🍂 CAPÍTULO 8 🍂

877 Palavras
đŸ„€ CLARA đŸ„€ A risada vem mais fĂĄcil depois do segundo copo. Minha amiga fala, gesticula, reclama da vida, e eu concordo com tudo sem ouvir metade. Minha cabeça estĂĄ longe, presa em um homem silencioso, em um olhar que pesa mais quando nĂŁo toca. Escolhe que manteriamos distĂąncia, mas, Ă© difĂ­cil quando Ă© aquele corpo que vejo assim que acordou todos os dias. — VocĂȘ estĂĄ diferente. — ela diz, estreitando os olhos. — Tem alguĂ©m te bagunçando?! Acho que mais forte que o Miguel. Dou de ombros, covarde. — Miguel virĂĄ finalmente. — comento, encarando meu dedo deslizar na borda do copo. — porque nĂŁo parece feliz com isso? — eu estou. — sou sincera. — mas, estou com medo que nesse quase um ano e meio, eu tenha me iludido sozinha. — Amiga, ele queria que vocĂȘ ficasse com todo o salĂĄrio dele mensal. VocĂȘ acha que ele nĂŁo Ă© louco por vocĂȘ?! — Érica sorri, apertando minha mĂŁo. — Eu sĂł, — balanço a cabeça tentando reorganizar meus pensamentos. — É complicado. — pĂłs vamos beber mais, pra descomplicar. — amanhĂŁ vou estĂĄ morrendo de ressaca. — choramingo vendo ela encher meu copo. — pelo menos nĂŁo vai conseguir pensar nesse homens. — brindamos e seguimos com a noite. Quando volto para casa, o mundo parece levemente torto. A chave escapa dos meus dedos duas vezes, antes de eu suspirar, frustrada. É quando sinto uma presença atrĂĄs de mim. — Quer ajuda? Viro devagar. Miguel. — NĂŁo precisa. Eu consigo. — Declaro tentando manter minha dignidade e tambĂ©m o pedido que eu fiz a ele. Ele se aproxima, firme, seguro, e me cerca me fazendo encostar na parede, antes que minhas pernas cedam, e pega a chave da minha mĂŁo. O perfume dele, parece que foi feito para enfeitiçar, e a camisa preta aberta alguns botĂ”es, fazem minhas mĂŁos tremerem querendo tocar seu peito. — Minha vez de retribuir. — diz baixo, um sorriso sedutor nos lĂĄbios. — VocĂȘ abriu a porta pra mim aquele dia. Mesmo que nĂŁo queira mais ser minha amiga, ainda assim, quero retribuir. — se distanciou e abriu a porta, enquanto minhas pernas tendem a ficar moles. Entramos. A porta se fecha com um clique que soa alto demais. O silĂȘncio pesa. O ĂĄlcool me dĂĄ coragem — ou tira o juĂ­zo. Antes que eu pense, empurro Miguel de leve contra a parede. Minhas mĂŁos encontram o peito dele, quente, sĂłlido. Subo o rosto e beijo seu queixo, sentindo a respiração dele mudar. — Clara. — ele murmura. — O que vocĂȘ estĂĄ querendo? Levanto o olhar, sem hesitar, e ele aperta meu queixo um pouco. Seu olhar me avaliando com cuidado. — Agora? — digo, baixo mudando meus planos. — VocĂȘ. Miguel segura meu queixo com firmeza contida, impedindo que eu avance mais. Encaro ele sem entender. — E isso aqui? — pergunta, sĂ©rio. — A bengala. A prĂłtese. Isso te incomoda? Meu coração acelera. Aproximo meu corpo do dele, sem medo. Ele estĂĄ inseguro por isso?! — O que eu desejo em vocĂȘ. — respondo — parece estar perfeitamente bem. — declaro encostando minha coxa na sua i********e, quase gemendo ao sentir o comprimento duro. O olhar dele escurece. NĂŁo me beija. NĂŁo ainda. Miguel solta um riso baixo. NĂŁo Ă© de deboche — Ă© satisfeito, quase carinhoso. — Eu nĂŁo durmo com mulheres bĂȘbadas — diz, me segurando pelos ombros. — muito menos comprometidas. A frase me atinge como um tapa. — eu nĂŁo tenho compromisso. — retruco, ofendida, cruzando os braços. — VocĂȘ diz isso agora, mas, amanhĂŁ quando acordar cheia de culpa, vai sentir que tem. Ele apenas sorri, aquele sorriso calmo demais para quem acabou de me negar. Segura meu braço com firmeza gentil e me conduz atĂ© o sofĂĄ. — Senta — pede. — Antes que vocĂȘ caia tentando provar qualquer coisa. — Eu nĂŁo estou tĂŁo bĂȘbada assim — reclamo, vergonha começando a chegar, porque eu nĂŁo me reconheço agindo assim. É tudo culpa da influĂȘncia dele, com esse corpo terrivelmente trabalhado. — EstĂĄ o suficiente. Some na cozinha, e eu fico ali, indignada e estranhamente segura. Quando volta, traz uma xĂ­cara fumegante. — CafĂ© forte — anuncia. — Vai ajudar. Faço drama. Reclamo do gosto. Ele nĂŁo cede. Fico sob aquele olhar atento atĂ© tomar tudo. — Pronto — diz. — Agora vem. Me leva atĂ© o quarto com cuidado excessivo, como se eu fosse algo frĂĄgil demais para tocar. Isso me irrita. E me aquece. — Eu preciso tomar banho. — aviso, jĂĄ puxando o vestido. — Antes que eu comece a me despir na sua frente. O olhar dele escurece por um segundo, mas Miguel nĂŁo se move. Apenas me guia atĂ© o banheiro. — Vou esperar vocĂȘ ficar pronta. — diz, colocando um roupĂŁo dobrado sobre a pia. — NĂŁo tranca a porta. — NĂŁo confia em mim? — provoco. — Confio em mim. — responde. Ele fica do lado de fora. Ouço seus passos pararem perto da porta enquanto a ĂĄgua do chuveiro começa a cair. Fecho os olhos, sentindo o coração desacelerar aos poucos. Mesmo separado por uma parede, Miguel estĂĄ ali. Esperando. E a simples ideia disso faz meu corpo inteiro formigar. 🍂🍂🍂
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