Eleanor Quando entro na cozinha na manhã seguinte, vejo Mateo já sentado à mesa. Seus olhos estão fixos em um ponto qualquer, mas sua mente, com certeza, está longe dali. — Bom dia — digo, hesitante. Ele demora um segundo para responder, como se minha voz precisasse atravessar uma espessa camada de pensamentos antes de alcançá-lo. — Ah... bom dia — diz ele por fim, erguendo os olhos para mim. Mas seu tom é opaco, carregado. Há algo errado. Mais do que o normal. — Você parece... preocupado. Mais do que o habitual, se é que isso é possível — comento, tentando soar casual, mas a tensão já está enroscada no meu estômago. Mateo suspira, afasta a xícara à sua frente e me encara por um instante antes de falar. — Tivemos uma visita ontem à noite — diz, direto, sem nenhum rodeio. Paro no

