TARDE DEMAIS

1363 Palavras
Rael tentou falar com Mônica mas ela o ignorou todas as vezes. Ele a via na Clínica, mas a coragem de se aproximar o impedia de chegar até ela. Via também Pérola na escola. Sentia a falta dela, mas não tinha como se aproximar da menina sem deixar Mônica aborrecida. Maria Fernanda também não lhe dirigia a palavra. Ainda assim, foi ter com ela para pedir ajuda. Ele a encontrou na Pastelaria e apenas sentou. - Podes me escutar por favor? - Tens 10 minutos. - Obrigado. Eu preciso de ver e falar com a Mônica. Como ela está? - Está ótima. Agora tem pai que a protege e dá tudo o que ela quer. - Ela o encontrou? Mas quando? Eu... - Isso já não importa. Ela está segura e aquele homem não vai mais se aproximar dela e da filha. - Vais ajudar-me para que eu possa falar com ela? - O que vais fazer agora? Vais perguntar se este homem é mais um amante fingindo que é o pai dela? - Por favor Fernanda. Não me faças sentir pior do que já estou a sentir. A minha mãe nem sequer olha para mim. E sei que ainda estás zangada comigo. Mas por favor, ajuda - me a falar com ela para que eu possa me redimir. - Está bem. Ela vai ficar um tempo no hotel com o Pai e a filha. Aquele homem ainda está na Ilha e representa um perigo para as duas. - Entendi. E como a vais tirar do andar super vigiado para que possamos falar? - Deixa isso comigo. Maria Fernanda ligou para Mônica que atendeu no segundo toque. - Alô Fernanda! - Oi Amiga! Está tudo bem? - Sim. A Pérola está a brincar com a montanha de bonecas que ganhou do meu pai. Ele a está a encher de mimos. E ela adora isso. - Entendo. Vocês agora só merecem ser muito amadas. O que achas de almoçar comigo hoje? Tenho que ir ao Centro Comercial comprar algo para usar esta noite, e quero muito uma segunda opinião. - Trata - se de um encontro? - Sim. Ele é turista, mas tem a intenção de viver aqui. Vamos nos conhecer melhor. - Uau! Isto é ótimo amiga. Eu vou sim. Me esperas no lobby daqui a uma hora? - Claro. Até mais tarde. Após desligar, Maria Fernanda combinou com Rael para ir ao Centro Comercial e agir como se as tivesse encontrado por acaso. - Ela não pode saber que eu já falo com você. - Tudo bem. O nosso encontro será apenas uma coincidência. - Que assim seja. Vou sair agora para não a deixar esperando muito. Boa sorte. Vais precisar. Maria Fernanda deixou Rael pensando numa forma de falar com Mônica e ter o perdão dela. A reação dele foi bastante exagerada e ela ficou muito magoada. Mas quando soube a razão dela ter hesitado tanto para revelar a verdade, Rael sentiu vergonha de si mesmo e ficou perdido. Ele a amava, mas agora teria de lutar para dar a ela provas da veracidade do seu amor. Na hora combinada, Mônica e Maria Fernanda saíram juntas. Mônica foi dirigindo por ser algo que ela adorava fazer desde que recebeu a sua carteira de motorista. - O que tens a intenção de comprar? - Algo bem discreto mas que demonstre o quanto sou linda por dentro e por fora também. - Tudo bem. E já marcaste hora no salão? - Sim. O do Hotel é o melhor. Porque não aproveitas e fazes também uma mudança de visual? Assim vais poder representar por fora a tua mudança interna. - Tens razão. E queres saber? O meu pai disse que compraria o Centro todo para mim se eu pedisse. Vou fazer uma mudança geral. Agora sou uma mulher livre e desimpedida. Após as compras, elas fizeram uma paragem na loja de brinquedos personalizados. Pérola adoraria a surpresa. Foram almoçar e durante a conversa Maria Fernanda fez um ar de surpresa. - O que foi Mafê? - É o Rael. E ele está vindo até aqui. - Vamos embora. - Nem pensar. O Centro não é dele. Vamos terminar o nosso almoço. Rael sabia que não seria fácil, mas foi até lá. - Olá Mafê! Oi Mônica. - Oi Rael. Amiga vou ao banheiro e já volto. Maria Fernanda saiu antes de Mônica poder dizer alguma coisa. - Posso sentar? Só preciso de 5 minutos. - Está bem. Tens cinco minutos. - Obrigado. Mônica eu nunca pensei que fosse possível amar tanto alguém. Eu te amo muito e confio em você implicitamente. Fui um i****a ao dizer aquelas palavras num momento tão vulnerável. - Estás a dizer-me que te arrependes do que falaste para mim supostamente sem pensar? - Sim. Este sempre será o maior arrependimento da minha vida. Peço - te perdão por ter sido tão injusto com você. - Rael! Eu fui tão magoada, tão ferida que só aprendi a odiar. Mas quando conheci você, eu comecei a entender a pureza do amor. Mas você também me magoou. Eu não tenho raiva nem ódio de você. Mas não vou esquecer a forma como olhaste para mim e disseste que achavas que eu era diferente. Você ficou decepcionado quando o Matias disse que o Rafael era um de meus amantes e você o outro. É sério que você achou que eu fui feliz casada com aquele demónio? - Agora eu sei que não meu amor... - Rael pegou nas mãos dela, mas Mônica as retirou. - Eu lamento Rael. Vais ter que fazer mais do que usar estas palavras para recuperar o sentimento que criaste em mim. Maria Fernanda voltou e elas foram embora. Rael as seguiu até ao estacionamento. - Mônica por favor me escute. Me deixe provar que eu te amo. Que eu esperaria mil anos por você. Eu jamais tocaria em você contra a tua vontade. O que eu necessito agora é do teu amor e nada mais. - Você tem o meu amor Rael. Mas terás que merecer novamente a minha confiança. A Pérola sente a tua falta. Vou falar com o meu Pai para que a possas ver na escola. Mas quero que fiques longe de mim. Adeus Rael. Elas foram embora e Rael começou a pensar na melhor forma de se redimir com todos que agora o olhavam com deceção e mágoa. Ele foi até ao seu escritório, e após algumas ligações descobriu onde Matias estava hospedado. Matias tomava o seu café quando Rael entrou de repente e chutou a mesa. - O que é isso? - Isso é o que você terá até sumires desta Ilha. - O Quê? - Isso mesmo. A tua vida está arruinada. A Mônica não é mais a menina de quem você usou e abusou sem piedade. Você nunca mais vai tocar num fio de cabelo dela seu i****a covarde. - Eu não a quero. Mas vou tirar dela a minha filha. - Isso nunca vai acontecer. Porque a minha neta agora é uma Montoya.... - Luís Filipe estava atrás deles e os pegou de surpresa. Matias já o tinha visto várias vezes e sabia bem de quem se tratava, mas nunca pensou que ele fosse o Pai biológico de Mônica. - Senhor Montoya? Eu sou o Rael e... - Eu sei quem é você rapaz. A minha filha só chora e chama por você, mas ela acha que eu não percebo. - Eu lamento imenso Senhor. Eu juro que jamais a magoaria de propósito. - Eu acredito em você. Falamos sobre isso mais tarde. Agora por favor me deixe a sós com este verme. A nossa conversa será bem longa e violenta. Matias continuava sem se mexer. Viu o número de seguranças que estavam a cercar o local e percebeu que não teria como escapar. Rael saiu sem olhar para trás. Ele estava sozinho. - E agora Matias Molina! Eu vou dar a você uma lição da qual jamais vai se esquecer. Você vai se arrepender do dia em que abusou da minha filha e todas as vezes que a magoaste sem piedade. E depois vou garantir que apodreças na cadeia.
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