Evelin Vanderbilt Estava me despedindo dos demais funcionários, pronta para ir embora, quando avistei Rosella sentada sozinha em um banco, encarando em silêncio o grande edifício do orfanato. O céu escureceu a poucos, tingido por tons de azul profundo com pinceladas douradas do pôr do sol. A brisa noturna era suave, mas parecia arrastar as memórias do dia com ela. Rosella permanecia ali, imóvel. As mãos entrelaçadas sobre o colo e o olhar fixo em algo que não estava ali, não em forma concreta, pelo menos. Durante o dia, eu já havia notado: ela surgia quando alguém precisava, com a palavra certa, o toque discreto, o olhar presente. Mas logo se afastava, voltando ao silêncio. E agora, do jeito que olhava o prédio, havia algo que me inquietava. Parecia que ela via mais do que nós víamos. Al

