capitulo dois

1844 Palavras
Ele estava em uma biblioteca ou algo parecido. Pelo menos havia algumas prateleiras com livros embutidos nas paredes. O restante era revestido de madeira escura. Algumas cadeiras e um sofá estavam agrupados em torno de uma mesa baixa. Havia também uma escrivaninha do outro lado da sala. O escravo que ele já conhecia o trouxera ali para reencontrar seu novo mestre. Fazia dois dias desde o leilão e, embora estivesse um pouco acomodado, a ideia de um "escravo de cama" ainda o perturbava. "Tire a roupa", disse o mestre e caminhou em direção à escrivaninha. Aiden corou, mas se moveu para abrir o cinto em volta da cintura e vestir a túnica pela cabeça. Olhou ao redor para onde colocá-la e finalmente a pendurou em uma das cadeiras. Quando se virou, o mestre voltou da escrivaninha com uma bengala na mão, mais ou menos da espessura de um mindinho. Aiden engoliu em seco, pois já estava familiarizado com ferramentas como aquelas desde o tempo em que trabalhava com os manipuladores. O mestre parou na frente dele. "Inversão de marcha." Aiden engoliu em seco novamente e então engoliu. Uma mão tocou seu ombro e ele se encolheu de surpresa, apertou-o e ele pôde sentir a bengala subindo por sua perna nua. "Você cometeu três erros", disse o mestre. "Pode me dizer quais?" "Não?", disse Aiden. "São quatro." Aiden fez uma careta, mas ele realmente não sabia quais seriam esses erros. A mão deixou seu ombro e o mestre parecia mais distante quando falou. "Primeiro", disse ele, e então um golpe de bengala atingiu a b***a de Aiden. Ele gritou quando a dor aumentou e deu um passo à frente. "São cinco", disse o mestre. Aiden fechou os olhos com força. O que diabos ele tinha feito de errado agora? "Primeiro", repetiu o mestre, desta vez, felizmente, sem um golpe. "Você vai se dirigir a mim como 'mestre' quando falar comigo. Lembre-se disso." "Sim… mestre", disse Aiden. "Segundo", disse o mestre, e outro golpe caiu em sua b***a. Ele já esperava por isso desta vez, mas ainda gritava de dor. "Não se afaste quando eu bater em você. Entendido?" "Sim, mestre", disse Aiden "Terceiro", disse o mestre, e Aiden se preparou para o próximo golpe. Este caiu com força semelhante em sua b***a, agora adicionando uma terceira marca de queimadura. "Quando eu disser para tirar a roupa, tire toda a roupa, exceto se especificado o contrário." Aiden engoliu em seco. "Sim, mestre." "Bem, o que você está esperando?" Aiden rapidamente puxou sua cueca para baixo e a colocou junto com suas outras roupas. "Quarto", disse o mestre, e o espancou novamente. Doeu ainda mais sem o tecido para amortecer. "Nunca coloque suas coisas em móveis que não sejam específicos para uso de escravos. Dobre suas roupas e coloque-as no chão." "Sim, mestre. Sinto muito, mestre", disse Aiden, apressando-se em pegar suas roupas da cadeira e colocá-las dobradas no chão ao lado. Então, levantou-se novamente, ainda de costas para o mestre, embora se sentisse cada vez mais desconfortável com ele em suas costas. "E finalmente em quinto." O golpe foi o pior de todos e Aiden gritou novamente e deu um passo à frente, apenas para congelar no lugar e recuar. "Desculpe, mestre", disse ele. E pelo menos o mestre não disse nada sobre um sexto erro. "Quinto", repetiu o mestre. "Se não for especificado o contrário, você se ajoelhará assim que pararmos de andar ou assim que estiver pronto. Entendido?" "Sim, mestre." Aiden engoliu em seco e, com as bochechas e a b***a queimando, caiu de joelhos. Doeu, pois seus calcanhares pressionavam as marcas deixadas pela bengala, e ele tentou não colocar todo o peso na b***a. "Agora repita o que você aprendeu", disse o mestre. "Trate-o como 'mestre' quando eu falar com você, mestre. Fique parado e não se afaste quando me bater. Tire todas as minhas roupas quando eu mandar me despir. Mas não as coloque em cima dos móveis, em vez disso, dobre-as e coloque-as no chão. E sempre se ajoelhe quando não estiver andando, a menos que eu lhe diga o contrário." "Ótimo", disse o mestre, e Aiden suspirou aliviado. "Pelo menos você parece entender as coisas rápido. Agora..." O mestre deu a volta e se pôs à sua frente. Tinha uma expressão severa e batia com a bengala na mão como se quisesse chamar a atenção. "Sexto", disse o mestre, dando um tapa no braço de Aiden. Foi tão inesperado que ele teve dificuldade em registrar, mesmo tendo, por reflexo, coberto a marca de queimadura com a mão. Teve que piscar para conter as lágrimas. "Nunca me admire, a menos que eu lhe ordene diretamente." "Sim, mestre…", Aiden disse sem precisar ser solicitado e abaixou a cabeça. Agora, vamos observar esta postura", disse o mestre, baixando a bengala e batendo na perna de Aiden, embora com um pouco menos de força. "Abra mais essas pernas." Aiden engoliu em seco, mas fez isso. "Bom", disse o mestre e caminhou ao redor dele. Um golpe atingiu suas costas e Aiden conteve o grito que queria escapar de sua garganta. "Costas retas." Aiden se endireitou. Sua b***a doía, seu braço e perna doíam, e agora até suas costas. "Mãos nas pernas", ordenou o mestre, e Aiden as colocou ali. Novamente o mestre apareceu, mas, com a cabeça baixa, não conseguia enxergar além da cintura. O mestre deu um passo à frente e deixou a bengala correr pela parte interna da coxa de Aiden, batendo em seu pênis e testículos macios. Aiden engoliu em seco, sentindo-se extremamente exposto, mas ignorou a vontade de fechar as pernas, certo de que isso lhe renderia outro golpe com a bengala. Em vez disso, ela correu pela outra coxa e então o mestre o contornou novamente. Um golpe caiu em suas costas, fazendo-o morder o lábio para se manter calmo, embora não tivesse sido tão forte desta vez. "Costas retas." Aiden endireitou as costas novamente. Era difícil lembrar de fazer isso. Principalmente porque colocava uma pressão desconfortável em sua b***a. "Ótimo", disse o mestre. "Essa é a posição normal que você assume ao se ajoelhar." "Sim, mestre." "Agora levante-se." Aiden hesitou. O mestre não tinha acabado de dizer que ele não deveria ficar de pé? Um novo golpe atingiu sua perna. "Levante-se!" Ele se levantou. Com a cabeça ainda baixa. Seu corpo doía por causa dos golpes. "Agora ajoelhe-se novamente." Aiden caiu de joelhos novamente. Um golpe na perna o fez cerrar os punhos. "Pernas mais abertas." Aiden ajustou sua posição. "Agora levante-se e depois ajoelhe-se novamente na posição correta." Aiden conteve o suspiro, mas se levantou para se ajoelhar novamente. Desta vez, fez questão de abrir bem as pernas. Um golpe atingiu suas costas e ele se lembrou de endireitá-las novamente. "Bom", disse o mestre. "De novo." Aiden se levantou e se ajoelhou novamente. "Bom, de novo", disse o mestre. E Aiden se levantou novamente, só para se ajoelhar novamente. Um golpe na perna fez Aiden cerrar os dentes, mas abriu mais as pernas. "De novo", disse o mestre, e eles continuaram. Quando finalmente conseguiu se posicionar corretamente cinco vezes seguidas, seu corpo latejava dolorosamente por causa de todos os golpes. E ele estava tão exausto que corria o risco de cair. "Bom, chega por enquanto", disse o mestre finalmente, e Aiden suspirou aliviado. "Você se saiu muito bem." Ele queria chorar. Se tivesse se saído bem e ainda estivesse machucado por causa de todos os golpes, quão r**m teria sido se não fosse assim? "Você pode vestir suas roupas novamente", disse o mestre. Então Aiden pegou suas roupas, levantou-se para se vestir e ajoelhou-se novamente, tomando cuidado para assumir a posição correta. "Por fim, após cada sessão, você me agradecerá por ter lhe ensinado. Entendido?" "Sim, mestre", disse Aiden. "Obrigado por me ensinar, mestre..." "Você pode ir." Aiden se levantou e saiu apressadamente do quarto, feliz por ter conseguido escapar. O mestre não havia dito para ele fazer mais nada, então acabou voltando para o alojamento dos escravos. De alguma forma, sentiu que poderia estar mais seguro lá. Piscou com força para afastar as lágrimas que ainda ameaçavam brotar em seus olhos e, quando isso não ajudou, ele as enxugou. Chorar não ajudaria ninguém. Quando ele entrou na senzala, ele não era o único. Uma mulher mais velha estava sentada em um dos bancos, com uma perna estendida, massageando-a. "Desculpe", disse Aiden. "Eu não queria me intrometer." A mulher ergueu os olhos com um sorriso gentil nos lábios. "Você não está se intrometendo, querida. Você tem o direito de estar aqui, assim como qualquer outra pessoa." Ele não conseguiu conter as lágrimas que lhe invadiram os olhos. A voz suave dela era tão diferente da que ele acabara de ouvir com o mestre. Ele as enxugou, mas era difícil contê-las, agora que haviam começado. "Ai, meu Deus", disse a mulher. "Eu disse alguma coisa errada?" "Não", disse Aiden. "Desculpe. Não sei o que há de errado comigo..." "Ai, meu Deus. Vem sentar aqui comigo. Está tudo bem." "Prefiro não me sentar agora", disse Aiden com um sorriso irônico. "Ah", disse a mulher. "Ganhou algumas rebatidas? Sim. Todos nós já passamos por isso." Finalmente, pareceu haver uma pausa nas lágrimas e Aiden primeiro enxugou as mãos na túnica e depois enxugou os olhos. "Venha, venha", a mulher fez um gesto para que ele se aproximasse. "Talvez eu tenha algo para a sua dor." Ela remexeu em uma bolsa e tirou um caroço marrom-escuro. "Aqui. Mastigue isso." Aiden se aproximou e pegou o pedaço dela, hesitante. "Você não precisa se preocupar com nada. É só um pouco de casca de salgueiro com um pouco de mel." Ele colocou o pedaço na boca e começou a mastigar. O gosto era surpreendentemente doce, mas com um toque amargo. "Obrigado. Você está bem?" "Hm? Você quer dizer a minha perna? Sim, sim, é só uma ferida antiga que me incomoda de vez em quando se eu me esforço demais. Você é aquele novato, não é?" Aiden corou. "Acho que sim." Você também é novato na escravidão, hein?" "Infelizmente sim… como você sabe?" Ela deu um longo suspiro. "Você ainda chora por causa de uma surra. E fica com essa aura de choque ao seu redor, como se algo fundamentalmente tivesse dado errado." "Oh…" "Chegue à minha idade e tudo isso será notícia velha. Desculpe-me por ser tão direto." "Tudo bem", disse Aiden. "Acho que... acho que sou novo..." "Vá se deitar um pouco", disse a mulher. "Se puder. As coisas vão melhorar depois que você tiver um tempo para descansar e processar as coisas." "Obrigado. É, provavelmente você tem razão. Obrigado novamente." Ela dispensou o agradecimento com um gesto e Aiden a deixou para seguir sua recomendação e foi se deitar na cama. Com o rosto enterrado no colchão até precisar virar a cabeça para o lado para respirar. Se todo o "treinamento" que o mestre queria fazer com ele fosse assim... ele não estava ansioso por isso. Bem, ele não estava ansioso por isso em geral, mas isso piorava ainda mais...
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