Capítulo 5

4333 Palavras
William se sentiu tentado demais ao ver Eliza sorrindo, deitada daquele jeito no trono, vestida de pijama, com os cabelos caindo pelo braço da bancada. Assim que ela se levantou e voltou para seu quarto, ele não resistiu e escreveu para ela, respondendo a sua mensagem. Boa noite, Eliza, Que bom que já está usando seu aparelho, espero que esteja acordada até essa hora porque está fazendo o seu serviço. Tenha um boa noite, nos vemos no sábado. William Firenze. Após enviar ele ficou se sentindo ridículo por ser tão rude com ela, quando na verdade queria saber se toda aquela alegria era por causa do emprego. Ou se era por ele. Boa noite, senhor Firenze, Muito obrigada pelo aparelho. Quanto ao meu trabalho eu já concluí desde a tarde e já refiz toda a sua agenda, o senhor pode conferir as atualizações feitas do seu equipamento. Espero que não esteja acordado até o momento por ter insônia. Atenciosamente, El Iza. Escreveu seu nome com um espaço entre ele de maneira proposital. Receber uma mensagem de seu chefe àquela hora da noite mexeu com ela. Bem mais do que devia. Ela sabia que não era o momento ideal para fazer o tal teste, contudo não resistiu a mandar uma mensagem subliminar. Quando William recebeu a notificação primeiro se questionou como ela conseguira fazer tudo tão rapidamente. Em seguida pegou seu tablet para conferir a sua agenda confirmando a verdade nas palavras da assistente e por fim, quando leu o recado sobre a insônia sorriu, mas seu sorriso murchou ao ver o Iza destacado do nome dela. — Então ela se lembra, ou foi apenas um erro de digitação? — O Firenze começou a pensar em como seria se ela tivesse o reconhecido e acabou por decidir que fingiria que ele não se recordava dela. Ele refletiu sobre o que responderia: Eu não sofro de insônia, Eliza. Estou trabalhando, fazendo os slides da minha apresentação de sábado. Estou para passar para a senhorita fazer, já que é tão ágil. Estou curioso para saber como conseguiu fazer tudo tão rápido. Conte-me! William. Ela sorri, pois agora a mensagem não possuía sobrenomes. Parecia mais íntimo. Aquilo era arriscado e perigoso, mas ela não sentia vontade alguma de parar. Essa foi fácil senhor, eu apenas acessei os dados de registros dos funcionários via tablet e os transferi via Bluetooth para o aparelho celular. Quanto à apresentação, seria um prazer ajudá-lo! Estou aqui para isso. Isto, claro, se achar que sou capaz. Tenha uma boa noite, Eliza. William se sentiu abalado. Seria um erro trazê-la até o seu lar e deixar que ela o ajudasse? Será que tudo fugiria do profissional? Ou ele poderia desfrutar de sua companhia e fazer seu papel de antipático para que ela se mantivesse longe? Escreveu em resposta: Quais são meus compromissos amanhã no horário da manhã? Ou qual o horário que eu tenho disponível amanhã para fazermos esse trabalho juntos? Estou preocupado demais com essa apresentação. Ele esperou ansioso para que ela respondesse. Contou até cinco, como era o tempo em que todas levavam para respondê-lo e nada. Sorriu. Aquela garota não era igual a ninguém. Era Iza, aquela Iza. Verifiquei sua agenda de amanhã, porém o senhor só está livre a partir das sete horas da noite. Amanhã durante todo o dia estará em reuniões com seus gerentes de hotéis aqui da ilha. Terá uma pequena pausa para um almoço com uns fornecedores e retornará às reuniões. Ele já sabia de sua agenda, havia visualizado a planilha nova que ela criou. Então digitou. Coloque em minha agenda que amanhã a partir das 19h estarei em uma reunião com a senhorita. Não se preocupe com seu deslocamento, meu motorista irá buscá-la e levá-la antes da meia-noite. Prometo! Sem perceber ele deixou uma dica para Liz. Pegou seu tablet e na mesma hora apareceu seu compromisso. Ele ri. Está marcado Sr. Firenze. Boa noite! Até amanhã! William preferiu não responder à mensagem de Liz. Falar com ela mexia demais com seus sentimentos. Ele que estava de pé, rodando de um lado para outro, se joga na cama e misteriosamente dorme tão logo se deita, com um sorriso no rosto que não queria deixá-lo. Já Liz permanece deitada em sua cama lendo repetidas vezes aquelas mensagens que falavam apenas de trabalho, porém imaginando como seria se fosse verdade que depois de tantos anos, ela reencontrara o rapaz misterioso que lhe tomou um beijo e o seu coração. O que ela faria caso se confirmasse? Ela acredita que jamais teria coragem de contá-lo, a menos que acontecesse outra vez aquele encanto. Prometeu a si que seria a melhor assistente pessoal que William já tivera. Que ela não iria confundir as coisas e deixar que ele a quebrasse por dentro. Ela sabe que no fim das contas, depois do que aconteceu com ela no passado, não seria capaz de se entregar — não completamente — a alguém. E que um homem como William Firenze jamais ficaria com ela sem passar para algo mais, exatamente como o rapaz daquela noite. Mas se Will fosse William realmente, ela queria ser sua amiga. A melhor amiga! Só para poder lhe amar de perto, e ser feliz com sua felicidade. Vigiar a pessoa que ele escolhesse e ajudá-lo em tudo que precisasse. Quem sabe até ela não escolhesse outro curso de graduação apenas para se mantiver perto dele? O dia amanheceu e bem cedo William se levantou. Foi até a cozinha, bateu sua vitamina de toda a manhã, bebeu e saiu para correr dando a volta em sua pista de corrida particular no entorno da mansão. Ele corria com fones no ouvido, ouvindo músicas dance típicas de corrida e academia. Executou cinco voltas totalizando 10 km. Gastou 40min, um excelente tempo. Ficou satisfeito com seu resultado. Entrou em casa e foi direto para o banho, antes pegou o seu celular e verificou se tinha mensagens de Eliza. Nenhuma. Curioso para saber dela, rastreou o celular pelo GPS, e para sua surpresa e irritação, ela estava no porto. Um lugar que ele exigiu que ela não estivesse. Largou o celular na cama com força e foi para o banho. Assim que se vestiu, desceu as escadas. Iolanda — a cozinheira — já havia chegado. — Bom dia meu menino! — Iola, como Will a chamava, o conheceu desde pequeno e por isso o amava demais. Fora que William era uma pessoa muito afetuosa e que tratava seus funcionários como familiares. — Eita, mas que cara azeda é essa? — Azedo mesmo, estou completamente azedo. Dei uma ordem a uma funcionária nova e ela descumpriu. Odeio quando isso acontece! — Rosnou e Iola fez um bico. A mulher colocou as panquecas no prato dele e serviu seu café, com as três colheres de açúcar que ele gostava. Ele comeu muito rápido, provando que estava realmente irritado. Por um momento Iola sentiu pena dessa nova funcionária. Ele limpou a boca e jogou o guardanapo em cima da mesa com uma força desnecessária, empurrou a cadeira para trás, encostou-se a Iola, beijou sua testa agradecendo a refeição e saiu. Juvenal estava molhando as plantas da mansão quando o chefe chegou. — Bom dia William! — Bom dia Juvenal! Quero que me leve até a Vila, mais precisamente no porto. Quero saber se minha assistente está lá. Quero ver com meus próprios olhos se ela descumpriu as minhas ordens. — Bradou raivoso. Juvenal assentiu e arregalou os olhos antes de entrar no carro, pedindo intimamente a Deus para tirar Eliza de lá, caso ela estivesse. Eles descem a montanha e passam pelo portão de castelo, pela casa de Eliza e seguem em direção ao porto, descendo a preciosa ladeira. Ao chegar à entrada do porto, avistam Eliza sentada na beirada da ponte do cais junto com um rapaz loiro e de cabelos lisos compridos, sorrindo demasiadamente. Juvenal espia o chefe pelo espelho interno central e vê as narinas de William abrirem e fecharem. Sua raiva é tamanha que pela primeira vez, ele salta daquele carro e vai até o casal. — Eliza! — Chama-a com uma voz grave, fazendo Liz dar um pequeno pulo de susto. — Sr. William? — Ela fica muito surpresa ao vê-lo ali. E tão cedo. — Me acompanhe até o carro. — O chefe profere. Ela olha para Maurício que estranha tudo aquilo. A expressão de William é de poucos amigos. Ele sequer deu bom dia a ninguém. Liz se levanta e se despede de Maurício com um beijo em seu rosto fazendo William morder os lábios de ódio. Ela volta-se para o CEO encarando-o ainda sem entender nada e o acompanha até seu veículo. Assim que eles adentram, o chefe começa a falar. — Eliza, o que faz aqui tão cedo? O que está fazendo aqui com esse rapaz? Quais foram as minhas ordens? — Pergunta em uma enxurrada, deixando perceptível o seu ciúme. — Primeiramente, bom dia! Bom dia, seu Ju! — Juvenal responde a saudação. — O senhor me desculpe Sr. Firenze, mas desde quando eu estou em meu horário de folga, não tenho nenhuma obrigação de lhe dizer o que eu faço e com quem estou. Suas ordens estão sendo cumpridas, eu não estou fazendo serviço de intérprete, estava ali com meu amigo. — Ela explica levemente irritada também. Acha um desaforo seu patrão vir até aqui e sem aviso prévio, para lhe cobrar satisfações. — Você não está em sua folga, Eliza. Trabalha para mim em tempo integral, esqueceu? — Ele pergunta um pouco mais calmo, e encantado pela postura que Liz tomou diante dele, não abaixando a cabeça e respondendo à sua altura. Fazendo-lhe, inclusive, perceber sua descompostura. — Não foi o que o senhor me disse. O senhor falou que somente começaria o meu serviço de sua assistente no sábado, dia do evento. E me deixou aquela missão home Office que eu já concluí. E marcou comigo hoje à noite para fazer, juntamente com o senhor, as apresentações do evento. Portanto, não há nada que me impeça de estar aqui, até os celulares estão comigo. — Juvenal abaixa a cabeça prendendo o riso e William engole uma lufada de ar. Ela estava completamente certa. — Não quero que faça serviços de intérprete, ouviu Eliza? Agora pode ir. — Diz e ela sacode a cabeça em negativa. — Se me quiser como sua assistente vai precisar confiar em mim, senhor. Caso contrário, me demito. Sobrevivi até hoje com meu trabalho na floricultura e como guia, não será um problema para eu retornar. — William a encara sério, enquanto Liz fecha a porta do carro voltando para seu lugar ao lado de Maurício. Ela se senta e olha para trás, antes do carro seguir viajem. William respira fundo e Juvenal o encara do espelho central. — Garota desaforada! — William pragueja. Juvenal ri disfarçadamente. Com o trânsito livre, rapidamente chegam ao seu local de trabalho. Adentra o edifício por sua passagem secreta e sobe o elevador exclusivamente dele. Quando a porta se abre e ele sai na sala de Helena, a mulher lhe aguarda em seus saltos agulha e vestido rosa-claro. — Bom dia William! Ele a olha de esguelha, estranhando aquele comportamento. — Onde está o senhor Firenze, Helena? Aqui você é minha secretária, dirija-se a mim formalmente. — Desculpe senhor Firenze. — Ele bate à porta, lamentando que Helena seja tão bonita, mas tão submissa. E fresca e pouco inteligente. Ele senta-se em sua cadeira e sorri lembrando-se da desaforada Liz. Pega seu celular e rastreia outra vez, vendo que agora o endereço é o da floricultura. Respira fundo, aliviado. Helena submerge na sala e vem com o seu habitual caderninho de anotações, passar a agenda dele. — Não é necessário, Helena. Já sei meus compromissos de hoje. Assim que o Borges chegar, peça-o para entrar. E traga-me duas xícaras de café. — Helena fica se perguntando como ele sabe os compromissos, se eles sempre passavam isso juntos todas as manhãs? Contudo, sai rebolando para fora da sala com seu rosto ardendo de raiva. Durante a manhã e à tarde foi uma movimentação e tanto naquela sala. Pessoas chegando e saindo sem parar. Até o horário de almoço de William acabou sendo um momento de negócios. Porém mesmo todo o cansaço do dia não o desanimou, pois ele estava muito ansioso para encontrar sua amada Iza. Ele preferia encontrá-la como veio ao mundo, mas estava satisfeito com a forma que teria de ser. Assim que ele chegou à mansão, Juvenal retornou até a vila para buscar Iza. Ela já estava pronta, vestida em um macaquito jeans e uma blusa preta por baixo, com um Allstar preto-e-branco nos pés. Em suas mãos, havia uma pasta contendo o tablet e os dois aparelhos celulares. Seu cabelo estava preso em um r**o-de-cavalo e ela não usava nenhuma maquiagem. Juvenal sorriu de sua simplicidade. Ela sorriu de volta para o motorista e eles subiram a ladeira. Liz ia descrevendo cada coisa que via para as amigas, em um grupo que fizeram no app de mensagens. Um trio, na verdade. Conforme elas combinaram que Liz fizesse, a garota ia descrevendo com riqueza de detalhes tudo que via: os muros cobertos por amoreiras — que por sinal estava carregado — a estradinha de pedras e os jardins memoráveis, com vários tipos de árvores e plantas. Muitas delas frutíferas. Mas não deu para Liz descrever mais nada quando vislumbrou a gigantesca estrutura da mansão. Era linda e a frente imitava a proa de um navio. Liz tirou uma foto e postou para as amigas. Quando o carro finalmente parou, ela desceu meio envergonhada, ficou sem saber por onde entraria e se devia fazer isso. Uma senhora muito simpática, vestida com um avental, lhe recepciona. — Olá, boa noite! Chamo-me Iolanda, sou a cozinheira daqui. Por favor, entre, William pediu para que se sentasse à mesa, para jantar. — Boa noite, dona Iolanda. Sou Eliza, a assistente do Sr. Firenze, tudo bem? — Liz estende a mão para Iola que estranha o gesto, algo incomum em todas as visitas que passam por esta casa. — Eu já me alimentei esta noite, mas agradeço o convite. Nessa hora, William surge descendo as escadas de calça jeans e camisa manga curta de algodão, bem informal, deixando seus braços fortes à mostra e marcando o tórax alto. Deixando evidente que o abdômen era definido, fazendo Liz pigarrear de nervoso. A beleza do chefe era ainda maior assim, vestido de maneira mais simples. — Não acredito que vai recusar a comida deliciosa da Iola! Precisa ver só a sobremesa! — Ele diz sorrindo. Não tinha como ignorar a presença de Liz em sua casa. Tanto ele sonhou com isso e de uma forma ou de outra, agora ela estava ali. — Outro dia, quem sabe! Se de uma próxima vez o nosso chefe me avisar para vir para jantar, quem sabe? Mas eu imagino que sua comida deva ser realmente maravilhosa. — Iola sorri de Liz e a acha uma pessoa doce. A assistente continuava em pé sem querer se sentar naquela sala luxuosa. Temia que, do jeito que é azarada e estabanada, triscasse a mão em algo que lhe custasse um ano de trabalho para pagar. — Sente Senhora Eliza, vai se cansar aí de pé. — Iola aponta para o sofá. — Dona Iolanda, muito obrigada, mas estou bem aqui. — Ela resolve testar William — me chame de Iza, por favor! William se engasga com o suco, fazendo Iola correr para socorrê-lo. Liz fica na dúvida se foi efeito do seu nome ou apenas um incidente. Iola bate bastante nas costas de William até que ele agradece. — Coma devagar, meu filho. — A mulher diz e Liz sorri baixinho. — Iza, venha menina! Sente-se aqui, pois William deve comer devagar! — William fica incomodado com o nome Iza circulando pela casa. Isso lhe faz lembrar não a doce menina que agora trabalha para ele, mas a garota que o fizera sofrer. Liz se senta na poltrona pensando que deva custar o preço de uma casa e que com certeza é mais confortável que a sua cama e fica admirando a paisagem ao lado de fora. Dali daquela sala dava para avistar todo o vilarejo onde Liz mora e ainda o mar. Os jardins da mansão enfeitavam tudo. E o muro estava preenchido pelas amoreiras. — O que é feito com as amoras que retiram das amoreiras? — Liz pergunta e Iola olha para William, antes de responder. — Uma parte doamos para a creche e a outra fica para o consumo. Faço tortas, doces, sucos... — Iola responde. — Humm, eu amo torta de amora. Na verdade, eu amo as amoras. Dona Dudu, minha mãe de criação, faz uma geleia divina. — A moça conta. — É mesmo? Pois então está perdendo o mousse de amora da sobremesa. — Iola sorri e põe a mão na cintura quando Iza aperta os olhos. — Se eu sentir fome antes de ir embora, eu peço para a senhora. — Liz sorri e a cozinheira lhe acompanha. William finalmente levanta e chama sua funcionária até sua sala. Liz se levanta olhando bem por onde está passando, para não se bater em nada, levando William a apertar os olhos sem entender por que ela está andando quase arrastando os pés para sair dali. — O que foi Eliza? — questiona curioso. — Nada, senhor. Estou apenas tentando não ser eu. — William sorri internamente, lembrando-se dos casos que Liz lhe contou no dia do baile sobre cada coisa que já aconteceu com ela e seus desastres. Como sair de casa com a calcinha de Dudu pendurada na presilha do cabelo. Ele não aguenta com a lembrança e sorri alto, chamando a atenção de Iolanda. — O que foi Sr. Firenze? Onde está a graça? — Liz pergunta. — Você é a graça. Ande direito Eliza, estou com pressa! — Os seus móveis têm seguro, Senhor? Porque eu não quero passar um ano inteiro trabalhando de graça para pagar algo daqui. — William volta a gargalhar e agora Iola lhe acompanha. Ela fica feliz de ver William sorrir assim, como há muito tempo não via. Agora passou a gostar mais ainda da jovem. — Iza, vou deixar sua roupa de dormir separada na cama de William. E seu pedaço de mousse aqui na cozinha. — Adverte. — Eu não vou dormir aqui Sra. Iolanda. — Iola, Eliza é minha assistente e está aqui apenas a trabalho. — William avisa e Iola estranha. Toda mulher que vem até a mansão, vem para dormir com William. E aquela moça adorável e linda, não? — Perdoe-me minha querida, achei que era uma visita do chefe. — Iola diz e Liz cora dando-lhe um sorriso contido. Já no escritório, William se senta ao seu lado e pega seu notebook, fazendo os olhos de Liz brilharem pelo modelo última geração. Ele mostra a apresentação e ela faz uma careta. — Isso está péssimo! Parece slide de trabalho escolar. — Bufa as palavras. William a olha com o semblante fechado. Ela volta os olhos para ele. Esse encontro de olhares faz o coração de ambos disparar. Eles estão bem próximos, mas Liz disfarça e finge que nada está acontecendo com ela. — Faça melhor! — Ele desafia, entregando-lhe o computador. Liz o apoia na mesa. Abre o programa CorelDraw e analisa as informações que William colocou na apresentação anterior. Após alguns minutos editando ele percebe que o designer da capa já está muito melhor que os slides dele. Quando conclui, Liz mira-o levantando a sobrancelha e fazendo-o balançar a cabeça em um sim e bater palmas. Ele puxa a cadeira para perto dela e os dois começam a discutir as demais passagens da apresentação, os tipos de imagem que ele deveria colocar baseado na oratória e assim o CEO começa a apresentar tudo à medida que ela vai construindo a apresentação. Já é quase meia-noite quando ela conclui o trabalho. — Eliza, ficou ótimo o trabalho! Realmente! Meus parabéns! — Às suas ordens senhor. Muito obrigada! — Ela sorri para ele. — Eu preciso ir. — Não vai comer o mousse da Iola? — ele a questiona. Liz busca as horas no relógio e vê que ainda dá tempo provar a iguaria. — Acho que dá tempo. — Eles riem. Retornam para a luxuosa copa onde havia a mesa de madeira gigante que devia caber umas catorze pessoas. Liz se senta educadamente à mesa. Sua mãe lhe ensinara as regras de etiqueta umas mil vezes e por isso, ela sabe se portar muito bem. Abre o guardanapo em si enquanto seu chefe fica admirado por sua classe. Ele sorri pensando que sua tia Carmem ficaria feliz se visse Liz. Carmem é irmã de Lúcia, sua falecida mãe. — E aí? Iola passou no teste de qualidade da Iza? — Perguntou ressaltando o nome dela, mas sem fazer qualquer expressão que a levasse perceber que ele sabia sobre ela e o lance deles. — Com certeza! — Ela responde lamentando o nome não ter feito qualquer efeito nele. Se for ele, nem mesmo se lembrava dela. O que já era de se esperar, contudo não diminuía a tristeza. — Isso está divino! Agora eu preciso ir. — Ela se levanta depressa. — Tem certeza de que não quer ficar e ir amanhã logo cedo? Consigo roupas para você e um quarto. — Ele oferece por educação. — Não, muito obrigada! Preciso voltar para casa. Não é bom para a Dudu ficar sozinha. — Vou avisar ao Juvenal que você já vai. — Ela assente. Enquanto ele vai buscar o celular dele, Liz recolhe a louça e leva para a pia. Ela lava tudo e põe no escorredor, depois retira o jogo americano da mesa, deixando tudo arrumado outra vez. Quando William chega, vê Liz sair da cozinha secando as mãos. — O que faz aí? — Eu lavei a louça e tirei a mesa para a Iola. Agradeça a ela por mim e, por favor, avise que eu achei delicioso. Estava desmanchando na boca. William ri apenas puxando os lábios. Liz era mesmo uma moça simples. Talvez aquela tapa tenha sido pelo fato de ser muito tímida e virgem, por isso se assustou com o ato inesperado. E pensar que ela fosse virgem ainda faz ele a desejar ainda mais. Ele tenta desviar o pensamento, mas não consegue. Ele a desejava perto, beijá-la ou a sentir em seus braços. Era um amor tão forte que ultrapassava o desejo carnal. Porém agora, de repente, esse amor recebeu toda a chama do desejo. Eles ficam se olhando de longe. Liz fica sem entender nada. Não sabe se ele a está encarando assim porque ela invadiu um espaço que pertence a Iola, ou se ele a está admirando. Juvenal bate no vidro com a chave quebrando o encontro de olhares. Liz pega sua pasta e se aproxima de William. Ele respira fundo. Ela não sabe o que fazer e então estica a mão. — Até mais senhor Firenze. — Deseja. O homem segura a mão dela. Os olhos fixos nos de Eliza. Ele vai sendo tomado por aquele torpor que sobe pelo seu braço e desce a sua espinha apenas pelo toque das suas mãos. Liz também sente algo incrível quando suas mãos se cruzam, até às pernas faltam dobrar-se. — Me chame de William. Obrigado Eliza, boa noite! — Se precisar de mim Sr. William, estarei à disposição. Eles tentam manter a postura, mas ambos estão achando muito difícil. Liz retira sua mão devagar das mãos dele que, involuntariamente, aperta a ponta de seus dedos. O gesto faz Liz olhar para baixo e ver o anel. Ela não disfarça, ergue a mão dele à altura dos olhos e abre a boca em espanto. William se assusta e então se recorda, mas fica sério no instante em que ela olha para ele. — O que foi Eliza? Vai pedir a minha benção? — ele pergunta vendo-a encará-lo. Ela fecha a boca e n**a com a cabeça, soltando a mão dele. — Adeus Sr. William. Boa noite! — Ela sai sem dizer mais nada e os olhos de William brilham. Ela se lembrava dele. Por que tanta surpresa? O que será que se passava dentro dela? Liz embarcou no carro no costumeiro banco da frente e Juvenal rapidamente a levou para casa. Ao contrário da vinda, ela foi muda à estrada toda, só pensando no que viu. — Será que mais alguém tinha esse anel? Como ela não ligou os fatos? Aquele anel tinha um F de Firenze gravado. — Liz se sentia uma i****a agora. Estava na cara dela todo esse tempo! O que Liz não sabia é que ela era vigiada de lá da mansão. Assim que Juvenal partiu, ela correu e se sentou no banco, ainda com a maleta nas mãos. William estava ansioso por isso já com a TV ligada. Ele queria saber o que ela faria com essa revelação. Mas ele ficou surpreso. Ao contrário do sorriso que ele esperava, Liz chorou. E seu choro era por reviver um momento tão triste. O que ela tinha feito a ele havia sido horrível, mas nada era pior do que saber que para ele seu beijo não significava nada. Ela não significava nada. Ele sequer se lembrava dela, em sua cabeça. Quando ela disse que morava ao lado do portão de entrada da propriedade, ele fez cara de surpresa, uma cara de quem nunca a viu e nunca esteve ali. E aquilo não fez diferença alguma para ele. Isso agora magoa Liz. “Homens ricos não namoram meninas pobres!” — já dizia seu Fran, pai de Nina. E ele era um velho sábio! —Pensou. Liz soluçou de tanto chorar. E William sentiu dor por ela. Ele ficou m*l com aquilo e não sabia como ela iria agir com ele depois de então.
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