Alana
O fim de semana voou, e a segunda-feira chegou, trazendo de volta a rotina de me arrumar para o trabalho. Dou uma última olhada no espelho antes de sair de casa e aprovo o que vejo: a roupa está perfeita. Uma combinação clássica e formal, ideal para uma secretária.
Ao sair de casa, sigo a pé até o ponto de ônibus, onde pego o transporte que me leva até a parada próxima ao escritório. Poucos minutos depois, já estou no meu local de trabalho. Deixei tudo em ordem, então a única tarefa pendente é levar o café à sala do meu chefe. Aproveito para fazer isso antes que ele chegue. Não entendo por que tenho que preparar o café dele todos os dias; será que ele não consegue fazer isso sozinho, comprar no caminho ou pedir para outra pessoa? E que essa pessoa não seja eu! Mas, enfim, faz parte do trabalho, certo? Após deixar o café sobre a mesa e organizar as pastas com os documentos que ele precisa assinar, dou uma última olhada para garantir que tudo está em ordem e me preparo para sair da sala. O que eu não esperava era que, naquele exato momento, meu chefe estivesse entrando. Por instinto, me jogo debaixo da mesa e sussurro para mim mesma:
"Que droga estou fazendo? Parece que estou aprontando algo errado e agora estou me escondendo."
"Merda, como vou sair dessa?"
Digo a mim mesma, em pânico.
"O que foi, Ana?"
Escuto-o dizer. Só então percebo que ele não estava sozinho no escritório.
"Ótimo, mais uma testemunha para o meu vexame."
"Nada, eu só ia dizer que a sua secretária não está na sua mesa."
"Já percebi."
Diz ele, com um tom de desdém.
"Ela não veio hoje?"
Questiona Ana, com um tom de curiosidade.
"Claro que veio! Você não viu as coisas dela em cima da mesa? Além disso, o meu café está aqui, intacto."
Diz ele, virando-se para frente e caminhando até sua mesa.
"Certo, talvez ela esteja fazendo outro trabalho."
Penso, em desespero: "Caramba, estou muito ferrada se eles me descobrirem aqui."
Nesse momento, sinto meu coração acelerar e minhas mãos começam a suar frio. Preciso sair daqui antes que me vejam, mas como? A porta está bloqueada pela presença deles, e a janela parece uma rota de fuga improvável.
"Talvez ela tenha ido ao banheiro", sugere Ana, quebrando o silêncio tenso.
"Pode ser", responde meu chefe, sem demonstrar muita importância.
"De qualquer forma, preciso daquela pasta com os relatórios de vendas. Você sabe onde está?"
"Acho que vir algumas pastas na mesa dela", diz Ana, aproximando-se da porta .
"Vou procurar."
Diz saindo da sala.
Sinto um arrepio percorrer minha espinha. Quando ele se aproxima de sua mesa. Se ele puxar a cadeira, me verá aqui encolhida como um rato. Preciso fazer alguma coisa, mas o quê? Por fim, tomo uma decisão, que no momento achei mais rápida.
Saio debaixo da mesa o mais rápido possível, sentindo o rosto queimar de vergonha. A saia amassada e o cabelo desalinhado não ajudam na minha tentativa de manter a compostura. Olho para o meu chefe, que está parado a poucos metros da mesa com um ponto de interrogação na testa, me encarando.
"Mas o que você estava fazendo debaixo da mesa?", questiona.
— Bom dia! — Falo, tentando disfarçar o meu nervosismo.
— Eu estava caçando o meu brinco que caiu debaixo da mesa.
Essa foi a primeira desculpa que veio à mente.
— É mesmo? Vejo que você perdeu o outro lado também, já que não tem nenhum dos dois na sua orelha — diz com desdém.
Coloco a mão na orelha e percebo que hoje não estava usando brincos.
— Ah, quer saber? Foi um reflexo. Vi você entrando na sua sala e, por instinto, acabei me escondendo debaixo da sua mesa, como se eu tivesse feito alguma coisa errada. Satisfeito? — Dou a verdade, o olhando.
— E você fez alguma coisa errada para se esconder? — Diz.
"i****a", sussurro.
— Claro que não! Você não ouviu eu dizer agora pouco o motivo? — Falo, andando, passo por ele e vou até a saída da sala.
— Já deixei tudo organizado, tô indo nessa.
Assim que pego a maçaneta da porta, a mesma se abre e Ana passa por ela.
— Achei a pasta! Ah, Alana, você está aqui!
— Ótimo, mais uma para testemunhar meu vexame — digo.
— Que vexame? E por que você está com um sorriso no rosto, Yan? — Questiona.
— Acho que acabei de pegar um rato no flagra — diz.
— Eu não sou um rato — digo, virando para ele.
— Agora pouco era — diz.
— Espera, o que aconteceu aqui? — Pergunta Ana, confusa.
— Alana estava escondida debaixo da minha mesa — responde Yan, com um sorriso debochado.
Ana arregala os olhos, surpresa.
— Debaixo da mesa? Mas por quê?
— Porque ele é um i****a que me assustou quando entrou na sala, e eu, no susto, me joguei debaixo da mesa — respondo, cruzando os braços e encarando Yan com raiva.
— Ah, entendi — diz Ana, rindo. — Você achou que ele ia te dar bronca por alguma coisa?
— Não é da sua conta! — Respondo, irritada.
— Calma, Alana, não precisa ficar nervosa — diz Ana, tentando me acalmar. — Yan só estava brincando.
— Eu não estava brincando — diz Yan, com um sorriso malicioso. — Mas, falando sério, Alana, você precisa relaxar. Não precisa ter medo de mim.
— Eu não tenho medo de você! — Respondo, mentindo descaradamente.
— Ah, não? Então por que você se escondeu debaixo da mesa? — Pergunta Yan, se aproximando de mim.
— Já disse, foi um susto! — Respondo, me afastando dele.
— Sei… — diz Yan, com um olhar desconfiado. — Bom, de qualquer forma, preciso dos relatórios de vendas. Você já organizou tudo?
— Já está tudo na sua mesa — respondo, apontando para a mesa de Yan.
— Ótimo. Ana, vamos para a sala de reuniões. Temos que discutir as estratégias para o próximo trimestre — diz Yan, ignorando completamente a minha presença.
— Vamos — responde Ana, seguindo Yan para fora da sala.
Assim que os dois saem, respiro fundo e me encosto na porta, sentindo o corpo todo tremer.
"Que dia horrível", penso. "Preciso urgentemente de um novo emprego."
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Continua...