Alecsandro Ferrari
Cheguei à sala onde será realizada a entrevista, posei para algumas fotos, Liam e um parceiro da banda, o urso, me acompanhavam.
Jornalista - Onde você conheceu a Melanie?
Alec - Nos conhecemos em... em um show da banda.
Jornalista - Ela era uma fã, olha que incrível. A quanto tempo estão juntos?
Alec - Tem pouco tempo, mas estamos muito conectados. Pretendemos nos casar em breve.
Jornalista - Ual. O galã mais cobiçado do momento foi fisgado por uma professora, precisamos de algumas aulas meninas!
Alec - Tenho muito orgulho da Srta. Rangel, ela ser uma professora não a desclassifica como mulher.
Jornalista - Ah claro que não! E quanto à antiga profissão, você aceitou com facilidade também?
Olhei confuso para Liam, que estava ao telefone, mas fez um sinal nervoso pra que eu encerrasse a entrevista.
Alec - Infelizmente surgiu um imprevisto. Agradeço a todos pela presença.
Comemorei cedo demais o possível envolvimento com as duas irmãs não vir à tona, também não sabia como explicar que a minha garota era a Michelle, a outra gêmea, pensei em deixar isso para Liam corrigir posteriormente.
— Alec, estamos ferrados! Como você me fala em casamento se você nem conhece a garota? Essa mulher é uma bela farsa.
— Do que você está falando? — perguntei confuso, enquanto seguia Liam que estava praticamente correndo para o estacionamento.
— É um desastre, um verdadeiro desastre. Casamento? Você só pode estar louco!
— Mas você queria que ela ficasse ao meu lado, falou que era bom para os negócios, eu não entendo...
— A antiga profissão de Melanie, é realmente uma profissão antiga se é que você me entende.
— Me explique! Porque eu não estou entendendo p***a nenhuma!
— p**a, Melanie era p**a!
— Estou realmente surpreso, mas ainda bem que eu estou com a irmã certa.
— Eu fiz algumas ligações, e você vai ficar chocado com o que eu descobri, eu fiquei intrigado pelo fato de não ter conseguido muitas informações sobre a Michelle Rangel, não consegui sequer descobrir qual escola ela trabalha atualmente, tudo o que tinhamos eram os dados da tal palestra de comunicação, endereço, idade, professora infantil, enfim... eu chequei novamente com uns contatos mais bem informados e descobri que não existe nenhuma Michelle Rangel.
— Ela pode ter mudado o nome recentemente.
— Melanie Vaz Rangel é filha única, não há registro de uma gêmea! Eu chequei com a equipe de segurança que deixamos na casa dela desde que você foi até lá, nenhuma outra pessoa foi na casa, a garota que estava com você era a Melanie.
— Isso é loucura, eu sei a diferença entre as irmãs. Caladas são idênticas, mas o jeito delas é muito diferente.
— p***a! Não existe nenhuma Michelle! Melanie também é professora do ensino infantil, não acha estranho as duas irmãs serem professoras?
— Sinceramente, não!
— Alec, termine essa merda. E faça essa garota sumir. Ela está te enganando e vai destruir a sua carreira!
Cheguei ao hotel, e falei com o segurança que a trouxe, não teve nenhum desvio vieram direto para o hotel, isso é ótimo. Deve haver alguma explicação lógica para essa confusão toda.
— Michelle?
A encontrei encolhida na cama, os olhos vermelhos de chorar.
— Me desculpe, Alec...
— Te desculpar exatamente por qual motivo? — perguntei, sondando.
— Eu deveria ter te falado sobre a minha irmã, pra que você não fosse pego de surpresa.
— Você pode me contar agora... se estiver se sentindo a vontade pra isso.
— Melanie se foi a cinco anos atrás — Michelle desabou a chorar e aquilo se tornou demais pra mim. — Ela morreu.
— Quando eu fui na sua casa, eu... eu...era você o tempo todo? Por que fez aquilo? — A cada explicação de Michelle mais perdido eu ficava.
— Você nunca vai entender e não tem como explicar...
— Você roubou a identidade da sua irmã morta?
— Droga! Não foi bem assim — ela xingou e começou a se abanar freneticamente — Minha bolsa, pega a minha bolsa! Eu preciso do meu remédio.
— Eu vou pegar, fique calma, você tem asma?
Ela claramente estava com dificuldade em respirar, e continuava se abanando enquanto eu revirava a sua bolsa em busca de algum remédio, um vidrinho de um ansiolítico forte caiu sobre a cama, ela o agarrou como se a sua vida dependesse daquilo e virou algumas gotas direto na boca.
— Síndrome de Pânico, é o que eu tenho, eu preciso ir embora daqui! Conversaremos em outro momento, eu vou te falar toda a verdade em outra ocasião, eu sinto muito Alec... por tudo!
— Qual é toda a verdade, Michelle? Me conta.
Ela saiu do quarto, e eu liguei para o meu chefe de segurança e pedi para que a sigam.
— Não a deixem sozinha, nem por um minuto sequer.
Passei as mãos pelo cabelo, frustrado. Tudo o que Liam disse martelava na minha cabeça. Michelle não existe? A suposta Michelle era, na verdade, Melanie.
E agora a Michelle me dizia que a Melanie está morta, mas porque se passar pela irmã morta?
Eu tinha muitas perguntas sem respostas, e uma única certeza. Eu estive com duas garotas diferentes, isso era um fato e eu podia me agarrar a isso, mas toda essa confusão precisa ser esclarecida ou eu vou acabar ficando... louco.
O nó da gravata nunca me pareceu tão apertado, e a minha mente vagou por milésimos de segundos por lembranças dolorosas demais.
Sentei-me na beira da cama, olhando para o espaço onde ela estava. As lágrimas em seus olhos, a dor em seu rosto, não podia ser tudo fingimento, havia algo genuíno em Michelle.
Horas depois o meu celular tocou e eu atendi imediatamente.
— Sr. Ferrari, eu sou o policial Richard, encontrei alguns dos seus seguranças muito machucados, um deles está consciente e me pediu pra te ligar.
— Passe a ligação!
— Senhor, ela nos atacou, quase não escapamos vivos, Fernandes e Gutierrez estão gravemente feridos, estamos aguardando a ambulância chegar.
— E onde ela está?
— Fugiu senhor...
— Me mande o endereço do hospital para onde serão levados, não fale com mais ninguém, eu estou indo até vocês.