CAPÍTULO 1

1373 Palavras
Palácio Graham Londres "Ninguém faz o seu próprio destino… se fosse assim, tudo na minha vida hoje seria diferente... Mas tudo foi um propósito, nada por acaso. O destino preparou-me uma vida totalmente ao contrário do que eu sonhava..." Charles entra no meu quarto seguido pelo irmão Henrique, cambaleando com as perninhas não tão firmes. Seguem na minha direção e com uma vontade imensa abraçam-me apertado. Meus filhos. Os meus dois lindos filhos. Henrique se joga no meu colo, pobrezinho. Não entende a minha angústia. Só tem dois anos. Charles ergue a cabeça e me olha fixo alisando o meu rosto. Também não faz ideia do que está a acontecer. Mas é um menino muito esperto para três anos. Sente que algo não está bem, que eu não estou bem. Enquanto Henrique brinca de pular no meu colo, Charles abraça-me, tentando, da forma dele, dizer que tudo vai dar certo... Mas será que vai? Voltar para Londres mudou a minha vida por completo. Eu só queria visitar o meu tio Rick e tentar convencê-lo de ir embora comigo,e eu teria conseguido se eu não encontrasse o Brian Leonel e toda aquela paixão da infância revivesse de novo no meu coração. Por amor a ele, que foi tão intenso, fui a prolongar a minha estadia em Londres. Era tudo o que eu mais queria, ser feliz ao lado do homem que eu amava intensamente. Eu estava apaixonada, feliz disposta a tudo para viver aquele amor... Só que nem tudo é como a gente quer... A vida pregou-me uma peça. Virei uma obsessão de um rei arrogante, impiedoso, que usava as mulheres como um objeto s****l que tinha a hora que queria, me fazendo perder o controle da minha vida para viver somente o que ele me permitia viver... Sou Alana Dewit E essa é minha história... ***** Londres 1810 Na viagem que seria apenas uma simples visita, depois de dez anos... O navio atracou no velho porto de Londres às dez horas em ponto, olhei ao redor e tudo estava exatamente igual, como da última vez que vi. Quantas saudades eu senti daquele lugar, nos primeiros quatro anos longe de Londres eu ainda chorava muito, ainda mais quando recebia as cartas do Brian, umas centenas por ano, até não recebê-las mais... Por algum motivo deixou de me escrever, e o meu tio também não me contara de fato o que havia acontecido, em uma das cartas só havia escrito que a mãe de Brian morreu e o pai dele havia aparecido e o levado embora da aldeia. Claro que fiquei alegre por ele, já que sempre dizia que queria muito conhecer o pai, o mesmo que abandonou a sua mãe e ele quando ainda era um bebê. Mas também fiquei triste, pois nunca mais recebi nenhuma carta sua, muito menos sabia do seu paradeiro. Bom, o meu propósito ali era convencer o meu tio Rick a ir para Espanha comigo, na sua última carta, a sua resposta não me convenceu muito. Ele já estava velho, doente, não podia mais continuar sozinho levando o armazém nas costas. Ele precisava de mim, só não admitia. Por falar nele, lá estava o baixinho velhote passando pela multidão segurando o seu chapéu para não voar com o vento forte que soprava. O seu semblante estava caído, cansado, havia envelhecido mais vinte anos que o normal. Ele puxou do bolso do colete o seu relógio e olhou a hora. Sim, ele estava atrasado dez minutos. Soltei um sorriso e esperei ele olhar para frente,o que logo aconteceu. Acenei, ele parou e olhou para trás, queria ter a certeza de que era com ele mesmo. Peguei a minha bagagem e fui em direção ao velho sério e confuso. — Sou eu mesmo, tio. Olhou-me de cima a baixo ainda sem reconhecer. —Alana?—passou a mão no meu rosto.—Meu Deus. É você mesmo! Abriu os braços emocionado. Sem demora o abracei saudosa, a última vez que eu o abracei assim foi quando eu fui embora, naquele mesmo lugar. —Sim,tio. Que saudades! Não Segurei a emoção, quando dei por mim, já chorava. — Meu Deus! Que moça linda você se tornou, filha. Ele segurou o meu rosto entre as mãos, o meu tio era um tanto durão, era muito difícil vê-lo chorar. Nem quando perdeu o irmão… meu pai… para a peste. — E o senhor está muito pálido. Tem se alimentado direito? Ele cerrou os dentes, mas de fato, pude comprovar ali que ele precisava realmente de mim. — Vamos, filha. Onde estão as suas bagagens? — Tudo que eu preciso está aqui. Ele olhou para a pequena bagagem na minha mão. — Só isso? — Sim, tio. Não pretendo ficar muito tempo. Só vim para convencer o senhor de ir embora comigo para a Espanha. Ele franziu o cenho e estalou os dentes. — Achei que já havia respondido na última carta que enviei. — Sim, mas não me convenceu. Emburrou a cara. — Estou louca para chegar na aldeia, tio. Senti tanta falta. —Então vamos. Quis levar a minha bagagem, mas eu não permiti, dei algumas moedas para um homenzinho para levar até a aldeia. O meu peito ardeu de saudade quando cheguei naquele lugar, as crianças brincavam no campo, como eu fazia, as pessoas cumprimentavam tio Rick e também a mim, o povo daquela aldeia sempre foi cortês e humilde. Uma linda menininha veio na minha direção e entregou-me uma flor, sorriu e saiu correndo risonha. Olhei para o meu tio, ele parecia cansado, uma pontada de preocupação abateu-me. Ele não estava bem, eu tinha que convencê-lo a ir embora comigo, na Espanha eu poderia cuidar bem dele, estaria perto de mim e eu perto dele. —Chegamos ,filha. Ah aquela casinha... Quantas coisas boas eu vivi ali com os meus pais, meus pais queridos… ainda fico triste só de lembrar deles, se a minha mãe estivesse viva, certamente a minha vida seria totalmente diferente. Não seria obrigada a me tornar o que me tornei hoje... Mas tudo tem um propósito... Tudo estava quase igual, a pintura estava apagada, o jardim que mamãe cuidava com tanto amor, não estava mais florido, estava morto, seco. Os móveis eram os mesmos, tio Rick não havia mudado nada, tudo estava no seu devido lugar. A lareira estava acesa, e fiquei em pé olhando as chamas consumirem a madeira. Vi a cadeira de balanço diante da lareira que era da minha mãe, a imagem dela sentada ali me veio a cabeça. Naquele dia eu brincava com o Brian no jardim, eu caí e machuquei o meu joelho, entrei chorando e ela estava ali, sentada se aquecendo do frio que estava. Ela olhou-me e estendeu os braços para mim, eu corri para ela, e pegou-me no colo, olhou a ferida e começou a cantar para mim. A sua voz doce e suave acalmava-me sempre. Logo não chorava mais. No dia seguinte, ela ficou doente... — Obrigado, filho. Tio Rick agradecia ao jovem que logo se virou e foi-se. — Tio, deixa isso. Eu guardo. Aproximei-me e peguei a bagagem das suas mãos trémulas. — Preparei o quarto que foi dos seus pais. Olhei para ele emocionada. —Venha. Em passos lentos eu segui-o. Tio Rick abriu a porta e eu fui a entrar olhando tudo. — Na verdade, está do mesmo jeito que a sua mãe deixou. Tudo organizado e bem limpo e perfumado. O cheiro que a minha mãe adorava, o cheiro de flores. —Obrigada,tio. Abri um sorriso para ele que me retribuiu. — Vou preparar um chá. Foi saindo em passos forçados, m*l conseguia ficar de pé. Joguei-me na cama assim que ele fechou a porta, quantas noites eu dormi ali no meio dos meus pais, principalmente quando tinha tempestades. Fechei os olhos e voltei ao passado, quando eu era feliz, tinha uma vida simples, minha mãe costureira e meu pai comerciante, mas eu era feliz… como eu era... Eu acabava de arrumar as minhas coisas quando tio Rick bateu na porta. Autorizei a sua entrada e logo o seu rosto velho e cansado surgiu, ele estendeu a bebida para mim e eu peguei, o sabor era adocicado. — Então,fale-me sobre a Espanha?
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