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1117 Palavras
Yan narrando Agora, parado em frente ao espelho do banheiro, fico me questionando se foi uma boa ideia contratar essa garota. Desde o dia da entrevista, ela já me deu indícios de que seria problemática. Pelo menos ela não é uma louca atirada. "Maluca, é isso que ela é. Justo hoje ela teve que sujar o meu terno, ou melhor dizendo, a minha calça" murmuro enquanto tiro a roupa, aliviado por ter algumas peças de reserva na outra sala do meu escritório. Após tomar um banho, saio do banheiro e percebo que a bagunça ainda está do mesmo jeito. Ignorando esse fato, caminho até a outra porta e entro em uma sala muito bem aconchegante, com um mini closet e dois sofás que podem ser convertidos em camas. Há também uma mesinha de centro. Caminho até o closet e procuro uma roupa adequada para os compromissos que tenho hoje. Enquanto escolho uma camisa e uma calça de reserva, não consigo deixar de pensar nas confusões que essa nova funcionária, Hellen, tem causado. Ela é talentosa e dedicada, mas também parece atrair problemas. Talvez eu devesse ter sido mais cauteloso na contratação. No entanto, acredito que todos merecem uma chance de mostrar seu valor. Espero que ela se ajuste e prove seu potencial. Visto a roupa limpa e arrumada, tentando deixar para trás as preocupações e focar nos compromissos do dia. Afinal, como CEO, tenho responsabilidades a cumprir e não posso permitir que problemas pessoais interfiram no meu desempenho profissional. Com um suspiro, saio da sala e me dirijo até a sala de reuniões principal, já que tenho uma reunião com a equipe de marketing, tentando ao máximo não pensar no ocorrido. pronto para enfrentar o dia e lidar com qualquer desafio que surgir. Afinal, é isso que se espera de um líder. Após a reunião, volto ao meu escritório, agora limpo e organizado, e fico por lá até o meio-dia, quando tenho um almoço com Martins. Saio do prédio para o almoço e, ao retornar, vou para minha sala terminar os papéis que estava revisando antes de ser interrompido pela secretária. Apesar da situação embaraçosa, reagi com profissionalismo. Não fiz nenhum comentário sobre o incidente e continuei o dia como se nada tivesse acontecido. No entanto, não posso negar que a atmosfera estava carregada sempre que nos encontrávamos. Eu podia sentir que Hellen percebia minha tentativa de evitar contato visual direto. Apesar de manter minha postura profissional, a situação me deixou desconfortável. Suspiro, frustrado. _Por que essa cena continua passando pela minha mente? Murmuro para mim mesmo. _É melhor me concentrar no trabalho. Pego os papéis que estava analisando pela manhã e tento focar neles. _Que droga. Resmungo, pegando o telefone e discando para Ana. "O que foi? Não tem uma secretária? Diz assim que atende "Tenho, ela deve estar por aí" Respondo com ironia. "Fala logo o que você quer, estou ocupada." "Quero que você pegue meu terno que está no meu escritório após o expediente e o mande para a lavanderia." "Por que você não manda sua secretária fazer isso? Ela questiona. "Porque estou pedindo para você fazer isso e, além do mais, você sabe que não gosto que ninguém mexa nas minhas coisas. Tudo isso aconteceu por sua culpa. Digo, irritado. "Minha culpa? O que eu fiz?" "Nada, apenas faça o que pedi." Com isso, encerro a ligação. Fico mais algumas horas trabalhando e, por volta das três da tarde, realizo uma videoconferência com a filial de São Paulo. Apesar dos contratempos do dia, estou determinado a manter o foco e a produtividade. Afinal, como líder, preciso dar o exemplo e superar qualquer obstáculo que surja no caminho. Horas mais tarde. "Finalmente terminei", murmuro para mim mesmo, olhando para o relógio. São 19h e o expediente terminou há uma hora. Provavelmente, sou o único no prédio. Ao sair do meu escritório, passo pela sala da Srta. Martinez e confirmo que as luzes estão apagadas. Como suspeitava, ela já foi embora. Pego o elevador até o térreo. Atravesso o saguão de entrada e caminho até o estacionamento. Ao me aproximar do meu carro, vejo uma figura familiar parada ao lado dele. "A essa hora você não deveria estar em casa?", pergunto, parando em frente a ela. "Bem, eu estaria se o meu chefe não me desse trabalho extra depois do expediente", ela reclama. "Já te disseram que você reclama demais? Além disso, você é paga para isso", respondo. "E já te disseram que você manda demais? Claro, eu sou paga para fazer isso. Se não fosse, jamais faria", ela retruca, olhando-me de forma sugestiva. Admiro a prontidão de Ana em responder. "Você está indo buscar meu terno agora?", pergunto. "Eu já peguei. Alguns minutos atrás", ela informa. "Mas como? Eu não a vi entrar no meu escritório", questiono, confuso. "Eu entrei assim que a Alana saiu. Você que não me viu porque estava ignorando as pessoas", ela responde. "Ignorar? Quem eu ignorei?", pergunto, surpreso. "A Srta. Martinez. Você m*l olhou para ela", ela aponta. "Eu estava concentrado no meu trabalho, por isso não olhei para ela. Não queria perder a concentração", explico. "Vou fingir que acredito. Assim como também não vou perguntar o que aconteceu com o seu terno", ela diz, mudando de assunto. "Devo agradecer", respondo, aliviado por ela não insistir no assunto. "Não precisa me agradecer", ela responde, com um sorriso no rosto. "Pare de falar e entre no carro. Vou te levar para casa", ofereço. "Obrigada, chefe. Estava rsperando por isso. Ela responde, entrando no carro. Durante a viagem, a conversa flui naturalmente. Ana sempre foi uma boa companhia, com seu senso de humor afiado e sua capacidade de falar abertamente sobre qualquer assunto. Mesmo sendo minha secretária, sempre a considerei uma amiga. Ao chegarmos em sua casa, ela agradece pela carona e se despede. Observo enquanto ela entra em sua casa antes de voltar para o carro e dirigir para minha própria residência. Durante o resto da noite, meus pensamentos continuam voltando para o incidente com o terno. Embora eu tenha tentado manter a situação profissional, não posso deixar de me sentir desconfortável com o que aconteceu. No entanto, decido que é melhor deixar isso para trás e focar no trabalho. Afinal, como CEO, tenho responsabilidades que vão além de incidentes pessoais. Com isso em mente, volto minha atenção para os próximos dias, planejando as próximas reuniões e projetos. Enquanto me preparo para dormir, prometo a mim mesmo que lidarei com qualquer problema que surgir com a mesma determinação e foco que aplico ao meu trabalho. Afinal, é isso que se espera de um líder. Com esses pensamentos, finalmente adormeço, pronto para enfrentar um novo dia. . . . . Continua...
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