6 - A entrevista

1041 Palavras
Alecsandro Ferrari Cheguei à sala onde será realizada a entrevista, posei para algumas fotos, Liam e um parceiro da banda, o urso, me acompanhavam. Jornalista - Onde você conheceu a Melanie? Alec - Nos conhecemos em... em um show da banda. Jornalista - Ela era uma fã, olha que incrível. A quanto tempo estão juntos? Alec - Tem pouco tempo, mas estamos muito conectados. Pretendemos nos casar em breve. Jornalista - Ual. O galã mais cobiçado do momento foi fisgado por uma professora, precisamos de algumas aulas meninas! Alec - Tenho muito orgulho da Srta. Rangel, ela ser uma professora não a desclassifica como mulher. Jornalista - Ah claro que não! E quanto à antiga profissão, você aceitou com facilidade também? Olhei confuso para Liam, que estava ao telefone, mas fez um sinal nervoso pra que eu encerrasse a entrevista. Alec - Infelizmente surgiu um imprevisto. Agradeço a todos pela presença. Comemorei cedo demais o possível envolvimento com as duas irmãs não vir à tona, também não sabia como explicar que a minha garota era a Michelle, a outra gêmea, pensei em deixar isso para Liam corrigir posteriormente. — Alec, estamos ferrados! Como você me fala em casamento se você nem conhece a garota? Essa mulher é uma bela farsa. — Do que você está falando? — perguntei confuso, enquanto seguia Liam que estava praticamente correndo para o estacionamento. — É um desastre, um verdadeiro desastre. Casamento? Você só pode estar louco! — Mas você queria que ela ficasse ao meu lado, falou que era bom para os negócios, eu não entendo... — A antiga profissão de Melanie, é realmente uma profissão antiga se é que você me entende. — Me explique! Porque eu não estou entendendo p***a nenhuma! — p**a, Melanie era p**a! — Estou realmente surpreso, mas ainda bem que eu estou com a irmã certa. — Eu fiz algumas ligações, e você vai ficar chocado com o que eu descobri, eu fiquei intrigado pelo fato de não ter conseguido muitas informações sobre a Michelle Rangel, não consegui sequer descobrir qual escola ela trabalha atualmente, tudo o que tinhamos eram os dados da tal palestra de comunicação, endereço, idade, professora infantil, enfim... eu chequei novamente com uns contatos mais bem informados e descobri que não existe nenhuma Michelle Rangel. — Ela pode ter mudado o nome recentemente. — Melanie Vaz Rangel é filha única, não há registro de uma gêmea! Eu chequei com a equipe de segurança que deixamos na casa dela desde que você foi até lá, nenhuma outra pessoa foi na casa, a garota que estava com você era a Melanie. — Isso é loucura, eu sei a diferença entre as irmãs. Caladas são idênticas, mas o jeito delas é muito diferente. — p***a! Não existe nenhuma Michelle! Melanie também é professora do ensino infantil, não acha estranho as duas irmãs serem professoras? — Sinceramente, não! — Alec, termine essa merda. E faça essa garota sumir. Ela está te enganando e vai destruir a sua carreira! Cheguei ao hotel, e falei com o segurança que a trouxe, não teve nenhum desvio vieram direto para o hotel, isso é ótimo. Deve haver alguma explicação lógica para essa confusão toda. — Michelle? A encontrei encolhida na cama, os olhos vermelhos de chorar. — Me desculpe, Alec... — Te desculpar exatamente por qual motivo? — perguntei, sondando. — Eu deveria ter te falado sobre a minha irmã, pra que você não fosse pego de surpresa. — Você pode me contar agora... se estiver se sentindo a vontade pra isso. — Melanie se foi a cinco anos atrás — Michelle desabou a chorar e aquilo se tornou demais pra mim. — Ela morreu. — Quando eu fui na sua casa, eu... eu...era você o tempo todo? Por que fez aquilo? — A cada explicação de Michelle mais perdido eu ficava. — Você nunca vai entender e não tem como explicar... — Você roubou a identidade da sua irmã morta? — Droga! Não foi bem assim — ela xingou e começou a se abanar freneticamente — Minha bolsa, pega a minha bolsa! Eu preciso do meu remédio. — Eu vou pegar, fique calma, você tem asma? Ela claramente estava com dificuldade em respirar, e continuava se abanando enquanto eu revirava a sua bolsa em busca de algum remédio, um vidrinho de um ansiolítico forte caiu sobre a cama, ela o agarrou como se a sua vida dependesse daquilo e virou algumas gotas direto na boca. — Síndrome de Pânico, é o que eu tenho, eu preciso ir embora daqui! Conversaremos em outro momento, eu vou te falar toda a verdade em outra ocasião, eu sinto muito Alec... por tudo! — Qual é toda a verdade, Michelle? Me conta. Ela saiu do quarto, e eu liguei para o meu chefe de segurança e pedi para que a sigam. — Não a deixem sozinha, nem por um minuto sequer. Passei as mãos pelo cabelo, frustrado. Tudo o que Liam disse martelava na minha cabeça. Michelle não existe? A suposta Michelle era, na verdade, Melanie. E agora a Michelle me dizia que a Melanie está morta, mas porque se passar pela irmã morta? Eu tinha muitas perguntas sem respostas, e uma única certeza. Eu estive com duas garotas diferentes, isso era um fato e eu podia me agarrar a isso, mas toda essa confusão precisa ser esclarecida ou eu vou acabar ficando... louco. O nó da gravata nunca me pareceu tão apertado, e a minha mente vagou por milésimos de segundos por lembranças dolorosas demais. Sentei-me na beira da cama, olhando para o espaço onde ela estava. As lágrimas em seus olhos, a dor em seu rosto, não podia ser tudo fingimento, havia algo genuíno em Michelle. Horas depois o meu celular tocou e eu atendi imediatamente. — Sr. Ferrari, eu sou o policial Richard, encontrei alguns dos seus seguranças muito machucados, um deles está consciente e me pediu pra te ligar. — Passe a ligação! — Senhor, ela nos atacou, quase não escapamos vivos, Fernandes e Gutierrez estão gravemente feridos, estamos aguardando a ambulância chegar. — E onde ela está? — Fugiu senhor... — Me mande o endereço do hospital para onde serão levados, não fale com mais ninguém, eu estou indo até vocês.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR