Capítulo 7 - Despedidas

1501 Palavras
Jason A casa estava envolta em silêncio. Minha mãe dormia profundamente, e as luzes estavam apagadas. Mas eu não conseguia descansar. O jantar com Alex mexeu comigo de um jeito que eu não queria admitir. Cada minuto em que Clara esteve longe parecia uma afronta, uma confirmação de que ela estava escapando de mim, novamente e agora eu já não posso fazer mais nada. Quando ouvi o som suave da porta se fechando, soube que era ela. Levantei da cama sem pensar, guiado por um impulso que eu não entendia bem. Eu precisava vê-la. Precisava entender por que, mesmo depois de tudo, ela ainda conseguia me deixar assim: inquieto, confuso e com raiva ao mesmo tempo. Porém, a necessidade de senti-la novamente é mais forte que eu. Abri a porta do quarto dela sem bater, como sempre fazia. O direito de invadir o espaço dela havia se tornado um hábito difícil de largar. Mas, dessa vez, o que vi me tirou o fôlego. Clara estava sentada na cama, uma mala aberta ao lado. Que p***a é está acontecendo? — O que é isso? — Minha voz saiu mais fria do que eu pretendia. Ela ergueu os olhos devagar, parecendo exausta. O olhar dela era o de alguém que já havia tomado uma decisão irreversível. — Estou indo embora, Jason. Acho que já deu. Não vou suportar a ideia de ter que suportar vê-lo todos os dias. Não mais. Aquelas palavras cravaram-se no meu peito como uma faca. Ela falava com uma calma perturbadora, como se aquilo fosse inevitável. — Por quê? Sabe que eu... Clara suspirou, continuando a dobrar suas roupas e colocando-as na mala com uma serenidade que me deixou ainda mais furioso. — Porque você tem uma noiva e a ideia de te perder novamente me assusta, mais do que deveria. A verdade que eu tentava evitar agora estava ali, crua e incontornável. Minha mandíbula se contraiu, e uma mistura de culpa e frustração queimou dentro de mim. — Amélia não significa nada para mim. Eu agir por impulso e agora já não tem mais volta. Ela soltou uma risada amarga, como se a minha resposta fosse mais uma mentira dentre tantas outras. — Engraçado. Se não significa nada, por que está com ela? E por que a escondeu de mim? Mas eu não te culpo, você sempre agiu por impulsos. O impacto das palavras dela foi brutal. Clara sempre soube enxergar através das minhas defesas. — Não é tão simples assim. Você não entenderia. — Para você nunca é, não é? — Clara me encarou com uma expressão cansada, mas determinada. — Você me beija, me confunde, mas está noivo de outra mulher. E eu... Eu não posso mais viver assim. Não posso ser o seu erro secreto, Jason. Vai dizer que só está com ela porque se sentia solitária enquanto estava na Marinha? Eu sempre fui um erro na sua vida, só eu que estava cega. Dei um passo à frente, segurando o pulso dela, não com força, mas com desespero. — Você não é um erro, Clara. Nunca foi. Ela fechou os olhos por um instante, e vi lágrimas começarem a se formar. — Então por que parece que sou? — A voz dela estava embargada, mas cheia de uma dor contida. — Por que você nunca me pediu para ficar, Jason? Você sempre me viu como a última opção, e como bem sabemos, você nunca fica sem opções. A pergunta que eu evitava há anos finalmente foi dita. E eu não tinha uma resposta. Porque a verdade era que eu sempre a deixei ir, com medo de querer mais do que eu podia ter. — Eu não soube como ficar. Você é boa demais para mim, eu não podia destruir sua vida novamente. Clara soltou o ar lentamente, como alguém que finalmente aceitou a derrota. — E agora é tarde demais, porque você me destituiu e destrói sempre que me trata como um nada, exatamente como está fazendo agora. — Não precisa ser assim. Não precisa ir embora. — Minha voz saiu rouca, quase um sussurro. — Fica, Clara. A gente pode... Ela me interrompeu, balançando a cabeça. — Não há mais “a gente”, Jason. Há você e a sua noiva. Eu não quero ser a mulher que fica à margem, esperando por migalhas. Eu mereço mais que isso, Jason. — Eu sei que merece, mas não vai embora. Me deixa consertar tudo isso. Eu vou... encontrar um jeito de acabar com tudo isso. — JÁ CHEGA! — Pela primeira vez eu a vi gritar, deixando exposta sua raiva por mim. — Não tem mais sentido, nada disso tem mais sentindo, Jason. Você já escolheu e como sempre, NÃO FOI EU. A dor em suas palavras foi um golpe preciso, deixando-me paralisado por um momento. — Amélia não importa. Clara riu, mas havia mais tristeza do que ironia naquele som. — Então por que está com ela? Para me fazer de i****a sempre que vê-los juntos? Não respondi. Porque a verdade era tão feia quanto óbvia: Amélia era segura, previsível. Ela não fazia meu mundo desmoronar como Clara fazia. E agora, eu estava prestes a perder o que realmente importava. Clara A mala aos meus pés era pequena, mas parecia carregar o peso de toda a minha vida. Sair daquela casa era a única decisão que ainda fazia sentido. Eu não suportava mais viver cercada pelas memórias de algo que nunca foi meu de verdade. Jason se mantinha ali, parado no meio do quarto, como se tentasse encontrar uma forma de me prender. Mas ele não podia. Ele já havia feito sua escolha. Estou cansada de ser tratada como um nada por ele, e isso está me corroendo por dentro de uma forma dolorosa. — Não vou deixar você ir assim. — A voz dele soava firme, mas havia uma nota de desespero ali. Olhei para ele, exausta. Eu já estava cansada de lutar contra o inevitável. — Você não tem esse direito, Jason. Não depois de tudo. Ele passou a mão pelos cabelos, frustrado. — Não foi assim que eu queria que as coisas fossem, Clara. Droga! — Mas é assim que elas são. — Meu tom era firme, mas meu coração doía com cada palavra. — E agora eu preciso seguir em frente. Sem você deixar que me domine. Ele se aproximou de mim, tão perto que o cheiro dele invadiu meus sentidos. Por um momento, senti a tentação de ceder, de ficar. Mas me forcei a lembrar de Amélia e do lugar que ele tinha dado a ela, o lugar que nunca foi meu. — Ficar não vai mudar o que você sente por ela, Jason. — Minhas palavras eram um sussurro carregado de dor. Ele balançou a cabeça, como se quisesse negar o óbvio. — Eu nunca senti por Amélia o que sinto por você. Você sempre foi a minha garota, Clara. Fechei os olhos por um instante, tentando afastar a dor que crescia dentro de mim. — Mas você escolheu ela. — Respondi fria, me afastando dele, porque eu sei o tamanho da tentação que é ficar perto demais. O silêncio que se seguiu foi mais pesado do que qualquer argumento que ele pudesse oferecer. — Clara... — Ele tentou me tocar, mas eu dei um passo para trás. — Não faz isso, Jason. Não torna as coisas mais difíceis do que já são. Ele ficou imóvel, os olhos queimando com emoções que ele não conseguia expressar. Eu sabia que ele estava quebrado, mas não era mais minha responsabilidade consertá-lo. — Vou embora amanhã cedo. — A voz saiu baixa, mas firme. — Já é hora de eu viver a minha vida. Jason ficou em silêncio, e por um momento pensei que ele fosse insistir. Mas, finalmente, ele aceitou. Ou, pelo menos, fingiu aceitar. — E acha que vai encontrar a paz sozinha? — perguntou, a voz baixa e amarga. Olhei para ele uma última vez, o coração pesado. — Sim, eu acho. Sem esperar por uma resposta, voltei minha atenção para a mala e continuei a arrumar minhas coisas. Não havia mais nada a ser dito. A escolha já estava feita. E desta vez, não havia volta. Jason Observei Clara continuar a dobrar suas roupas, cada movimento um lembrete doloroso de que ela estava realmente indo embora. Ela estava escapando de mim, e eu não sabia como detê-la. Poderia ter dito algo, implorado para ela ficar. Mas sabia que não faria diferença. Eu a perdi no momento em que escolhi o conforto de uma promessa vazia com Amélia. Quando Clara terminou de arrumar a mala, me virei e saí do quarto em silêncio, sentindo o peso da decisão dela como uma âncora. Sabia que não conseguiria dormir. Porque, pela manhã, ela se iria. E, com ela, tudo que eu realmente queria. Pela primeira vez estava desesperado e sem saber como consertar as coisas. Tudo que eu amava estava indo embora e eu não posso fazer nada.
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