Henry narrando
Hoje era o terceiro dia.
O dia em que os médicos disseram que a Sophia iria acordar.
Ainda eram 11h30 da manhã, e ela ainda não tinha acordado, acho que eu devo estar muito ansioso.
Mas é claro.. ela ainda vai precisar dar depoimento aos policiais.
E registrar um B.O contra a própria "mãe"
A Renata, amiga dela, andava de um lado pro outro no hospital, nervosa.
Vi os médicos vindo na minha direção com uma cara péssima.
- O que aconteceu, doutor? "Eu e a Renata acabamos falando ao mesmo tempo"
- Eu sinto muito mas.... A paciente acordou e está ótima! "Responde ele com um sorriso"
- Ufa! Meu Deus, que alívio. Que susto, quase que nos infarta! "A Renata diz"
- E ela já pode receber visitas, doutor? "Pergunto"
- Pode sim, mas um de cada vez. O senhor Henry vai querer ir primeiro?
- Sim, eu vou primeiro, preciso muito ver ela.
Falei e eu e ele fomos até a sala.
- Se houver qualquer problema, chame as enfermeiras. "O médico falou e saiu"
Eu estava tão nervoso que poderia morrer.
Botei a mão na maçaneta da porta e a abri.
- DADDY!!!! "Escuto a voz meiga dela me chamando e me derreto"
- Meu amor... Você nos deixou tão preocupados! "Falei enquanto envolvia ela nos meus braços"
- Daddy.. a minha mãe.. ela mandou o meu padrasto me levar pra ela.. daddy, eu tentei me defender.. mas não consegui. não consigo me lembrar de mais nada, só da Renata chegando e acertando ele.. o que aconteceu, daddy? "Ela falava muito rápido e eu tava nervoso"
- Baby.. a sua amiga salvou sua vida. Ela... matou o seu padrasto. "Falei e vi a expressão assustada dela"
- Mas.. mas.. daddy, como? a família dela vai surtar.. a minha mãe vai surtar e vai vim atrás de todos nós! meu deus, eu acabei com a vida de todo mundo.
- Meu amor, você precisa contar aos policiais que a sua amiga agiu por legítima defesa, ela não o matou só por m***r. E.. precisa fazer um boletim de ocorrência contra a sua mãe. Você não acabou com a vida de ninguém, fica calma, tudo vai se resolver. "Falo ainda abraçando ela"
- Daddy... eu só quero que nada aconteça com minha amiga.. eu sei o quão r**m a família dela pode ser.. farei o que for preciso pra que o caso não vá ao público.
- Baby, você já comeu? Eu trouxe suas roupas, sua mamadeira, sua chupeta... "Falo mostrando tudo que trouxe"
- Que saudades da minha pepeta! "Ela diz e toma da minha mão rapidamente e eu rio."
Estou tão aliviado que ela está bem.. eu pensei que ela não acordaria bem e estável mentalmente. Mas a minha bebê está bem.
Ajudei ela a tomar banho, e ela tava diferente.. bem falante.
Isso é bom, significa que ela confia mais e mais em mim.
- Daddy, eu quero vestir esse vestido aqui, ele é mais fresquinho! "Ela aponta pra um vestido com estampa de cerejas, curto, mas não tanto, e eu pego"
Vesti nela uma calcinha na cor rosa, com desenho de ursinhos, coloquei também o protetor diário nela.
Depois de deixar ela pronta, ficamos esperando a enfermeira chegar pra informar quando ela poderia ir pra casa.
- Daddy.. quando os policiais vão vim? "Ela perguntou me olhando preocupada"
- Daqui a duas horas, o médico informou a eles que você acordou bem e pronta pra relatar tudo que aconteceu.
Me lembrei de uma coisa...
Ele não tocou nela.. né?
- Baby, eu preciso que confie em mim agora e me conte uma coisa. "Me abaixei ficando quase do tamanho dela, e a olhei sério"
- Sim papai.. pode falar, eu fiz alguma coisa errada? "Ela pergunta toda fofinha e minha vontade é de beijar ela toda"
- Não meu amor, você não fez nada. Mas.. o seu padrasto, ele.. ele não.. tocou em você né?
Ela empalideceu.
- Daddy.. ele.. me bateu muito na barriga, me deu chutes.. mas, quando ele ia me tocar.. foi quando a Renata chegou e impediu.
Ela disse e eu senti meu sangue ferver, que bom que a amiga dela acabou com ele, se ela não fizesse, eu mesmo faria. Desgraçados! Ele e a mãe dela são dois filhos da p**a. E eu sei que ela pode estar de olho em nós..
Por isso mesmo já contratei vários seguranças pra fazerem a ronda na nossa casa.
- Daddy quero ver a Renata! "Ela diz puxando a manga da minha camisa"
- Vamos ver ela.. o médico tinha dito que só eu poderia entrar aqui, e ela depois, mas, vendo você assim bem, é bem provável que já podemos ver ela.
Peguei a mão dela e fomos pra fora do quarto. E eu vi a amiga dela de cabeça baixa, e desanimada.
Deixei a Sophia ir até ela sozinha e a expressão de sua amiga mudou na hora, era como se ela estivesse até vendo um fantasma.
As duas se abraçaram e ficaram sentadas conversando um tempão.
Decido ir até a lanchonete do hospital e levar alguns lanches pra ela.. e obviamente, eu vou perguntar pra alguma enfermeira ou ao médico o que ela pode comer.
Vi o médico de costas conversando com um policial, e o chamei.
- Doutor...?
- Olá, Henry. Pode me chamar de Philippe.
- Doutor Philippe, como já te informaram, a Sophia acordou bem, bem até demais até.. eu queria saber sobre a alimentação dela. O que ela pode e não pode comer por enquanto?
- Então senhor Henry.. apesar da agressão que ela sofreu, por algum milagre, nenhum órgão foi afetado, e ela também não sofreu nenhum trauma. Ela pode continuar com a mesma alimentação de sempre. "Ele diz e eu suspiro aliviado"
Peguei dois mistos pra minha baby, porquê eu sei que ela deve estar faminta, e peguei dois mistos pra amiga dela também, suco de laranja natural e pronto.
Eu iria comer um misto com café mesmo.
Eu amo café.
Não mais do que amo a Soph.. enfim.
Voltei até onde elas estavam, e confesso que fiquei com medo de ter acontecido alguma coisa de novo.
Eu sei que a amiga dela não tem culpa de nada, inclusive a defendeu e salvou ela.. mas, sei lá.
E lá estavam elas.. sorridentes e mais unidas.
Entreguei o lanche pras duas e fiz carinho no cabelo da minha baby.
- Come tudinho tá bom meu bebê? "Falo e minha baby assente com a cabeça, na verdade... Ela já estava devorando tudo."
- Idiotas, não me deixem de vela, aff! "Diz a Renata emburrada mas logo ela dá risada"
O clima estava bom.
Estávamos todos bem.
Eu estava muito mais aliviado agora.
Agora temos que focar no caso da amiga dela.
E faremos de tudo pra ser solucionado sem ninguém saber.