Evelin Vanderbilt Assim que abri os olhos, a luz do teto me atravessou como uma lâmina. Era branca demais, fria demais, viva demais. Por um instante, não reconheci nada. Nem o quarto. Nem a sensação do meu próprio corpo. Nem a mim mesma. Meus pulmões tentaram puxar o ar, mas falharam no primeiro esforço. Como se tivessem esquecido como funcionava a vida. Tudo doía. Até o silêncio. Pisquei devagar. Cada piscada era uma luta contra a névoa que cobria meus pensamentos. Havia um zumbido abafado nos meus ouvidos, como o som do mar depois de um mergulho muito fundo. O gosto metálico na boca. O cheiro forte de antisséptico, limpo demais, frio demais. Uma máquina apitava ao meu lado, marcando um ritmo desconhecido… mas que, de algum modo, era o meu. Foi então que ouvi uma voz. Grave, serena,

