Juan
Fui pra Mandalay, a escola onde dou aula para as crianças do 1ª, 2ª, 3ª e 4ª ano, e assim que cheguei, fui direto para a sala dos professores, só estava Gime no local, ela era professora e diretora da escola, e mãe da Mariana também. Coloquei minhas coisas no meu armário e depois fui sentar para tomar um café com ela à mesa.
- Boa tarde! - Falei ao dar um falso sorriso.
- Boa tarde! - Deu um leve sorriso. - Como está, Juan? - Perguntou sem tirar os olhos de alguns papéis.
- m*l. - Respondi ao pegar um pouco de café.
- Você sempre responde isso - Falou com um semblante sério. - Por que está m*l?
- Ah, você sabe a resposta. - Falei me pondo a beber um pouco de café.
- Você tem que seguir sua vida, Juan. - Ela disse de forma protetora. - Mariana não é a mesma, ela está... - Fez uma leve pausa. - Diferente. - Completou.
- Por que não me diz onde ela está? Assim eu posso tirar minha própria conclusão. - Falei.
- As coisas não são fáceis assim... Ela não quer mais você. - Gime disse calmamente.
Confesso que ouvir isso doeu, e doeu muito, era como se ela tivesse cravado 100 facas em mim, e acho que mesmo se ela fizesse isso, não doeria tanto. Ah, será que a Mari já tem outro? Será que está casada ou namorando? Não, eu acho que não aguentaria saber de uma coisa dessas, e acho que não conseguia nem pensar nessa hipótese, porque mesmo após tantos anos, eu ainda amo essa mulher, eu nunca a esqueci, nunca parei um minuto sequer de pensar nela.
- Por que ela não me quer? Nunca a fiz sofrer, pelo contrário, Mari sempre estava com um sorriso no rosto, nunca a trai, nem coisa do tipo, eu não entendo o que aconteceu. - Desabafei.
- Juan, esqueça ela. - Falou se pondo a levantar. - Ela seguiu a vida dela, faça o mesmo. - Recolheu as suas folhas.
- Como fazer isso? Ela se foi, já faz sete anos e eu não sei de nada, nem mesmo por qual motivo ela se foi. - Falei.
Antes da Mariana, eu tive outros relacionamentos, e para mim, nunca foi difícil esquecê-las, pelo contrário, uma ou duas semanas depois e eu já estava em outra, mas com a Mari... Ah, por que é tão difícil esquecê-la? Por que mesmo depois de tanto tempo eu não consigo tirá-la da minha cabeça e do meu coração?
- A esqueça, Juan. - Ela disse se pondo a sair.
Esquecer? Como assim? Ela só podia estar brincando. Como esquecer o amor da sua vida? Eu preciso dela, ela é tudo o que eu preciso, não, não é amor doentio, só não quero que nossa história acabe assim, eu queria poder tentar pelo menos mais uma vez. Preciso que ela mesma me diga pra esquecê - la e que não me quer mais, talvez assim, eu faça isso, mas preciso que ela mesma me diga isso.
Depois de algum tempo, o sinal tocou, e eu fui buscar minha turma, eu daria aula para o 1° ano.
- Boa tarde, gente. - Falei com um leve sorriso.
- Boa tarde, professor Juan! - Gritaram, me deixando quase s***o.
- Bom, vamos aprender e nos divertir?
- Simmmmmmm! - Gritaram mais uma vez e eu dei um leve sorriso para eles.
(...)
Mariana
Estávamos esperando anunciar meu vôo, quando olhei pra Euge que estava chorando muito, eu ainda conseguia me conrolar e segurar as lágrimas, mas acho que a loura não conseguia fazer o mesmo, ah, eu iria morrer de saudade dela.
- Oh, minha amiga, não fica assim. - Falei ao abraçá-la.
- Vou sentir sua falta. - Ela disse em meios aos soluços do seu choro.
- Eu também vou sentir a sua falta. - Falei.
- Eu também. - Disse meu filho começando a chorar.
- Calma campeão. - Gas disse ao abraçar o meu pequeno.
- Ah. padrinho, já estou com saudade! - Falou tristemente.
- Hey, eu também quero um abraço, Dudu. - Disse Euge, se soltando de mim e se pondo a abraçar o meu filho.
- Ai, tia Euge, quem vai me trazer bolo de chocolate quando a mamãe esquecer?
- Eu também te amo. - Ela disse sem conter o riso.
- Eu amo mais tia, amo vocês dois. - Se afastou e olhou para os padrinhos. - Mãe, ainda dá tempo de desistir, vamos ficar aqui, por favor. - Ele disse manhoso, com voz de choro.
- Não Dudu, nós vamos e está decidido. - Limpei as lágrimas que haviam rolado quase sem eu perceber.
- Atenção passageiros do vôo 367 com destino a São Paulo, Brasil, embarque no portão 7. - Falou uma voz feminina.
- Acho que está na hora de ir. - Gas disse meio cabisbaixo.
- Ah, eu não acredito, isso é um adeus? - Chorou novamente.
- Não minha amiga, isso é um até logo, sei que em breve voltaremos a nos ver. - Sorri e abracei os dois mais uma vez.
Peguei Dudu pela mão e a minha mala com a outra, meu filho também estava levando a sua mala, e então fomos no meio da multidão. A última imagem que vi foi Gas consolando Euge e acenando pra mim.
Logo entramos no avião e sentamos no nosso lugar. Dudu parou de chorar e respirou fundo, parecia até gente grande, e se aconchegou nos meus braços.
- Mamãe, vamos ver os padrinhos de novo algum dia? - Perguntou com um olhar triste.
- Claro que vamos, meu amor. - Falei e ele sorriu, se aconchegou mais um pouco.
- Eu te amo, mãe. - Ele disse.
- Eu também te amo. - Beijei a cabeça do garoto e ele pegou no sono.
Peguei minha bolsa e tirei a minha fotografia com Juan, será que vou conseguir esconder o Dudu dele? Pois sei que algum dia o encontrarei novamente.
Afinal ele não me quis, e tomara que tenha conseguido realizar o grande sonho dele...