Prólogo

1508 Palavras
01 de março de 2003 SELENE CORRIA PELA MATA COMO SE SUA VIDA DEPENDESSE DISSO, e, na verdade, dependia. Em suas costas uma pequena mochila com pertences que não eram dela, em seus braços estava um pequeno pacote enrolado em cobertores finos e pequenos. Seu coração batia forte e acelerado. Fazia quatro dias que sua vida havia mudado completamente. Quatro dias que ela se tornou o alvo de alguém terrivelmente poderoso e perigoso. Atrás dela as árvores e arbustos andavam conforme os seguidores da Grande Sombra se aproximavam tentando recuperar o que Selene roubou de seu mestre. Selene corria cada vez mais rápido, forçando seu corpo ao limite. Estava exausta, mas não podia parar. O desespero começara a tomar conta quando percebeu que eles se aproximavam rápido. Estava ficando sem ideias. O medo tomou conta de seu corpo e sua mente quando se viu na beira de um precipício e cercada pelos Feiticeiros das Trevas e da própria Grande Sombra. De frente para eles, ela abraçou com força o que carregava e com a outra, invocou uma luz branca, ameaçando seus opressores. Os Feiticeiros cercaram ela e abriram espaço para que a Grande Sombra passasse e ficasse cara a cara com a mulher. Ele usava um terno preto, smoking preto, gravata preta e até seu sapato era preto. Ele levava a sério o que os Bruxos ensinavam sobre “vestir suas cores com orgulho”. Ele caminhou lentamente na direção de Selene, observando cada traço dela com seus olhos azuis frios e gélidos. Em seus lábios estava um sorriso amigável e convidativo, mas Selene sabia que era uma enganação. Ela murmurou duas palavras e a luz em sua mão voou até os pés da Grande Sombra, acertando o chão na sua frente. Ele sorriu ainda mais para ela, parando no limite que ela determinara. — Selene, querida, você não tem para onde ir. Vamos, não seja assim. — ele tentou dissuadi-la — Entregue-a para mim e podemos ir para casa e viver em paz, o que acha disso? — Você não quer paz, você quer guerra! — Selene ergueu a voz, de cenho franzido e coração disparado. Seus cabelos loiros estavam colados na sua testa, devido o suor e o sangue — E eu morrerei antes de permitir que você transforme a minha filha no arauto do apocalipse! — Nossa filha, Selene, — ele perdeu o sorriso e a corrigiu, apontando o dedo para ela — não se esqueça. Ela é tão minha quanto sua, se não for mais. Você nunca a amou. — Amo ela o bastante para salvá-la de você! — Selene afirmou, erguendo a cabeça e a mão na direção dele. Imediatamente, a mão dela tornou a brilhar, fazendo a Grande Sombra rir. — n******e nos superar. — ele falou com os braços abertos e sombras começaram a rodear ele e seus seguidores. Era magia das Trevas. — Não, Sebastian, é você que n******e me superar. — ela balançou a mão e vários feixes de luz cercaram os Feiticeiros e os amarrou, fazendo suas peles queimarem. A Grande Sombra conseguiu livrar-se da opressão de Selene, mas imediatamente fora atingido por um raio e seu corpo se lançou para trás com força, batendo em uma árvore. Ele ergueu sua cabeça, seus cabelos longos e amarrados em um r**o de cavalo estavam desgrenhados. Seus olhos frios encontraram seu agressor, o deixando com raiva. — Feiticeira Celestial. — ele se ergueu, batendo a sujeira de sua roupa. A Feiticeira Celestial acenou sua mão e os seguidores de Maxim caíram no chão, desacordados — Veio salvar sua discípula? — Já chega, Sebastian. Entregue-se agora e você será poupado. — a Celestial protegeu Selene e a criança. — Acha que eu temo você, Celeste? — ele virou a cabeça de lado e balançou a mão, onde uma esfera n***a surgiu. Naquele instante, os seguidores dele que estavam caídos abriram seus olhos que brilhavam na cor das Trevas e eles ficaram de pé — Você não vai me impedir de pegar a minha filha. — Selene, pegue a menina e vá agora! — a Celestial ordenou mas a garota se negou. — Eu não vou deixar você! — a garota protestou. — Eu não vou conseguir segurá-lo por muito tempo, Selene. Vá! — ela fechou as mãos e uma barreira de ar impedia que a Grande Sombra e seus seguidores avançassem, mas eventualmente eles conseguiriam se soltar — Agora, garota! Selene não deu um passo nem para frente nem para trás. — Sua tola! — Celeste virou a mão para Selene e murmurou algumas palavras, fazendo um portal aparecer imediatamente atrás da garota. — Não! — Maxim, em uma tentativa de impedir Celeste, conjurou uma adaga n***a e atirou nela, acertando seu coração — Raven! — Não! — Selene gritou em desespero. Celeste perdeu as forças e olhou para sua aprendiz, tentando cumprir sua tarefa. Ela juntou todas as suas últimas forças e a acertou com uma rajada de vento, a fazendo cair no portal. A última coisa que Selene viu foi o olhar de sua h*****a enquanto ela a protegia. A floresta sumiu, assim como a Grande Sombra. Ela estava segura. Mas onde exatamente estava? Olhou em volta e viu táxis amarelos, metrôs subterrâneos, uma cidade que mesmo durante a noite, não dormia. Ela já não estava mais na Inglaterra. Estava em Nova York. Mas sua localização era o menor de seus problemas. Menor ainda que a criança que ela carregava. Por horas ela andou, até chegar em um canto escuro da cidade, onde o movimento era pouco e silencioso. Cansada de caminhar e segurar sua filha, ela sentou—se nas escadas da entrada de uma pequena casa para descansar. Selene baixou o olhar e seus olhos observaram sua pequena. O que os olhos da Grande Sombra tinham de frios e mortos, os de Selene eram calorosos e cheios de vida, tal como os de sua criança. A pequenina dormia por horas, devido a um feitiço do sono que Selene colocou nela. — Surgit. — Selene murmurou e lentamente a garotinha abriu os olhos e encarou os de sua mãe. Por alguns minutos elas apenas se encararam e lentamente, Selene derramou lágrimas de dor e tristeza. — Ela o enfrentou pra que eu e você estivéssemos seguras, mas agora eu vejo... Enquanto estivermos juntas você nunca estará a salvo. — ela acariciou a cabeça de sua pequena e retirou da mochila um pedaço de papel e uma caneta. Ao terminar a carta, ela se ergueu e viu que um casal jovem se aproximando. Ambos estavam de mãos dadas, mas a mulher chorava. Selene observou aquela cena quando o casal se deu conta de que havia uma estranha na porta de sua casa, maltrapilha, sangrando e com um bebê em seus braços. — Ah, meu Deus, você está machucada! — a mulher aproximou-se de Selene, que a olhava curiosamente — Harry, ela tem um bebê. Temos que ajudá-la. O homem se aproximou também e olhou com compaixão para Selene e sua filha. — Veritas. — Selene murmurou e eles caíram no feitiço da verdade — Vocês tem filhos? Eles negaram com a cabeça. — Querem ter filhos? — ela perguntou e eles sorriram. — Mais do que tudo. Mas acabamos de receber a notícia de que sou estéril. Nunca poderei ter um filho meu. — a mulher respondeu e voltou a chorar. Selene sorriu e entregou nos braços dela a pequena criança que carregava e a própria Feiticeira começou a chorar — O que está fazendo? É seu bebê! Selene deu um beijo na testa de sua filha e sussurrou algo perto de seu coração, e uma luz branca brilhou e então sumiu. — O nome dela é Raven. Ela é a sua primeira filha... — Selene colocou a mão na barriga da mulher e murmurou o feitiço reficere, para consertar o que fora quebrado, ou, nesse caso, reparar um útero ferido — Mas não será a última. Selene entregou a mochila, a carta e sua filha para um casal de Nova York, Harry e Diane Richards. Ela abriu um portal e desapareceu na noite, já os Richards, trouxeram para casa sua primeira filha, quem eles amavam com todo o coração. Em Manhattan, Selene buscava pelo refúgio secreto que existia escondido no coração de Nova York. Ela nunca havia estado nesta academia antes, mas agora, não haveria escolha. — Lux ordo ad te revelare. — ela recitou o feitiço que revelava a academia e passou por suas enormes portas, chocando todos ali presentes. — Selene! — Lucy, sua amiga de anos, apareceu para ajudá-la e levá-la até uma cadeira — O que aconteceu? Onde está a Celestial? Onde está sua filha? Selene começou a chorar, com a mão no peito, abraçando o único cobertor de Raven que sobrou. — Sebastian matou a Celestial e eu tive que manter Raven segura. — foi tudo que ela disse antes de limpar as lágrimas e se erguer — Chame o seu marido e os outros líderes. Estamos oficialmente em guerra.
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