens 10 minutos.
- Obrigado. Eu preciso de ver e falar com a Mônica. Como ela está?
- Está ótima. Agora tem pai que a protege e dá tudo o que ela quer.
- Ela o encontrou? Mas quando?
Eu...
- Isso já não importa. Ela está segura e aquele homem não vai mais se aproximar dela e da filha.
- Vais ajudar-me para que eu possa falar com ela?
- O que vais fazer agora? Vais perguntar se este homem é mais um amante fingindo que é o pai dela?
- Por favor Fernanda. Não me faças sentir pior do que já estou a sentir.
A minha mãe nem sequer olha para mim. E sei que ainda estás zangada comigo. Mas por favor, ajuda - me a falar com ela para que eu possa me redimir.
- Está bem. Ela vai ficar um tempo no hotel com o Pai e a filha. Aquele homem ainda está na Ilha e representa um perigo para as duas.
- Entendi. E como a vais tirar do andar super vigiado para que possamos falar?
- Deixa isso comigo.
Maria Fernanda ligou para Mônica que atendeu no segundo toque.
- Alô Fernanda!
- Oi Amiga! Está tudo bem?
- Sim. A Pérola está a brincar com a montanha de bonecas que ganhou do meu pai. Ele a está a encher de mimos. E ela adora isso.
- Entendo. Vocês agora só merecem ser muito amadas.
O que achas de almoçar comigo hoje? Tenho que ir ao Centro Comercial comprar algo para usar esta noite, e quero muito uma segunda opinião.
- Trata - se de um encontro?
- Sim. Ele é turista, mas tem a intenção de viver aqui.
Vamos nos conhecer melhor.
- Uau! Isto é ótimo amiga. Eu vou sim. Me esperas no lobby daqui a uma hora?
- Claro. Até mais tarde.
Após desligar, Maria Fernanda combinou com Rael para ir ao Centro Comercial e agir como se as tivesse encontrado por acaso.
- Ela não pode saber que eu já falo com você.
- Tudo bem. O nosso encontro será apenas uma coincidência.
- Que assim seja. Vou sair agora para não a deixar esperando muito.
Boa sorte. Vais precisar.
Maria Fernanda deixou Rael pensando numa forma de falar com Mônica e ter o perdão dela.
A reação dele foi bastante exagerada e ela ficou muito magoada. Mas quando soube a razão dela ter hesitado tanto para revelar a verdade, Rael sentiu vergonha de si mesmo e ficou perdido.
Ele a amava, mas agora teria de lutar para dar a ela provas da veracidade do seu amor.
Na hora combinada, Mônica e Maria Fernanda saíram juntas.
Mônica foi dirigindo por ser algo que ela adorava fazer desde que recebeu a sua carteira de motorista.
- O que tens a intenção de comprar?
- Algo bem discreto mas que demonstre o quanto sou linda por dentro e por fora também.
- Tudo bem. E já marcaste hora no salão?
- Sim. O do Hotel é o melhor.
Porque não aproveitas e fazes também uma mudança de visual?
Assim vais poder representar por fora a tua mudança interna.
- Tens razão. E queres saber?
O meu pai disse que compraria o Centro todo para mim se eu pedisse. Vou fazer uma mudança geral. Agora sou uma mulher livre e desimpedida.
Após as compras, elas fizeram uma paragem na loja de brinquedos personalizados. Pérola adoraria a surpresa.
Foram almoçar e durante a conversa Maria Fernanda fez um ar de surpresa.
- O que foi Mafê?
- É o Rael. E ele está vindo até aqui.
- Vamos embora.
- Nem pensar. O Centro não é dele.
Vamos terminar o nosso almoço.
Rael sabia que não seria fácil, mas foi até lá.
- Olá Mafê! Oi Mônica.
- Oi Rael. Amiga vou ao banheiro e já volto.
Maria Fernanda saiu antes de Mônica poder dizer alguma coisa.
- Posso sentar? Só preciso de 5 minutos.
- Está bem. Tens cinco minutos.
- Obrigado. Mônica eu nunca pensei que fosse possível amar tanto alguém. Eu te amo muito e confio em você implicitamente. Fui um i****a ao dizer aquelas palavras num momento tão vulnerável.
- Estás a dizer-me que te arrependes do que falaste para mim supostamente sem pensar?
- Sim. Este sempre será o maior arrependimento da minha vida.
Peço - te perdão por ter sido tão injusto com você.
- Rael! Eu fui tão magoada, tão ferida que só aprendi a odiar.
Mas quando conheci você, eu comecei a entender a pureza do amor. Mas você também me magoou. Eu não tenho raiva nem ódio de você. Mas não vou esquecer a forma como olhaste para mim e disseste que achavas que eu era diferente. Você ficou decepcionado quando o Matias disse que o Rafael era um de meus amantes e você o outro.
É sério que você achou que eu fui feliz casada com aquele demónio?
- Agora eu sei que não meu amor... - Rael pegou nas mãos dela, mas Mônica as retirou.
- Eu lamento Rael. Vais ter que fazer mais do que usar estas palavras para recuperar o sentimento que criaste em mim.
Maria Fernanda voltou e elas foram embora. Rael as seguiu até ao estacionamento.
- Mônica por favor me escute. Me deixe provar que eu te amo. Que eu esperaria mil anos por você. Eu jamais tocaria em você contra a tua vontade. O que eu necessito agora é do teu amor e nada mais.
- Você tem o meu amor Rael. Mas terás que merecer novamente a minha confiança. A Pérola sente a tua falta. Vou falar com o meu Pai para que a possas ver na escola.
Mas quero que fiques longe de mim.
Adeus Rael.
Elas foram embora e Rael começou a pensar na melhor forma de se redimir com todos que agora o olhavam com deceção e mágoa.
Ele foi até ao seu escritório, e após algumas ligações descobriu onde Matias estava hospedado.
Matias tomava o seu café quando Rael entrou de repente e chutou a mesa.
- O que é isso?
- Isso é o que você terá até sumires desta Ilha.
- O Quê?
- Isso mesmo. A tua vida está arruinada. A Mônica não é mais a menina de quem você usou e abusou sem piedade. Você nunca mais vai tocar num fio de cabelo dela seu i****a covarde.
- Eu não a quero. Mas vou tirar dela a minha filha.
- Isso nunca vai acontecer.
Porque a minha neta agora é uma Montoya.... - Luís Filipe estava atrás deles e os pegou de surpresa.
Matias já o tinha visto várias vezes e sabia bem de quem se tratava, mas nunca pensou que ele fosse o Pai biológico de Mônica.
- Senhor Montoya? Eu sou o Rael e...
- Eu sei quem é você rapaz. A minha filha só chora e chama por você, mas ela acha que eu não percebo.
- Eu lamento imenso Senhor. Eu juro que jamais a magoaria de propósito.
- Eu acredito em você. Falamos sobre isso mais tarde. Agora por favor me deixe a sós com este verme. A nossa conversa será bem longa e violenta.
Matias continuava sem se mexer.
Viu o número de seguranças que estavam a cercar o local e percebeu que não teria como escapar.
Rael saiu sem olhar para trás.
Ele estava sozinho.
- E agora Matias Molina! Eu vou dar a você uma lição da qual jamais vai se esquecer. Você vai se arrepender do dia em que abusou da minha filha e todas as vezes que a magoaste sem piedade.
E depois vou garantir que apodreças na cadeia.