Mônica levantou cedo apesar de ser domingo. Tinha o dia livre e a saída com Olívia. Estava curiosa para saber quem era a mulher que a poderia ajudar a limpar toda a dor do seu coração.
Quem seria esta mulher de quem Olívia falava com tanto respeito e admiração?
Mônica estava curiosa mas não faria perguntas. Após fazer os seus exercícios matinais, tomou um banho e desceu para preparar o café da manhã. A sua menina ainda dormia feliz por ter se divertido imenso no dia anterior.
- Bom dia.
- Bom dia Olívia. Acordei você?
- Claro que não. Sabes bem que sou de acordar cedo. Vou ajudar você.
Que tal fazermos pão de presunto? A Pérola adora e com certeza vai acordar com o cheiro.
As duas começaram a trabalhar e Olívia estava certa, Pérola desceu correndo após sentir o delicioso cheiro do pão.
- Bom dia Mamã e Vovó.
- Bom dia...- Elas disseram ao mesmo tempo.
- Filha! O que te fez acordar a esta hora?
- Foi o cheiro do pão de presunto Mamã. É o meu favorito.
- Verdade. E aqui tens o suco de laranja com cenoura e hortelã.
Bom apetite querida.
- Obrigada Mamã.
- Querida! Eu e a tua mãe vamos sair. Deixaremos você em casa da Márcia está bem? Depois do almoço vamos pegar você.
- Está bem. Eu gosto da Tia Márcia.
Ela é simpática.
Depois de deixarem Pérola com Márcia, elas dirigiram - se a uma parte da ilha que era tão linda como as outras, mas parecia intocada pela presença humana.
Haviam casas e até carros diante delas, mas o movimento era menor, e aquela hora o silêncio era o único que lá estava presente.
- Onde estamos Olívia?
- No lado mais especial da nossa Ilha. Foi aqui que ela teve origem e também as lendas que a cercam e fazem dela o que ela é hoje.
- Nossa! É tudo tão lindo e sossegado. Parece a página de um livro de contos de fadas.
- Verdade. As pessoas que vivem deste lado são muito especiais.
Elas têm uma aura que deixa a todos nós com excelente disposição.
Caminharam apenas por 5 minutos.
A casa de Ana Rosa era a maior e mais discreta. Olívia tocou a campainha e uma jovem abriu a porta sorrindo para elas.
- Senhora Olívia?!
- Olá Elsa. Como estás?
- Muito bem. Entrem por favor.
A Vovó está esperando vocês.
- Obrigada...- Olívia apresento-lhe Mônica e foram levadas ao jardim que era como um paraíso.
Ana Rosa levantou quando as viu;
- Olívia! Eu ouvi dizer que estavas de volta á nossa ilha, e só esperava pela tua visita. Bem Vinda.
- Olá Ana Rosa. Obrigada. Eu vim para cumprir com a minha palavra.
- Eu sei disso. E quem é esta linda jovem?
- Sou a Mônica Santarém.
- Santarém?! Por acaso a tua Avó se chama Alice Santarém?.
- Sim Senhora. É este mesmo o nome dela. A Senhora a conhece?
- Sim. Mas já passoi tempo demais.
Sentem - se! Como posso ajudar vocês.
A neta de Ana Rosa voltou com sucos e bolos. Em seguida retirou - se.
- Bem Ana! A Mônica é uma mulher especial. Eu a conheço desde menina e.... Ela precisa da tua ajuda para tirar do coração algumas coisas que a estão a magoar.
- Como assim?!
- Tive um casamento forçado á 5 anos. Foi tudo uma armadilha da minha Avó. E foi assim que ela destruiu a minha vida.
- A Alice não mudou nada mesmo.
Bem! Olívia deixas - me a sós com a Mônica por favor?
- Sim está bem. Vou falar com a Elsa.
Ana Rosa pegou na mão de Mônica e notou que ela realmente carregava um peso enorme na alma. Era impossível não sentir o quanto a havia sofrido.
- Fale comigo querida.
Primeiro me conte sobre a tua infância, depois o que aconteceu quando te tornaste adulta e finalmente diz - me tudo o que realmente sentes. Seja positivo ou negativo.
Mônica assim o fez. Contou absolutamente tudo, incluindo o quanto desejava vingar - se de sua Avó.
- Eu nunca imaginei que ela fosse capaz de chegar ao limite da crueldade. E quanto ao homem com quem casaste?
- Ele mesmo afastou - se de mim e arranjou uma amante. Eu fiz um esforço enorme só para o enganar. Não posso nem entrar em contato com a minha melhor amiga para não a colocar em perigo.
Mas sei que ele está nos procurando.
- É uma possibilidade.
E a sua filha?
- Ela morre de medo dele. Desde que estamos aqui já não temos pesadelos. Ele sempre demonstrou que não a quer. Esperava um menino. Eu não tenho medo dele. Pela minha menina sou capaz de tudo. Se ele ousar chegar perto dela, eu o mato.
- Entendo a tua raiva. Mas, ela tem que ser bem direcionada.
Não percas a tua liberdade por causa dele. E quanto ao Rael?
- O que ele tem?
- Quando estás perto dele como te sentes?
- Leve. Ele é gentil, educado e respeita o meu silêncio.
Sabe que algo aconteceu, mas não faz perguntas por respeitar a minha privacidade.
- Gostas dele?!
- Sim. Eu gosto muito. Mas, quando ele se aproxima eu me sinto assustada e... Me afasto. Lembro do que passei e o meu corpo se retrai na hora. Eu quero esquecer, mas é doloroso demais.
- Eu entendo. E tal como disse, vou ajudar-te a ultrapassar isso.
Para poderes confiar num homem novamente levará algum tempo. Mas vais conseguir. Tens sentimentos pelo Rael. Este é o primeiro passo.
- Sim. Ele me convidou para sair.
Vamos apenas jantar e conversar.
- Vês?! Isto é bom. Ele com certeza espera que contes mais de você. Deve estar curioso.
- Eu sei. O que devo fazer?
- Conte por partes. Fala da tua infância. Da tua mãe e do quanto eram felizes. Fala - lhe também sobre a Alice, enfatizando que não têm uma boa reação. E depois que seja ele a falar de si mesmo.
- Entendi. Mas ele não vai perceber que existe mais alguma coisa?
- Sim. Ele vai. Mas deixa claro que contas numa outra ocasião.
Vocês precisam de construir uma base sólida de confiança. Mas tem que ser de forma a garantir que ela não se quebra na primeira ameaça de tempestade.
Quando foram embora, Mônica estava diferente.
Estava a sentir-se mais leve.
- Obrigada Olívia. A Ana Rosa me ajudou muito.
- E pretendes voltar?
- Claro. Venho na terça-feira.
Com certeza terei muito para lhe contar.
Depois de pegarem Pérola, foram para casa. Mônica estava a preparar o jantar quando recebeu uma notificação de e-mail.
Ela abriu e no emissor estavam dois nomes: Maria Elena e Rafael.
Os seus melhores amigos de quem ela não tinha notícias desde a viagem e fuga da casa de Matias.
Ela leu atentamente a mensagem deles.
Amiga querida! Desejamos que estejam bem e seguras. O Matias está louco procurando por vocês. Veio ter connosco e fez várias ameaças. A tua Avó está do lado deles, e até falaram que te iriam denunciar por sequestro de menor, e te acusariam de estar emocionalmente instável.
Fomos seguidos por semanas até o convencer que não sabíamos de vocês. A troca de celular foi necessária. Tenha cuidado amiga. Este homem está doente e obsecado por você. O processo de divórcio saiu. Estás livre dele. És novamente uma mulher solteira. Mas, agora ele vai saber de tudo e as coisas podem piorar. Estamos a nos preparar para ir ter com vocês pessoalmente. Tens que assinar mais um documento. Parabéns querida! Estás livre. Não tens mais que te esconder.
Amamos vocês.
Rafael e Maria Elena.
Mônica leu aquilo emocionada.
Fez uma impressão e deixou Olívia ler. Ela pretendia tirar o sobrenome Molina dos seus documentos e também dos de seja filha.
Mas, ainda tinha que passar por algumas turbulências.