MEU ANJO

1333 Palavras
Mônica levantou cedo apesar de ser domingo. Tinha o dia livre e a saída com Olívia. Estava curiosa para saber quem era a mulher que a poderia ajudar a limpar toda a dor do seu coração. Quem seria esta mulher de quem Olívia falava com tanto respeito e admiração? Mônica estava curiosa mas não faria perguntas. Após fazer os seus exercícios matinais, tomou um banho e desceu para preparar o café da manhã. A sua menina ainda dormia feliz por ter se divertido imenso no dia anterior. - Bom dia. - Bom dia Olívia. Acordei você? - Claro que não. Sabes bem que sou de acordar cedo. Vou ajudar você. Que tal fazermos pão de presunto? A Pérola adora e com certeza vai acordar com o cheiro. As duas começaram a trabalhar e Olívia estava certa, Pérola desceu correndo após sentir o delicioso cheiro do pão. - Bom dia Mamã e Vovó. - Bom dia...- Elas disseram ao mesmo tempo. - Filha! O que te fez acordar a esta hora? - Foi o cheiro do pão de presunto Mamã. É o meu favorito. - Verdade. E aqui tens o suco de laranja com cenoura e hortelã. Bom apetite querida. - Obrigada Mamã. - Querida! Eu e a tua mãe vamos sair. Deixaremos você em casa da Márcia está bem? Depois do almoço vamos pegar você. - Está bem. Eu gosto da Tia Márcia. Ela é simpática. Depois de deixarem Pérola com Márcia, elas dirigiram - se a uma parte da ilha que era tão linda como as outras, mas parecia intocada pela presença humana. Haviam casas e até carros diante delas, mas o movimento era menor, e aquela hora o silêncio era o único que lá estava presente. - Onde estamos Olívia? - No lado mais especial da nossa Ilha. Foi aqui que ela teve origem e também as lendas que a cercam e fazem dela o que ela é hoje. - Nossa! É tudo tão lindo e sossegado. Parece a página de um livro de contos de fadas. - Verdade. As pessoas que vivem deste lado são muito especiais. Elas têm uma aura que deixa a todos nós com excelente disposição. Caminharam apenas por 5 minutos. A casa de Ana Rosa era a maior e mais discreta. Olívia tocou a campainha e uma jovem abriu a porta sorrindo para elas. - Senhora Olívia?! - Olá Elsa. Como estás? - Muito bem. Entrem por favor. A Vovó está esperando vocês. - Obrigada...- Olívia apresento-lhe Mônica e foram levadas ao jardim que era como um paraíso. Ana Rosa levantou quando as viu; - Olívia! Eu ouvi dizer que estavas de volta á nossa ilha, e só esperava pela tua visita. Bem Vinda. - Olá Ana Rosa. Obrigada. Eu vim para cumprir com a minha palavra. - Eu sei disso. E quem é esta linda jovem? - Sou a Mônica Santarém. - Santarém?! Por acaso a tua Avó se chama Alice Santarém?. - Sim Senhora. É este mesmo o nome dela. A Senhora a conhece? - Sim. Mas já passoi tempo demais. Sentem - se! Como posso ajudar vocês. A neta de Ana Rosa voltou com sucos e bolos. Em seguida retirou - se. - Bem Ana! A Mônica é uma mulher especial. Eu a conheço desde menina e.... Ela precisa da tua ajuda para tirar do coração algumas coisas que a estão a magoar. - Como assim?! - Tive um casamento forçado á 5 anos. Foi tudo uma armadilha da minha Avó. E foi assim que ela destruiu a minha vida. - A Alice não mudou nada mesmo. Bem! Olívia deixas - me a sós com a Mônica por favor? - Sim está bem. Vou falar com a Elsa. Ana Rosa pegou na mão de Mônica e notou que ela realmente carregava um peso enorme na alma. Era impossível não sentir o quanto a havia sofrido. - Fale comigo querida. Primeiro me conte sobre a tua infância, depois o que aconteceu quando te tornaste adulta e finalmente diz - me tudo o que realmente sentes. Seja positivo ou negativo. Mônica assim o fez. Contou absolutamente tudo, incluindo o quanto desejava vingar - se de sua Avó. - Eu nunca imaginei que ela fosse capaz de chegar ao limite da crueldade. E quanto ao homem com quem casaste? - Ele mesmo afastou - se de mim e arranjou uma amante. Eu fiz um esforço enorme só para o enganar. Não posso nem entrar em contato com a minha melhor amiga para não a colocar em perigo. Mas sei que ele está nos procurando. - É uma possibilidade. E a sua filha? - Ela morre de medo dele. Desde que estamos aqui já não temos pesadelos. Ele sempre demonstrou que não a quer. Esperava um menino. Eu não tenho medo dele. Pela minha menina sou capaz de tudo. Se ele ousar chegar perto dela, eu o mato. - Entendo a tua raiva. Mas, ela tem que ser bem direcionada. Não percas a tua liberdade por causa dele. E quanto ao Rael? - O que ele tem? - Quando estás perto dele como te sentes? - Leve. Ele é gentil, educado e respeita o meu silêncio. Sabe que algo aconteceu, mas não faz perguntas por respeitar a minha privacidade. - Gostas dele?! - Sim. Eu gosto muito. Mas, quando ele se aproxima eu me sinto assustada e... Me afasto. Lembro do que passei e o meu corpo se retrai na hora. Eu quero esquecer, mas é doloroso demais. - Eu entendo. E tal como disse, vou ajudar-te a ultrapassar isso. Para poderes confiar num homem novamente levará algum tempo. Mas vais conseguir. Tens sentimentos pelo Rael. Este é o primeiro passo. - Sim. Ele me convidou para sair. Vamos apenas jantar e conversar. - Vês?! Isto é bom. Ele com certeza espera que contes mais de você. Deve estar curioso. - Eu sei. O que devo fazer? - Conte por partes. Fala da tua infância. Da tua mãe e do quanto eram felizes. Fala - lhe também sobre a Alice, enfatizando que não têm uma boa reação. E depois que seja ele a falar de si mesmo. - Entendi. Mas ele não vai perceber que existe mais alguma coisa? - Sim. Ele vai. Mas deixa claro que contas numa outra ocasião. Vocês precisam de construir uma base sólida de confiança. Mas tem que ser de forma a garantir que ela não se quebra na primeira ameaça de tempestade. Quando foram embora, Mônica estava diferente. Estava a sentir-se mais leve. - Obrigada Olívia. A Ana Rosa me ajudou muito. - E pretendes voltar? - Claro. Venho na terça-feira. Com certeza terei muito para lhe contar. Depois de pegarem Pérola, foram para casa. Mônica estava a preparar o jantar quando recebeu uma notificação de e-mail. Ela abriu e no emissor estavam dois nomes: Maria Elena e Rafael. Os seus melhores amigos de quem ela não tinha notícias desde a viagem e fuga da casa de Matias. Ela leu atentamente a mensagem deles. Amiga querida! Desejamos que estejam bem e seguras. O Matias está louco procurando por vocês. Veio ter connosco e fez várias ameaças. A tua Avó está do lado deles, e até falaram que te iriam denunciar por sequestro de menor, e te acusariam de estar emocionalmente instável. Fomos seguidos por semanas até o convencer que não sabíamos de vocês. A troca de celular foi necessária. Tenha cuidado amiga. Este homem está doente e obsecado por você. O processo de divórcio saiu. Estás livre dele. És novamente uma mulher solteira. Mas, agora ele vai saber de tudo e as coisas podem piorar. Estamos a nos preparar para ir ter com vocês pessoalmente. Tens que assinar mais um documento. Parabéns querida! Estás livre. Não tens mais que te esconder. Amamos vocês. Rafael e Maria Elena. Mônica leu aquilo emocionada. Fez uma impressão e deixou Olívia ler. Ela pretendia tirar o sobrenome Molina dos seus documentos e também dos de seja filha. Mas, ainda tinha que passar por algumas turbulências.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR